O AMOR SE FEZ PÃO

Na noite em que ia ser entregue por Judas Iscariotes, Jesus Se reuniu com Seus amigos – “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Eram doze os escolhidos por Ele; doze homens que iniciavam o novo Povo de Deus. Na antiga aliança, os filhos de Jacó, na nova e eterna aliança, os Apóstolos.
Naquela noite santa Nosso Senhor ordenou Seus Sacerdotes, os Apóstolos, para serem Ministros da Graça e intercedeu junto ao Pai por eles – “Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus… para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17, 9,21).

Jesus passou Sua vida esperando por esse momento – “Desejei ardentemente comer esta ceia convosco” (Lc 22,15). E com o coração ardente de amor, quis, por meio de Seus Sacerdotes, permanecer conosco fisicamente até a Sua segunda vinda. Ah! Que amor é esse? Na véspera de Sua morte, sabendo como seria a Sua Paixão, sabendo de todas as ofensas, blasfêmias, torturas que sofreria, Ele instituiu o Sacramento da Eucaristia. Deus insiste em estar conosco. Quando Jesus ergue o pão e depois o vinho, corpo e sangue separados em claríssimo sinal de sacrifício, Ele institui a Sua presença – corpo sangue, alma e divindade – entre nós por todos os séculos.
E é essa presença que alimenta e sustenta a Igreja ao longo da sua história. Quando um Sacerdote sobe ao Altar, ali torna-se presente o único Sacrifício de Cristo na Cruz, onde Ele Se oferece ao Pai – num culto de adoração e de ação de graças – e Se oferece a nós como alimento, como pão da vida eterna.

Em cada Santa Missa nós estamos presentes naquele sacrifício de amor em que fomos amados infinitamente. E Jesus ressuscitado presente na Eucaristia deseja ardentemente Se unir a nós para nos santificar. A Sagrada Eucaristia não é tão somente um instrumento da Graça, como os outros Sacramentos, ela contém o próprio autor da Graça. E, assim, participando do Santo Sacrifício do Senhor – o Sacrifício Eucarístico, fonte e centro da vida da Igreja – nós oferecemos a Deus a vítima divina, Jesus, e a nós mesmos (LG 11).

Em cada Celebração Eucarística Deus derrama o próprio sangue por nós, a fim de nos dar a salvação eterna. Ah! Se o mundo soubesse o que é um amor assim! Se o mundo soubesse o que é ser amado assim!

O Amor Se fez pão para estar para sempre conosco nos Altares de nossas Paróquias, nos Sacrários espalhados pela Terra. O Amor Se fez pão para estar dentro de nós!

Nesta noite santa rezemos pela santificação dos nossos amados Sacerdotes; homens cujas mãos ungidas nos trazem Jesus; homens escolhidos por Jesus para viverem a Sua vida.

Peçamos, também, que Ele nos dê a graça de fazer-Lhe companhia, de consolá-Lo, de amá-Lo, de chorar nossos pecados, de não O negarmos, de não O trairmos.

“Senhor Jesus, que nesta noite santa o meu coração se una ao Teu Coração Eucarístico; que eu possa deitar-me em Teu peito, como fez o discípulo amado, sentir as batidas desse coração que foi transpassado pela lança por amor a mim. Que essas batidas transformem meu egoísmo, minha indiferença, minha tibieza. Que em Teu peito eu descanse e alcance a graça de unir-me a Ti de forma perfeita! Que nesta noite eu vele contigo e possa chorar contigo, suar sangue contigo. Uma noite. Tão pouco, meu Senhor, pois Tu velas comigo, choras comigo, seu sangue comigo em todas as minhas aflições. Uma noite. Tão pouco, meu Senhor e meu Deus, pois todos os dias Tu te tornas pão para me amar.”

Carmen Rocha
MESCE na Paróquia Maria Imaculada do Guará II
Membro da Equipe de Formação e Comunicação dos MESCE

2021-04-01T15:41:17-03:0001/04/2021|