NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO

No quarto mistério glorioso do santo Rosário, nós contemplamos a Assunção de Nossa Senhora ao céu, e a Liturgia da Igreja nos convida a celebrar esse dogma mariano por meio da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, que celebramos no terceiro domingo do mês de agosto.

Deus elevou à glória do céu, em corpo e alma, a Virgem Santa Maria, a Imaculada Conceição, a Mulher que foi preservada imune de toda mancha da culpa original. Essa consoladora verdade da fé é um compêndio dos mistérios marianos que brilha diante de nossos olhos como um raio de luz, pois a Virgem Maria, por predileção divina, alcançou a beatitude, a glória, a vida a que também nós devemos aspirar.

Esse dogma mariano foi definido pelo Papa Pio XII, em 1950, por meio da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus. Eis a declaração do Santo Padre: “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Diante da grandeza desse mistério a nossa pequenez pode, por algum momento, gerar alguns questionamentos: como isso é possível? Não é a morte o destino comum e final de tudo quanto vive?

Amparados nos ensinamentos de Cristo e alicerçados na Comunhão dos santos, nós temos a consciência de que a Virgem de Nazaré é a Mulher por excelência que gerou na carne e acolheu na fé o Senhor da vida. Ela viveu, plenamente, uma união incomparável com o nosso Redentor e, por isso, realizou uma sublime missão na História da Salvação.

Diante dessa realidade, nós adquirimos a consciência de que a Assunção de Nossa Senhora é um dom particular do Ressuscitado à Sua Mãe, pois aqueles que são de Cristo receberão a plenitude da vida. Então, é justo e compreensível que essa participação na vitória de Cristo sobre a morte fosse vivenciada, em primeiro lugar, pela Virgem Santa Maria, que foi escolhida para ser a Mãe do nosso Salvador.

Com a Assunção de Nossa Senhora ao céu, nós penetramos o terreno sagrado onde nos é revelado que a morte não é o fim de tudo, pois há uma ressurreição, há uma vida eterna, uma glória definitiva junto da presença de Deus. A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da nossa ressurreição, pois Nossa Senhora caminha conosco, intercede por nós e aquece o nosso coração na vivência da esperança do Paraíso e, por isso, gostamos de lhe dizer: “Em vosso parto, guardastes a virgindade; em vossa dormição, não deixastes o mundo, ó Mãe de Deus: fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que concebestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis nossas almas da morte”. (Catecismo da Igreja Católica, nº 966).

Lemos no Livro do Apocalipse de São João: “Apareceu no céu um grande sinal:  uma Mulher vestida de sol, com a Lua debaixo dos pés e com uma coroa de doze estrelas na cabeça”. (Ap 12, 1). Nesta Mulher resplandecente de luz, os Padres da Igreja nos ensinam a reconhecer Maria. Podemos, portanto, exclamar como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu!”.

Na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, os nossos corações devem pulsar de alegria, pois o nosso Redentor reconheceu e recompensou com antecipada glorificação todos os méritos da Virgem Maria, nossa amada Mãe e Senhora. Em união com a Igreja, nós celebramos o triunfo da Mãe, Filha e Esposa de Deus e sentimo-nos entusiasmados porque Maria, depois de uma vida de fidelidade a Cristo, de Belém até a Cruz, está junto d’Ele em corpo e alma, participando da glória por toda a eternidade.

Hoje é um dia de renovar nossa esperança na vida eterna e os bons propósitos de santidade, pois a assunção de Maria é uma preciosa antecipação da nossa ressurreição e baseia-se na ressurreição de Jesus que transformará o nosso corpo corruptível, fazendo-o semelhante ao Seu Corpo glorioso.

Nessa vida, nós somos membros da Igreja militante, somos peregrinos que, por meio da perseverança na vida sobrenatural da graça, combatem o bom combate da fé, buscando solidificar a entrada na vida eterna, recorrendo à poderosa mediação de Nossa Senhora que nos precede, acompanha e incentiva, fazendo-nos ver que vale a pena ser fiel e que chegaremos ao céu, se formos fiéis. Agindo assim, Nossa Senhora não é apenas o nosso modelo, Ela é a nossa intercessora, o auxílio dos cristãos, a porta do céu.

A beleza de Nossa Senhora da Assunção gera em nossos corações um certo orgulho e uma imensa segurança, pois sabemos que Maria “tendo subido ao céu, não abandonou a sua missão de intercessão e de salvação”. (Papa Paulo VI, Marialis Cultus no 130). Do Paraíso, Ela continua a interceder por nós, especialmente nas horas difíceis da vida, nas noites escuras e nas tempestades, ensinando-nos a servir a Deus e à Igreja, indicando-nos a meta final da nossa peregrinação terrena.

Nossa Senhora da Assunção, acompanhai-nos nesta vida terrena, ajudai-nos a olhar para o céu e recebei-nos um dia ao lado do vosso Filho Jesus. Nos momentos em que formos provados pelas tentações, recordai-nos, ó doce e amada Mãe, que todo o nosso ser, espírito, alma e corpo, está destinado à plenitude, pois quem vive e morre na fidelidade do amor ao Senhor será transfigurado à imagem do Corpo glorioso do Cristo ressuscitado que derruba os soberbos e eleva os humildes. Nossa Senhora da Assunção, intercedei por nós junto ao Cristo! Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós que recorremos a vós!

Aloisio Parreiras