Missa da unidade: uma celebração cheia de significados

‘Esta celebração é cheia de significados para todos nós. Encontramo-nos ainda num tempo difícil, onde tantas vidas estão sendo ceifadas pela covid-19. Contexto difícil, desafiador para a vida de nossos amados presbíteros, para a vida do nosso povo, para a vida de todos nós!”, disse dom Paulo Cezar na homilia da missa do Crisma, nesta Quinta-feira Santa.


Uma família

“Essa celebração nos relembra que somos presbíteros, que formamos uma família, um presbitério. Não somos homens isolados, mas estamos ligados entre nós por uma intima fraternidade sacramental, que o sacramento da ordem criou entre nós através da ordenação sacerdotal, formamos um corpo, um presbitério onde nos sentimos unidos uns aos outros. Nos sentimos unidos não por vinculo de sangue, de amizade, mas pela graça sacramental que nos tornou uma verdadeira família que tem o nome bem claro e bem concreto: presbitério da arquidiocese de Brasília. “

Ungido e enviado

Tantos personagens do antigo testamento – continua o arcebispo de Brasília – foram ungidos e enviados para uma missão, mas este texto do profeta Isaias, traz um significado mais profundo que, somente séculos depois, foi capaz de ser percebido na sua profundidade.

O evangelho que nos foi proclamado no texto de São Lucas revela o seu verdadeiro significado, destaca o arcebispo. Jesus está na sinagoga que é lugar da leitura da palavra de Deus, em Nazaré, sua terra natal, lugar onde todos o viram crescer.

Os judeus se reunião todos os sábados para ouvirem a palavra de Deus. A sinagoga é a casa da palavra. Em Jerusalém tinha o templo, mas cada cidade tinha a sua sinagoga, onde os judeus se reunião aos sábados.

Em todos os outros momentos encontramos Jesus nas sinagogas.

O texto saliente “segundo o seu costume”. Em Nazaré, Jesus, desde sua juventude, tinha frequentado regularmente o serviço litúrgico sinagogal todos os sábados e nos dias festivos. Jesus era um judeu piedoso, um bom filho de Israel. Tinha uma grande familiaridade com as escrituras do seu povo. Jesus conhece as escrituras, as citas, as manda colocar em prática. Segundo seu costume, coloca em luz a fidelidade de Jesus a religião de seu povo. Nos mostra, amados e amadas de Deus, que a fé cristã não nasce de um aventureiro, mas de um representante do autêntico Israel no qual o fruto chegou à maturidade.

Jesus se levanta para fazer a leitura pública, deve ser entendido aqui, fala o arcebispo, “como um ato que se cumpre pela primeira vez, em que cria uma expectativa. Todos os israelitas podiam apresentar -se para a leitura, mas aqui contrariando um costume, segundo o qual seria um presidente da sinagoga que convidava alguém para ler, vem sublinhada a iniciativa de jesus.

Mostrando e sublinhado de onde vem a sua autoridade. Ele é o fundamento da sua própria de sua autoridade. A autoridade de Jesus não se fundamenta na autoridade dos outros, ele é o fundamento da sua própria autoridade, ele é o Filho.

Jesus recebe o livro do profeta Isaias. Jesus mostra que este texto de Isaias se cumpre Nele. Então leiamos percebendo que aqui tem uma síntese do mistério de jesus, uma síntese da sua missão. O texto inicia afirmando que Jesus foi ungido pelo Espírito Santo. Quando Jesus se submeteu ao rito de João Batista, de batizar no rio Jordão, o Espírito desceu sobre Ele. Foi a unção messiânica de Jesus, Ele é o messias. O filho de Deus foi ungido pelo Espirito e desenvolverá todo o seu ministério na força do Espirito.

O centro do ministério de Jesus

O centro do ministério de Jesus foi o anuncio do Reino de Deus. Nesse anuncio, Jesus manifesta que sua salvação atinja a pessoa humana na sua integralidade. O anuncio da boa nova aos pobres, seguido de categorias muito concretas de pessoas: presos, cegos, oprimidos, devia suar provocante para os ouvintes de Jesus e também para a comunidade de são Lucas, a comunidade que primeiro recebeu este evangelho. Jesus se apresenta como profeta escatológico, profeta dos últimos tempos que inaugura o evento do tempo final, a libertação definitiva.

