O EVANGELHO É O PODER DE DEUS!

Temos conhecimento de que Jesus Cristo assumiu a natureza humana, veio habitar entre nós e, durante a Sua vida pública, pregou o Evangelho, ou seja, anunciou a Boa Nova da Salvação e, por isso, podemos afirmar que o Evangelho “é o testemunho principal da vida e doutrina da Palavra feita Carne, nosso Salvador”. (Dei Verbum, nº 18). Cristo, ao anunciar o Evangelho, certamente pensou em cada um de nós, pois o Evangelho foi escrito para que todos nós possamos contemplar a Pessoa de Cristo, conhecer os Seus ensinamentos e, por meio d’Ele, penetrar nos mistérios da vida divina.

A leitura orante do Evangelho nos leva a observar a fé, a vocação e a missão dos apóstolos e a imitar o Cristo que reza, ensinando-nos o valor da oração e da intimidade com o Pai. Uma leitura atenta do Novo Testamento nos faz descobrir que o Evangelho é “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. (Rm 1,16). Pelo anúncio do Evangelho, inspirado pelo Espírito Santo, Pedro professou a vitória de Cristo sobre a morte e converteu mais de três mil pessoas. Em diversas outras passagens dos Atos dos Apóstolos, notamos que o anúncio do Evangelho levava as pessoas a saírem de sua acomodação e de seus pecados.

Este fato não é exclusivo das primeiras comunidades cristãs. No decorrer da história da Igreja, podemos vislumbrar que o encontro com o Evangelho sempre gerou um posicionamento, uma tomada de decisão, seja ela de acolhida ou de rejeição. E assim é ainda hoje, pois, pela força do Evangelho, Cristo continua renovando a fé dos cristãos e robustecendo a presença misericordiosa da Igreja. A atitude de todo aquele que aprendeu a ser dócil à Boa Nova de Jesus é afirmar com renovada convicção: “Deus, o Senhor, o nosso Deus vem, e não ficará em silêncio”. (Sl 49). O Evangelho é sempre o maior referencial da vontade de Deus. O que Deus quer nos dizer sobre o amor, a esperança, a vida eterna, o sofrimento, a fortaleza e o serviço? Queres de fato, ouvir a resposta? Então, lê o Evangelho e descobrirás o que Cristo espera de cada um de nós.

Mediante a força do Evangelho, maravilhas são realizadas na Igreja em todos os tempos, em todas as gerações e em todos os dias. Foi pela força do Evangelho que o jovem Antão se sentiu impelido por Cristo a largar tudo e a se tornar monge. Nesse contexto, podemos professar com segurança que o monaquismo é um fruto da força do Evangelho.

A ordem franciscana é, também, um fruto da força destas outras palavras evangélicas: “Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforje, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas”. (Lc 9,3). Ao ouvi-las, o jovem Francisco modificou totalmente a sua vida e se tornou, para todos nós, um testemunho vivo do Evangelho.

A congregação dos Jesuítas é mais uma obra que surgiu graças aos questionamentos gerados pela meditação do Evangelho, pois o seu fundador, Inácio de Loyola, quando era um jovem soldado, pensava na própria glória e nas honrarias militares. Mas, após ser ferido em um combate, durante a convalescença, não encontrando leituras de cavalaria, pelas quais era apaixonado, descobriu Cristo no Evangelho e na vida dos santos. Desse modo, ele foi atraído pela glória de Deus, que deu um novo sentido à sua vida, levando-o a um profundo espírito de doação, de mística do serviço e de dinamismo orientados sempre para maior glória de Deus na Igreja e pela Igreja.

Do mesmo modo que Santo Antão, Santo Inácio de Loyola ou, até mesmo, São Francisco, em nossas vidas, o Evangelho tem que provocar mudanças decisivas e inúmeras atitudes de santidade. A mesma palavra que provocou uma metanoia na vida de tantos santos deve também iluminar totalmente nossas atitudes. É impossível não se deixar contagiar pela Boa Nova de Cristo. Diante da Palavra de Deus, nossa melhor atitude é ficar de pé e de prontidão para acolher os ensinamentos de Cristo e vivenciá-los em plenitude. Diante da proclamação da Palavra de Deus, em silêncio, podemos rezar: “Vossa palavra foi provada e comprovada, por isso, o vosso servo tanto a ama”. (Sl 118, 140). Ou ainda: “Como é doce ao paladar vossa palavra, muito mais doce do que o mel na minha boca!” (Sl 118, 103).

Somos chamados a reconhecer que o Evangelho, a Boa Nova de Cristo, tem um poder real sobre todos nós. Por meio do Evangelho, Cristo nos exorta a não termos medo do mal e a lutarmos contra o pecado e, ainda, que vivamos a caridade sem reservas. Por meio do Evangelho, Cristo nos indica os meios necessários para que possamos viver a justiça e a verdade. Todos os quatro Evangelhos nos contam a vida de Jesus, desde o Seu nascimento até a ascensão ao céu, e professam a melhor Boa Notícia: Cristo ressuscitou e é o Senhor dos vivos e dos mortos!

O Evangelho deve ser nosso livro de cabeceira e deve ser objeto de leitura e reflexão para que possa ser acolhido no coração e vivido com a plenitude da alma. A leitura diária do Evangelho nos proporciona a graça de querer mais e mais, “buscar e encontrar a Cristo, o manancial inesgotável de vida”. (Papa Bento XVI, “Ângelus em 15 de janeiro de 2006”). É dever de cada batizado conhecer em detalhes a Boa Nova de Cristo e se empenhar no incansável trabalho de divulgação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não podemos jamais reduzir ou retirar do Evangelho nenhum dos ensinamentos de Jesus, pois, como nos ensina São Paulo VI: “Não diminuir em nada a doutrina salvadora de Cristo constitui eminente forma de caridade para com as almas”. A melhor forma de evangelizar é sempre anunciar, integralmente, a Boa Nova de Cristo.

O Evangelho é sempre eficaz na retomada dos compromissos cristãos, quando sabemos demonstrar ao nosso próximo que temos a Boa Notícia de Jesus Cristo impressa em nossas almas e em nossos corações. “Para o anúncio do Evangelho, seria muito importante superar o sentimento de que o Cristianismo está estagnado, o sentimento do já conhecido, criar curiosidade pela riqueza que nele se esconde e não considerar essa riqueza como um peso de sistemas, mas como um tesouro de vida que vale a pena conhecer”. (Cardeal Joseph Ratzinger, “O Sal da terra”).

O pleno conhecimento do Evangelho, a sua leitura e meditação cotidiana, nos possibilitará a prática da virtude da caridade que nos levará a professar que a força, a potência e o diferencial que se manifestam em nós, nada mais são do que a expressão viva do Evangelho de Cristo. De fato, nós somos eternos apaixonados da Boa Nova de Jesus Cristo e, por isso, nós temos que testemunhar, em todo tempo e lugar, que o Evangelho sempre diz alguma coisa a cada um de nós e que é oferecido precisamente aos amigos do Esposo.

Aloísio Parreiras
2020-05-20T13:18:25+00:0020/05/2020|