NÓS SOMOS OBRA DE DEUS

Caríssimos, por termos sido revestidos do Espírito Santo no dia do nosso batismo e, posteriormente, no dia do nosso crisma, não podemos nos esquecer de que “somos obra d’Ele criados em Cristo Jesus para as boas obras que Deus predispôs, para que as praticássemos”. (Ef 2,8-10). Recebemos, em profusão, os sete dons do Divino Espírito e, consequentemente, devemos produzir os frutos do Espírito, ou seja, o amor, a alegria, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio.

O Senhor Jesus e o Pai, juntamente com o Espírito Santo, contam conosco como bravos e destemidos soldados que se revestem da caridade e da fé, no empenho de evangelizar os ambientes nos quais vivemos. A todo aquele que se esqueceu do seu compromisso batismal, devemos dizer: “Admiro-me que tão depressa abandoneis Aquele que vos chamou pela graça de Cristo”. (Gl 1,6). Mas, ao mesmo tempo, devemos demonstrar que esperamos ansiosos o seu retorno ao seio da Igreja. Erguemos nossas mãos, em súplica, e pedimos por eles: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a Sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o Seu coração e te dê a paz!” (Nm 6,24-26).

Como destemidos soldados de Cristo, sabemos de cor que “Aquele que nos criou sem nós não nos salvará sem nós”. (Santo Agostinho, “Sermão” 169,11,13). O Divino Espírito que está em nossas almas clama por docilidade. A cada dia e a todo o momento, temos que ser dóceis à ação do Divino Espírito. O Espírito Santo incendeia nossos corações para que, com ardor, possamos professar: “Digo a verdade em Cristo, não minto, e a minha consciência me dá testemunho no Espírito Santo”. (Rm 9,1).

Professamos, com afinco, um sólido testemunho do Espírito Santo quando colocamos nossos dons, capacidades e talentos a serviço da edificação do Reino de Deus. Professamos também nossa docilidade ao Espírito Santo, mediante a defesa da vida e do repúdio da prática do aborto, da eutanásia e de todos os sinais de morte, evidenciando que “nós temos o pensamento de Cristo”. (1Cor 2,16). Em consequência, “todos nós refletimos, como num espelho, a glória do Senhor e nos vemos transformados nessa mesma imagem”. (2 Cor 3,18). Agindo assim, mesmo sem palavras, “o Senhor reflete-se na nossa conduta como num espelho. Se o espelho for como deve ser, reproduzirá o semblante amabilíssimo do nosso Salvador sem o desfigurar, sem caricaturas, e os outros terão a possibilidade de admirá-Lo, de segui-Lo”. (São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, nº 299).

Nessa altura da nossa conversa, alguém pode estar pensando: Isto é impossível! Saibam que não sou eu quem está dizendo, mas é o próprio Cristo quem nos diz que “tudo é possível àquele que crê”. (Mc 9,23). Outros, ainda, podem estar afirmando: Tenho muitas tribulações e não sei o que fazer. É São Paulo quem nos escreve: “Deus nos consola em todas as nossas tribulações, para que nós também possamos consolar aqueles que se encontram em toda a espécie de aflição, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus”. (2 Cor 1,4).

As consolações de Deus são uma constante em nossas vidas. Deus nos cerca com Sua graça, ininterruptamente, pois, desde o berço até à sepultura, Deus nos envolve com a Sua presença transformadora. É Ele quem, por meio do Espírito Santo, a todo instante, nos resgata, fortalece, purifica e vivifica.

Quem vivencia a experiência do amor de Deus, subitamente se transforma em um propagador dos mistérios divinos e se assume como um apaixonado salmista que sobe o tom e canta com as cordas vocais da alma: “Que Deus nos dê a Sua graça e a Sua bênção e Sua face resplandeça sobre nós! Que na terra se conheça o Seu caminho e a Sua salvação por entre os povos”. (Sl 66,2-3).

É meu desejo que cada vez mais vocês creiam que, por intermédio do Espírito Santo, aqueles que se esforçam podem alcançar a imitação de Jesus Cristo. Por ser uma explosão de amor, de renovação e de vida nova, o Divino Espírito quer realizar um novo Pentecostes em nosso íntimo, em nossas famílias e em nossas comunidades. Digamos sim ao Espírito Santo, para que Ele possa se hospedar em nossas almas, regar o que está árido, curar o que está doente e lavar o que está manchado.

Em plena sintonia com o Doce Hóspede de nossas almas, cantemos: “Sou consagrado ao meu Senhor. Solo sagrado eu sei que sou. Vida que o céu sacramentou. Marcas do eterno estão em mim”. Que as marcas do eterno que estão em mim e em cada um de vocês, nos conduza à total adesão ao “Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis porque permanece convosco!” (Jo 14,17). Que a vida que o céu sacramentou em mim, e em cada um de vocês, mediante a recepção dos sacramentos do Batismo, da Crisma, da Eucaristia e da Reconciliação, nos ajude a ser cada vez mais santos, em união com o Espírito Santo.

 

Aloísio Parreiras
2020-05-28T16:52:22-03:0028/05/2020|