A obra de salvação de Jesus, faz sentir os seus efeitos bem concretos da história.  A atitude de Jesus, predita nesse texto de São Lucas, na sinagoga de Nazaré será a tônica de todo o ministério de Jesus, demonstrado em tantos outros momentos de sua vida pública.

Jesus termina a leitura, enrola o rolo, entrega ao servente e se senta. Todos na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Jesus se tornou de certa forma, o centro da cena. Então começou a dizer: “hoje se cumpriu aos vossos ouvidos esta passagem da escritura.”

O hoje da salvação proclamado por Jesus na sinagoga de Nazaré, destaca o arcebispo, se realiza, amados e amadas de Deus, no hoje na igreja. Pois o Espirito que ungiu Jesus continua a assistir e a santificar a vida da igreja. Assim, a igreja leva adiante, no hoje da história, a missão salvífica de Jesus. Celebrar a essa quinta-feira santa, ouvindo estes textos bíblicos evidenciam alguns elementos para o nosso caminho pessoal, nosso caminho presbiteral e para o caminho da nossa igreja arquidiocesana.

Jesus é o primeiro grande evangelizador

“Jesus está na sinagoga de Nazaré segundo o seu costume.”

Essa expressão relembra a familiaridade de Jesus com a escritura de seu povo. Com a palavra de Deus. Dirigindo a palavra aos padres, o arcebispo diz que “é fundamental meus caros padres, amadas e amados de Deus, este contato diário com a palavra .A constituição sobre a revelação divida do Vaticano II – concilio do Vaticano II ‘dei verbum’ ,nº 25, nos alerta que é necessário que nos consagremos ao ministério da palavra.  Nos apegarmos a escrituras por meio de assídua leitura sacra e diligente. Estudo que não venha a ser vão pregador da palavra de Deus externamente, quem não a escuta interiormente. Quer dizer, o pregar só pra fora, com nossas palavras e muitas vezes, com as nossas belas palavras, quem não a escuta interiormente, que não tem um contato assíduo, que não mediata a palavra em seu coração.

A escritura, é Deus presente que nos interpela.

Escutando a sua palavra, dizia são Gregório Magno, é como se víssemos a sua própria boca. A escritura é a mesa de Cristo a qual nos alimentamos.  Compreendemos aquilo que devemos amar, desejar e em que ter os olhos fixos.

Amados e amadas de Deus, a escritura formou no decorres da história da salvação, homens e mulheres livres e operantes. Ela quer fazer a mesma coisa hoje. Ela quer formar hoje santos e santas, amigas e amigos de Deus.

Cristo fez de nós um povo sacerdotal.

Jesus foi o grande evangelizador. O pai o ungiu com o Espirito Santo e o enviou para evangelizar a sua missão, proclamar a boa nova, evangelizar de aldeia em aldeia. O texto do Apocalipse disse: “aquele nos ama, que nos lavou de nossos pecados com seu sangue e fez de nos uma realeza de sacerdotes para Deus, seu pai.”

Cristo fez de nós um povo sacerdotal.  A igreja é um povo sacerdotal. Dom Paulo explica que “também os nossos amados leigos e leigas, participam do que a Lumen Gentium chama de ‘o sacerdócio comum dos fiéis’.  Existe o sacerdócio ministerial, à configuração de Cristo- cabeça, e existe o sacerdócio comum dos fiéis que provem do batismo.

A unção do Espirito Santo, recebido por Jesus na encarnação, na epifania do Jordão, é transmitida a todos os membros do povo de Deus através do batismo, da crisma, a benção dos santos óleos dos catecúmenos, dos enfermos e a consagração do Crisma, expressa essa realidade.  A missa crismal, é a manifestação da igreja, corpo de Cristo, organicamente estruturado que, em seus vários ministérios e carismas, exprimem pela graça do Espírito Santo, os dons nupciais de Cristo a sua espessa peregrina no mundo. É Cristo que vai constantemente santificando a sua igreja, através do sacramento, através da palavra.

