O MÊS DA VIRGEM SANTA MARIA

No mês de maio nós comemoramos o dia das mães e, por isso, com carinho, ternura e dedicação, agradecemos às nossas progenitoras o dom da vida, o cuidado constante e o empenho materno em nos fazer crescer e evoluir como seres humanos. O mês de maio carrega consigo um cheiro de flor e de santidade, um ambiente de casa materna, onde podemos chegar com a certeza de que seremos bem acolhidos. Deste modo, o mês de maio é um tempo propício para recorrermos à intercessão da Virgem Santa Maria, pois Ela é a Mãe de Cristo, a Mãe da Igreja e a nossa Mãezinha do Céu.

Nos últimos dias do mês de abril, nós começamos a sentir em nossos corações a expectativa do mês da Virgem Maria, a necessidade de intensificarmos a devoção a Maria, cuja presença materna é amparo para os cristãos e para o mundo inteiro. Começamos o mês de maio reverenciando a São José Operário. São José nunca está sozinho, pois na casa e na oficina de Nazaré se fazem presentes o Menino Jesus, a Virgem Maria e o próprio José, ou seja, abrimos o mês mariano professando o valor e o alcance do trabalho, vislumbrando a beleza e a harmonia do Lar de Nazaré. Por tradição, desde os primeiros séculos, o mês de maio é um tempo favorável  para o exercício da devoção mariana, dias onde temos a impressão de que o sol nasce mais cedo e se põe mais tarde, clareando o nosso caminho no serviço do Evangelho.

Com o objetivo de nos ajudar a crescer na devoção mariana, na correspondência ao amor de Maria, o Papa Francisco nos disse recentemente: “Pensei em propor a todos que voltem a descobrir a beleza de rezar o Terço em casa, no mês de maio. Podem fazê-lo juntos ou individualmente: decidam vocês mesmos de acordo com as situações, valorizando ambas as possibilidades. Seja como for, há um segredo para fazê-lo bem: a simplicidade; e é fácil encontrar, mesmo na internet, bons esquemas para seguir na sua recitação”. (Carta do Santo Padre, o Papa Francisco, a todos os fiéis para o Mês de Maio de 2020).

Esse pedido do Papa Francisco aqueceu ainda mais o nosso coração no desejo de buscar intimidade com a Virgem Maria, a frequentar a escola de Maria, pois o mês de maio é um tempo de recolhimento na oração, na fé e na santidade, onde podemos perceber, por meio dos Evangelhos que se referem à Virgem Maria ou da leitura de um bom livro, que Maria é a discípula perfeita, a nova arca da aliança, a Rainha, a Mãe, a Protetora, a Virgem fiel e a nova tenda de Deus. Sem Ela, e o seu sim definitivo, a entrada de Cristo na nossa história não teria alcançado a sua finalidade. Graças à sua participação nos planos de Deus, o Verbo se fez carne e habitou no meio de nós, tornando-se um Deus conosco, um Deus que evidencia um coração misericordioso e um amor inesgotável.

A Virgem Santa Maria sempre viveu imersa no mistério de Deus que se fez Homem, testemunhando a liberdade do abandono total a Deus. Ela é feliz porque acreditou que teriam cumprimento as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor. Cada gesto, cada atitude de Maria é a expressão da sua perfeita união com Jesus. Dessa maneira, olhar para Maria é contemplar a Cristo; imitar os gestos de Maria é seguir a Cristo; servir em união com Maria é se colocar disponível para o serviço da Igreja.

A Virgem Maria nos faz perceber, mediante a sua humildade e fortaleza, que o seu Imaculado Coração é maternalmente inesgotável, o seu coração é uma porta de acesso ao Reino de Deus, uma janela de oportunidades para todos aqueles que desejam permanecer no colo da Mãe que nos resgata para o seio da Igreja. Desde os primeiros séculos, os fiéis cristãos vislumbraram o papel decisivo da Virgem Mãe nos projetos de Deus e na Igreja e, por isso, Ela sempre foi invocada, nos momentos cotidianos e decisivos da História, por meio de palavras simples e renovadoras. Maria é simples, é a Mãe que cuida de nós, desafiando-nos a sermos bons e melhores. Não utilizamos palavras difíceis no exercício da devoção mariana, pois as palavras difíceis podem dar a impressão de que está sendo criada uma barreira de distanciamento.

Não existem motivos para nenhuma forma de distanciamento, pois a Virgem Maria é Rainha, mas o seu reinado é exercido no serviço. Ela é a Sede da sabedoria, mas o seu conhecimento acerca de Deus é disponibilizado aos discípulos missionários. Ela é a Porta do Céu, mas nos revela, no tempo oportuno, os segredos que permitem o acesso à vida eterna. Ela é a Primavera que veio para nos ensinar os meios que nos permitem superar o inverno do pecado, da indiferença e do desamor. Traduzindo, não há nada que Maria tenha que seja apenas para si, pois Ela é a Mãe da Igreja, a Mãe da comunidade orante que compartilha os tesouros escondidos dos mistérios cristológicos.

Quando o mês de maio é, significativamente, um mês de Maria, nós contemplamos o rosto da misericórdia de Cristo no semblante da divina Mãe e aprendemos a viver na família da Igreja, mesmo em meio a muitas provações. Nas dificuldades, nas tentações e desafios da vida, nós devemos escutar a Virgem Santa Maria sussurrando em nossos ouvidos: “Agora, meus filhos, escutai-me: felizes aqueles que guardam os meus caminhos. Ouvi minha instrução para serdes sábios, não a rejeiteis. Feliz o homem que me ouve e que vela todos os dias à minha porta e guarda os umbrais da minha casa! Pois quem me acha encontra a vida e alcança o favor do Senhor”. (Prov 8, 32-35).

Maio é o mês da Virgem Mãe, é o mês do compromisso mariano da fé que se expressa também por meio do serviço ao próximo. Serviço humilde e simples que é realizado com a consciência de que serve melhor a Deus quem carrega o Cristo no coração e o nome de Maria nos lábios, fazendo tudo aquilo que o Senhor nos disser.

Doce Mãe Maria, como é bom perceber que o amor de Deus é refletido em sua alma como um espelho de justiça! Mãe Admirável, intercedei por nós junto a Jesus e ensinai-nos a crer na alvorada de um novo dia. Mãe, vós que sois o Tabernáculo da eterna glória, fazei com que a nossa fé em Deus, em Cristo e na Igreja, seja sempre serena, corajosa, límpida, forte e generosa. Mãe, vós que sois a Estrela da manhã, a Virgem poderosa, ajudai-nos a perceber que, assim como os pulmões precisam de ar, os olhos da luz, o peixe da água e a planta da terra, nós precisamos mergulhar sempre mais no oceano da misericórdia de Cristo.

“Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração. Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça de que Deus intervenha com a sua mão onipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal. Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Amém! ”. (Carta do Santo Padre, o Papa Francisco, a todos os fiéis para o Mês de Maio de 2020). Mãe da divina graça, hoje e sempre, demonstrai-nos que sois nossa Mãe!

Aloísio Parreiras

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