NOS 50 ANOS DA CATEDRAL DE BRASÍLIA

Localizada no Eixo Monumental, na Esplanada dos Ministérios, a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é muito mais do que o monumento mais visitado de Brasília, pois, para nós, cristãos, a Catedral é o lar da Mãe Aparecida, a nossa amada Padroeira que acolhe a todos, que não exclui ninguém. A Catedral é para nós um lugar aprazível, repleto de luz que evidencia a solicitude maternal da Virgem Santa Maria para conosco, clareando sempre mais o nosso itinerário na santidade.

A Catedral de Brasília foi inaugurada no dia 31 de maio de 1970, em um domingo, no encerramento do VIII Congresso Eucarístico Nacional, que foi realizado aqui em Brasília. Desde aquele dia, a Catedral se destaca na imensidão da Esplanada dos Ministérios, demonstrando que o principal serviço que somos chamados a realizar é o serviço a Deus e à Igreja. Esse serviço deve ser exercido por meio do testemunho da fé e pela realização das obras de caridade e de misericórdia.

Para que possamos realizar esse serviço da fé e da caridade, a Virgem Maria, a Senhora Aparecida, nos convoca a participar da Mesa do Senhor que nos une na comunhão, pois é nesse Banquete Eucarístico que nós haurimos forças e entusiasmo para testemunharmos a Igreja do Deus vivo, superando divisões, ressentimentos ou lutas estéreis. Todo aquele que se faz presente na Catedral, não como um turista ou um fotógrafo, mas como um apaixonado por Deus e Sua bondosa Mãe, já sentiu e sente em seu coração que a Catedral é uma estalagem acolhedora, um lugar de encontros na fé, de grandes celebrações, de piedosas manifestações e de veneração a Nossa Senhora. A Catedral é também um lugar de envio de novas missões e de incontidas expressões de esperança.

Com raríssimas exceções, em função de algumas necessárias reformas, nesses cinquenta anos de sua história, a Catedral tem sido o Cenáculo onde são realizadas as ordenações sacerdotais de nossa Arquidiocese. É ali, junto de Nossa Senhora Aparecida, que os sacerdotes recém ordenados dão os primeiros passos na vida sacerdotal. Ali, diante do Altar do Senhor eles recebem o sacramento da Ordem pelas mãos dos nossos Bispos.

Muitos noivos sonham em se casar na Catedral, não só pela beleza arquitetônica da Igreja, mas pela certeza de que, assim como em Caná da Galileia, Nossa Senhora estará presente na vida conjugal do casal, abençoando a família com muitas graças e filhos. Muitos pais batizam os seus filhos na Catedral, jovens e adultos frequentam a catequese e alguns casais realizam o curso de preparação para o Matrimônio. Todos esses serviços são a expressão de que a Catedral é muito mais do que um belo templo. É sim, uma Igreja em saída, uma Igreja viva e atuante. Todas essas pastorais, esses serviços, nos enchem de orgulho, pois temos uma Catedral que é linda não apenas no aspecto físico, mas, no aspecto humano também, com espaço para todos.

A beleza, física e humana, de nossa Catedral é um claro sinal de que podemos construir algo melhor para a nossa sociedade. Oscar Niemayer, o arquiteto que criou o projeto da Catedral, dizia que “a Catedral era como que linhas voltadas para o infinito, ou seja, a casa de Deus que nos leva para o eterno”. Nosso primeiro Arcebispo, Dom Newton Baptista, ao se referir ao simbolismo da Catedral, dizia que “são como duas mãos elevadas aos céus, agradecendo a Deus”. Outras pessoas afirmam que a Catedral foi inspirada na coroa de espinhos de Jesus Cristo. Esses simbolismos nos ajudam a adquirir a consciência de que somos membros do Corpo Místico de Cristo, devotos de Nossa Senhora Aparecida, incorporados e configurados, pelo Batismo, a Eucaristia e a Confirmação, ou seja, nós constituímos a Igreja, a comunidade dos filhos de Deus.

