NOSSA SENHORA APARECIDA, A MÃE RESTAURADORA DA FÉ

Desde o ano de 1717, quando foi encontrada por três humildes pescadores no Rio Paraíba do Sul, a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida é para nós, povo brasileiro, muito mais do que um emblema nacional e é, sim, um sinal, um memorial que atualiza a presença da Virgem Santa Maria na história do nosso país e em nossa história, solidificando a presença de Cristo no cotidiano da nossa fé a serviço do Reino de Deus.

A pesca em dois momentos da pequena imagem de terracota – corpo e depois cabeça – poderia ter sido vista pelos humildes pescadores como um sinal de azar, pois, naquela época, o povo pobre e simples tinha a ideia de que imagem quebrada atraía azar e, por isso, não eram restauradas, mas sim, descartadas. O que levou então os três pescadores a recolherem a imagem quebrada de Nossa Senhora da Conceição? Talvez o simples desejo de ter em casa uma imagem da Virgem Maria ou a certeza de que, quando levamos Maria para nossas casas, para o nosso ambiente de trabalho e para o nosso meio social, tudo muda, pois Maria é a Mãe que está atenta às nossas necessidades. Ela nos convida a uma experiência profunda e restauradora com Jesus, aquecendo os nossos corações com a chama da esperança.

Desde a pesca da imagem de Aparecida, os sinais de restauração se fizeram presentes na história de nossa Mãe Padroeira. Os peixes que, naquele dia, eram escassos, tornaram-se abundantes, o rio que era imprestável tornou-se útil, o sonho de liberdade dos negros escravos transformou-se em realidade e a utopia da construção de um novo país consolidou-se em uma nação. Nação que desde o seu período colonial enfrenta desafios na promoção dos direitos dos marginalizados e dos excluídos.

Por meio da mensagem restauradora de Aparecida, a Virgem Santa Maria nos ensina a consolidar em nosso país os sólidos valores do Evangelho, defendendo a vida em todas as suas instâncias e denunciando todas as sombras do pecado e do mal que se revestem das novas roupagens do hedonismo, do relativismo e do niilismo.

A Virgem Santa Maria é um sinal precioso do amor que Deus tem por nós. Ela é, de algum modo, um sinal da ternura, do carinho e da misericórdia de Cristo que nos alcançam. Por ser uma bondosa Mãe, Ela nos faz perceber que, em nossa caminhada da fé, não podemos ficar acomodados, pois ficar parados, em termos espirituais, é regredir. Ela nos ensina também que, quando nossa alma está em pedaços, é necessário passarmos por uma restauração espiritual e humana que envolve sobretudo nossa participação no sacramento da reconciliação e a retomada da vida de oração que nos faz perceber que “se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!”. (2 Cor 5, 17).

A mensagem de restauração que Nossa Senhora Aparecida nos convida a viver se fez fortemente presente no dia 16 de maio de 1978, há exatos 42 anos, quando a imagem da Mãe Aparecida sofreu um atentado. Naquele dia, a imagem negra de Aparecida e o nossos corações de devotos foram quebrados em mais de duzentos pedaços. Dentre os pedaços da imagem que restaram, as mãos postas em oração permaneceram intactas, evidenciando que a oração é o melhor caminho da restauração e é também um meio, um eficiente diálogo que nos aproxima de Deus e dos irmãos.

A restauração da imagem de Aparecida foi realizada no Museu de Arte de São Paulo pela artista plástica Maria Helena Chartuni. Após 33 dias, a imagem foi levada de volta ao Santuário Nacional de Aparecida, em um carro aberto do Corpo de Bombeiros, causando comoção nacional. Uma multidão esperava pela imagem de Aparecida, lotando a Rodovia Presidente Dutra. No percurso do Museu de Arte de São Paulo até Aparecida, muitos devotos marianos jogaram flores para Nossa Senhora, saudaram-na com cânticos, trocaram olhares com a Mãe, choraram de alegria e entusiasmo e disseram: Mãe, seja bem-vinda à sua casa; estávamos à sua espera. Naquele dia, por meio de pequenas atitudes, a esperança renasceu, a luz voltou a brilhar, a saudade terminou, o encontro foi realizado e o abraço acolhedor da Mãe envolveu o nosso povo.

Nestes nossos dias, quarenta e dois anos após o atentado à imagem de Aparecida e três séculos após a pesca da imagem negra de Nossa Senhora da Conceição, a Virgem Santa Maria continua nos revelando que o futuro do nosso país, do mundo e da nossa sociedade passa necessariamente pela retomada da fé cristã, pela valorização da família e do matrimônio, pela abertura à vida, pela restauração da justiça e pelo exercício da reconciliação e do perdão.

Mãe e Senhora Aparecida, doce restauradora da fé e da esperança, ajudai-nos na luta contra a corrupção, a injustiça, a desunião familiar, a ideologia de gênero, o ateísmo e todas as formas de descrença. Mãe Aparecida, amparai-nos na senda da restauração permanente e misericordiosa de nossa alma em Cristo. Doce Mãe Aparecida, restaurai a nossa participação na comunidade da Igreja, fortalecei a nossa participação na Eucaristia e ajudai-nos a vencer tudo aquilo que nos afasta da vida sobrenatural da graça. Mãe restauradora de Aparecida: contigo nós percebemos que, depois da chuva, o céu fica azul; depois da noite, surge a luz da aurora e, depois das tempestades, o arco íris desponta, revelando os sinais da beleza de Deus. Nossa Senhora da Conceição Aparecida, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-10-12T21:43:50-03:0011/10/2020|