Músicos católicos celebram sua padroeira e partilham a alegria do serviço na Liturgia

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O dia 22 de novembro é tido como dia do músico pelo fato de, nesta data, ser celebrada a memória litúrgica de Santa Cecília. Santa Cecília foi uma virgem e mártir do início do Cristianismo. Já no século V era uma das santas mais veneradas na Igreja por seu testemunho de amor a Jesus Cristo abnegando da própria vida para não cultuar deuses pagãos. Nas Atas de Santa Cecília lê-se esta frase: “Enquanto ressoavam os concertos profanos das suas núpcias, Cecília cantava no seu coração um hino de amor a Jesus, seu verdadeiro Esposo”.

O exemplo de Santa Cecília ajuda aqueles que se colocam à serviço da música na Igreja a observarem uma reta intenção diante do dom que lhes foi dado por Deus. O trabalho com a música na Liturgia da Igreja tem uma importância ímpar.

Na Arquidiocese de Brasília, a pastoral da música está ligada ao Setor Litúrgico. Atualmente, passa por reestruturação, tendo em vista as novas demandas para a pastoral. Entretanto, os corais, grupos e ministérios continuam a atuar fortemente nas paróquias. Neste intento, escutamos o coordenador da Schola Cantorum do Seminário Maior Arquidiocesano de Brasília, o seminarista Gabriel Dias e a coordenadora do coral Laetare, Lorena Vieira, partilhando um pouco sobre o apostolado que estes grupos realizam.

Falando sobre o papel da música litúrgica, Gabriel afirma que “a música litúrgica, na Igreja, tem como papel principal auxiliar o povo de Deus a rezar, a entrar em contato com o divino. Por muitas vezes, expressa o que não conseguimos dizer por nossas próprias palavras e revela o nosso clamor a Deus. Além disso, por meio dela, o fiel consegue entender melhor a espiritualidade de cada santa celebração, com suas especificidades e diferenças, visto que, durante o ano litúrgico, temos desde celebrações mais solenes, como a Páscoa, como mais fúnebres, como a Comemoração dos Fiéis Defuntos. Por isso, deve-se ter grande cuidado e zelo ao se escolher as músicas para cada missa.”

Certamente, se impõem desafios, como em todas as missões que são realizadas no âmbito Pastoral da Igreja. O seminarista, então, enumera alguns: “Os maiores desafios para quem se dispõe a cantar na liturgia são: ensaiar músicas conforme a espiritualidade de cada celebração; perceber que a música é um auxílio para as pessoas rezarem, e não o principal da celebração; colocar o dom que recebeu em comum e ser sempre humilde, ao se ver como instrumento nas mãos do Senhor; cantar em espírito de oração, ao saber exatamente o porquê de estar ali servindo no grupo de música.”

Corroborando com este pensamento, a jovem Lorena destaca o papel central da virtude da obediência na vida do músico católico: O lugar central pertence a virtude da obediência. A Liturgia da Missa é o cume da vida cristã, que se concretiza na renovação do sacrifício de Nosso Senhor; é um dom, uma entrega de Si mesmo a nós. O homem jamais poderia encontrar um modo de devolver, ainda que minimamente, a Cristo, o culto perfeito, o agradecimento perfeito por tão benevolente doação. O próprio Deus instruiu ao homem a forma, a estrutura do culto, e nesse sentido a música compõe um dos elementos deste culto, sendo, portanto, assim como os demais elementos, dada por Deus, para que o homem a guardasse e a reproduzisse a Seu modo, e não ao meu. Sem a virtude da obediência o músico não será capaz de cantar/tocar da forma que Deus assim quer. Na Liturgia da Missa tudo é separado, consagrado para o culto; cálice, toalhas, paramentos e música! Deus inspirou a música com a qual ele quer ser louvado, inspirou a melodia e o texto. Obedecer ao modo como Ele quer ser louvado é, no fundo, um ato de amor profundo, e não somente um mero legalismo de “pode/não pode”. Não se pode servir bem, adequadamente à Liturgia, se não me submeto ao que a compõe.”

Os dois coordenadores concordam no fato de que a formação e o empenho nos estudos é um fator primordial para aqueles que desejam servir a Deus nesta área. Em primeiro lugar o músico deve ter a consciência de que é servo de algo muito maior do que ele. Nós somos servos; ‘o servo não é maior que o seu senhor’ (Jo 13, 16), nós músicos nos colocamos, nos submetemos a que o Senhor nos manda, por meio de Sua Igreja. Este entendimento nos coloca no nosso devido lugar, nem maior, nem menor, mas no lugar que eu devo estar: cumprindo o que é esperado de mim. Em se tratando de Música Litúrgica, o que nos cabe é fazer cumprir o mandato da Igreja: ‘a finalidade da música sacra é a glória de Deus e a santificação dos fiéis’. (SC 113)

            Além disso, é necessário buscar aprimoramento técnico. É preciso estudar para fazer bem. Não se trata de somente ter como bastião o ‘quem canta, reza duas vezes’; deve-se cantar bem, cantar afinado, ter domínio sobre o seu instrumento. Quanto mais técnico, mais habilidoso é o músico, e, portanto, mais recursos terá para desempenhar a sua função. 

            Um terceiro aspecto é ter espírito eclesial. Servimos à Igreja e somos conduzidos por seus pastores; nossos padres. O músico que quer servir bem deve ‘ser regido’ por seu pároco. Não se pode querer fazer nada na Igreja, sem a anuência do padre. Se vierem dificuldades, que sejam superadas de modo inteligente, com diálogo. O leigo tem o papel de ser auxílio ao sacerdote. Nossos padres, em muitos casos, não têm formação sólida em Música Litúrgica, e por isso podem errar, podem falhar. Se o leigo está ali ao lado, como auxílio, deve propor mudanças progressivas, e não abruptas, instruindo de forma caridosa.

            Por fim, o músico deve ter vida de oração. Nenhuma das ações acima poderá dar frutos, se não for sustentada pela oração. Se a música que eu canto não produz efeito em mim primeiro, ela não tem eficácia. Nas palavras de São Jerônimo: ‘O servo de Cristo cante de tal forma que não se deleite na voz, mas nas palavras que canta’.”

Que Santa Cecília interceda pelos homens e mulheres que colocam seus dons à serviço do culto divino.