Tendo um olhar mais apurado e atento pelos diversos espaços físicos da Catedral, nós iremos vislumbrar as obras artísticas de Di Cavalcanti (Via Sacra), as quatro estátuas de bronze dos Apóstolos que foram esculpidas pro Alfredo Ceschiatti e Dante Croce, o campanário com seus 20 metros de altura, o painel de azulejos de Athos Bulcão, a réplica da famosa Pietá de Michelangelo, a réplica da imagem original de Nossa Senhora Aparecida, a escultura de anjo suspensa por cabo de aço de Alfredo Ceschiatti e as famosas peças de vitrais idealizadas por Marianne Peretti, a única mulher presente na equipe de Oscar Niemayer e Lúcio Costa na construção de Brasília.

Todo esse conjunto artístico expande a beleza da nossa Catedral, mas a sua maior beleza é, seguramente, a presença do Povo de Deus nas grandes celebrações litúrgicas, demonstrando que, nas Festas e Solenidades da Igreja, nós preferimos nos reunir na Casa de nossa Mãe e Padroeira, ao redor de nossos Bispos e sacerdotes, para vivermos sem reservas a dimensão comunitária da fé, da esperança e da caridade.

Nesses 50 anos de nossa Catedral, nós devemos reconhecer que ela é um belo sinal de Deus em nosso meio. Mas ela é também um símbolo, um sinal da comunidade que hoje é convidada a fazer memória dos acontecimentos que deixaram marcas em nossos corações nesses 60 anos de história, fé e união da nossa Arquidiocese, que tem como padroeira a bondosa Mãe e Senhora da Conceição Aparecida. No interior da Igreja Mãe de nossa Arquidiocese, nós vislumbramos a chegada dos discípulos de Jesus e de inúmeros devotos marianos, que habitam nas diversas regiões administrativas do Distrito Federal, que não poupam esforços para visitar a nossa Padroeira em sua Casa.

Por outro lado, a nossa Igreja Catedral é, principalmente, um singular porto de partida de onde são enviados os sacerdotes e missionários que irão continuar zelando pelos exercícios da piedade mariana; ponto de partida dos fiéis que revigoram suas baterias para continuar servindo à Igreja, participando do testemunho da alegria do Evangelho e do estilo da caridade autêntica.

Nos 50 anos da nossa Catedral, podemos afirmar que a  Igreja Mãe de nossa Arquidiocese é um ícone da arquitetura moderna com as suas dezesseis colunas de concreto que convergem num círculo central, numa área circular de 70 metros de diâmetro. Mas, acima de tudo, a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é um Templo, uma Igreja Católica, um Cenáculo de oração e de missão, um lugar aprazível de encontro com Deus, com Nossa Senhora Aparecida e os irmãos e, por isso, quando saimos do estacionamento da Igreja e adentramos o interior da Catedral, nós saimos das trevas do mundo e somos inseridos na luz de Deus que nos fala, em todo o tempo e lugar, sobretudo no interior da Catedral, quando superamos a curiosidade do fenômeno acústico e vivenciamos o espaço sagrado do silêncio.

Desde o ano de 1987, os sinos da Catedral tocam todos os dias no mesmo horário da oração do Ângelus, às seis, às doze e às dezoito horas, convidando os funcionários públicos e as pessoas que se fazem presentes na Esplanada dos Ministérios a elevar uma oração, um pensamento ou um louvor a Deus. Um singular Te Deum e constantes louvores nós devemos dirigir a Deus, nesse Jubileu de ouro da nossa Catedral, em agradecimento pelos benefícios que Ele derramou e tem derramado em nossa Arquidiocese, graças à poderosa intercessão de nossa Padroeira, a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Na fé e na esperança, com o coração repleto de gratidão, nós esperamos que a celebração do Jubileu de Ouro da nossa Catedral traga ao Povo de Deus, que habita no Distrito Federal, um vento impetuoso de santidade, um incremento na devoção mariana, a graça de um tempo novo de anúncio do Evangelho, um vigoroso testemunho de fé e uma profunda experiência de perdão e reconciliação para o maior bem das almas e a glória de Deus.

Aloísio Parreiras

2020-06-08T09:55:12-03:0008/06/2020|