Assim todos os membros da igreja participam a seu modo, da missão de Cristo.  Daqui amados e amadas de Deus, nasce a corresponsabilidade de todo o corpo em assumir a ação evangelizadora a exemplo de Cristo.

Anunciar o evangelho com ousadia, com parrésia

O Espirito Santo, nos dá a força para anuncia o evangelho com ousadia com parrésia, em voz alta e em todos os tempos, em todos os lugares, mesmo contra a corrente.

Uma igreja evangelizadora, é uma igreja em saída. O documento de Aparecida, fala que ‘todo discípulo é missionário’, quer dizer, todo aquele que se encontrou com Jesus Cristo, e, que vive de Jesus, é anunciador, é evangelizador (a).

Nós estamos em uma sociedade que vai se tornando cada vez mais indiferente a realidade da fé, onde há tanta gente que não conhece a Jesus Cristo, que não vive do evangelho.

Meus queridos padres, é missão nossa hoje, evangelizar! Levar a aquele que é a grande riqueza da nossa vida para os outros.

Continuou dizendo Dom Paulo. “Eu digo sempre que por atrás de atitudes de fechamento a evangelização, a missão, ao testemunho de Jesus Cristo, existe corações que estão fracos no amor para com Jesus Cristo. Quando o coração está fraco no amor, vai se perdendo o ânimo. O ânimo do testemunho, de evangelização, da missão, do testemunho leve, alegre e bonito que se dá no ambiente de estudo, de lazer, de trabalho e na vida do dia a dia.

Somos enviados em missão

Jesus, o grande evangelizador, nos conduz a sermos uma igreja evangelizadora onde todos os presbíteros, diáconos, religiosas, religiosos, seminarista, leigos e leigas, como povo sacerdotal, somos enviados em missão. Ninguém pode dizer “eu não sou protagonista da missão”, todos somos protagonistas da missão.

Nós, meus queridos secretores, também fomos ungindo.  O Espirito nos ungiu.  A unção nos configurou ao sacerdócio de Cristo. Nos deu uma identidade: somos homens ungidos. Cito Papa Francisco “A unção penetrou no mais íntimo do nosso coração.”

Os sinais das liturgias da ordenação, falam-nos do desejo materno que a igreja tem de transmitir e comunicar tudo aquilo que o Senhor nos deu. A imposição das mãos, a unção com o santo Crisma, o reverter-se com os paramentos sagrados, a participação imediata na primeira consagração, a graça enche-nos e derrama integra, abundante e plena em cada sacerdote. A nossa missão é eco desta unção.

É da nossa configuração a Cristo, bom pastor, que provenha a nossa caridade pastoral. Participação na mesma caridade de Cristo, dom gratuito do Espirito Santo e, ao mesmo tempo, missão e apelo a uma resposta livre e gratuita. Jesus na sinagoga de Nazaré, nos indica este caminho de pastor bom belo. A sua unção exalou durante todo o seu mistério. Cristo ungiu com óleo da cura, do anúncio do reino, da libertação do poder do demônio, do acolher as pessoas, ungiu com óleo da misericórdia. O presbítero também, a exemplo de Cristo, tem que ungir o povo fiel e santo de Deus. Para batizar, para confirmar, para curar e consagram, para abençoar, para consolar e evangelizar.

Finalizando sua homilia, Dom Paulo fala ao clero: “daí a pouco meus queridos padres, amados e amadas de Deus, abençoaremos o óleo dos catecúmenos e dos enfermos e consagremos o santo Crisma. Esses óleos serão usados na administração dos sacramentos. Quero que este gesto simbolize, a nossa comunhão presbiteral. Esse gesto mostra que a nossa comunhão se fundamenta nas coisas santas. Em Deus. Fonte de tudo.”

2021-04-02T18:47:13-03:0002/04/2021|