O MÁRTIR DA CARIDADE

“É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos Seus santos!”. (Sl 116, 15). Essa
frase do livro do salmo pode ser utilizada, adequadamente, para resumir a vida e o
testemunho de São Maximiliano Maria Kolbe, o sacerdote polonês que foi martirizado
na Segunda Grande Guerra Mundial, no campo de concentração de Auschwitz.
Raimundo Kolbe – esse era o seu nome de batismo – nasceu em Zdunska Wola,
na Polônia, no dia 8 de janeiro de 1894. Sua família era pobre, de humildes operários,
mas muito rica de religiosidade. Aos 16 anos, ainda na juventude, demonstrando sua
verdadeira vocação religiosa, ele ingressou no Seminário Franciscano da Ordem dos
Frades Menores Conventuais.
No seminário, ele foi um aluno brilhante e atuante. Foi também um jovem
extremamente piedoso que não se cansava de manifestar seu zelo e amor pela Virgem
Santa Maria. Ele concluiu os seus estudos em Roma, onde foi ordenado sacerdote, em
1918, aos 24 anos.
Ao proferir os votos, ele adotou o nome de Maximiliano Maria e, sete anos
depois, fundou a Associação Milícia de Maria Imaculada, com o objetivo de converter
os pecadores e os inimigos da Igreja e contribuir, significativamente, para a santificação
dos fiéis cristãos. Quando falava ou apresentava a Associação Milícia da Imaculada, ele
costumava dizer: “O fruto do nosso apostolado depende da oração”. Ele também
gostava de afirmar: “As armas da Santa Igreja são a paciência, o amor e a oração”.
O jovem sacerdote retornou para a sua pátria, a Polônia, e começou a lecionar no
Seminário Franciscano de Cracóvia. No exercício do sacerdócio, ele entendeu que sua
missão era combater a indiferença religiosa e, por isso, gostava de afirmar: “Temos que
nos esforçar para dar glória a Deus com o máximo de nossas capacidades”. Com esse
intuito, ele fundou um jornal que se chamava “O cavaleiro da Imaculada”, que se
manteve por doações e cresceu rapidamente. Com o jornal, o padre Maximiliano
demonstrou ser um grande comunicador que se dedicava a propagar o amor de Deus
para ganhar muitas almas para o Reino dos Céus pelas mãos da Virgem Maria.
No ano de 1939, quando o padre Maximiliano tinha 45 anos, as tropas nazistas
invadiram a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial. Com a invasão dos
nazistas à Igreja Católica, consequentemente, os sacerdotes e o povo fiel passaram a
viver dias sombrios. O Padre Kolbe foi preso duas vezes. A última e definitiva foi em
fevereiro de 1941, quando ele foi enviado para o campo de concentração de Auschwitz.
Em Auschwitz, sob a dominação nazista, nada era fácil. Fome, frio, trabalho
forçado, humilhações e contato com a morte faziam parte do cotidiano dos prisioneiros.
Mesmo nesse ambiente, onde aparentemente só existiam trevas, o padre Kolbe
anunciava o Evangelho, atendia os fiéis em confissão e testemunhava a alegria de ser
cristão, afirmando: “Eles não vão matar nossas almas. Não serão capazes de nos privar
da dignidade de sermos católicos. Não nos daremos por vencidos. E quando morrermos,
então, morreremos em paz e puros, com os corações entregues a Deus”.

No mês de agosto do ano de 1941, um preso conseguiu fugir do campo de
concentração e então, pelas regras nazistas, outros dez tinham que morrer como forma
de exemplo para os detentos e como uma represália pela fuga. Um desses dez
prisioneiros que foram escolhidos para morrer era Francisco Gajowniczek, que começou
a chorar e, em alta voz, suplicava piedade, pois tinha esposa e filhos.
Observando o sofrimento daquele homem, o padre Maximiliano, certamente,
deve ter se recordado dos ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo que nos diz:
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. (Jo 15, 13).
Desse modo, sem titubear, ele se ofereceu para trocar de lugar com aquele pai de
família, e o comandante nazista concordou.
O padre Maximiliano Maria Kolbe e os outros nove condenados à morte foram
despidos e jogados em uma pequena, úmida, fedida e escura cela dos subterrâneos para
morrerem de fome e de sede. Ali, mesmo sem espaço e sem contemplar a luz do sol, o
padre Kolbe continuou fortalecendo e consolando os outros condenados. No decorrer
dos dias, esses homens foram morrendo, mas, depois de duas semanas, sobreviviam
ainda três deles, contando com o padre Kolbe. Então, eles foram mortos com uma
injeção venenosa para desocupar a cela. Era o dia 14 de agosto de 1941.
"Ave-Maria! Esta foi a última invocação que brotou dos lábios de São
Maximiliano Kolbe, estendendo o braço àquele que o matava com uma injeção de ácido
fénico. É comovedor constatar que o recurso humilde e confiante a Nossa Senhora é
sempre manancial de coragem e de serenidade”. (Papa Bento XVI, Audiência em
13/8/2008).
O campo de concentração de Auschwitz, um lugar de extermínio de pessoas
inocentes, de sombras, de morte, de sacrifícios e de sofrimentos, naqueles meses do ano
de 1941, com a presença, as palavras, o testemunho e a imolação de São Maximiliano
Maria Kolbe, que se ofereceu voluntariamente no lugar de um pai de família, foi o
campo onde ele semeou a boa semente do Evangelho e, por isso, o padre Kolbe pode ser
chamado de mártir da caridade, pois, ao ser impulsionado pelo Amor, ele se ofereceu a
si mesmo, em um gesto pleno de oblação, atualizando em sua vida as palavras e as
atitudes de nosso Redentor que nos ensina a dar a vida pelos nossos irmãos.
São Maximiliano Maria Kolbe foi um sacerdote extraordinário que deixou
registrado nas páginas da História da Igreja um fecundo testemunho do quão
magnânima pode chegar a ser a nossa vida quando nos deixamos conduzir por Deus.
Por meio do seu sacrifício, ele se tornou uma fonte de luz que emana do amor do
Sagrado Coração de Jesus. Ele foi beatificado em 1971, pelo Papa Paulo VI, e
canonizado em 1982, pelo Papa João Paulo II.
São Maximiliano Maria Kolbe é um dos santos do século XX, que nos inspira a
crescer sempre mais na vida sobrenatural da graça, a fim de que possamos testemunhar
a fé em todos os lugares e, se for preciso, até nos locais mais terríveis e desumanos.
Com a sua vida e entrega, nós adquirimos a consciência de que “quem reza nunca perde
a esperança, mesmo quando se encontra em situações difíceis e até humanamente

desesperadas”. (Papa Bento XVI). São Maximiliano Maria Kolbe, mártir da caridade,
rogai por nós!

Aloísio Parreiras

2020-08-14T18:46:09-03:0014/08/2020|