O MÊS DO SANTO ROSÁRIO

Maio é o mês das flores no sentir da piedade cristã. É o mês em que somos agraciados com a beleza das orquídeas, dos cravos, das cravinas e do áster. Por outro lado, o mês de outubro é o mês dos frutos, tempo de colheita da jabuticaba, do abacate, da acerola, do abacaxi, da pitanga, do caju, do cupuaçu e do coco verde.  Maio e outubro são meses marianos por excelência, pois, no mês de maio, sentimos o bom aroma da santidade pelas mãos de Maria e no mês de outubro, recolhemos os bons frutos da devoção mariana e lançamos novamente a semente da fé no terreno da Igreja, a fim de que, conduzidos por Maria, possamos, em um breve futuro, contemplarmos novas conversões.

O mês de outubro, o mês do rosário, tem um objetivo principal: propagar a rainha das devoções marianas, conduzir as almas do nosso próximo à melhor compreensão do tesouro incomparável que é este rosário bendito da Virgem Santa Maria. Esta devoção popular, bom alimento das almas piedosas, suave e bela sinfonia mariana nos ouvidos dos fiéis, consiste em recitar 200 vezes a saudação angélica no decorrer da contemplação dos mistérios da vida de Cristo. Este número se reparte em 20 dezenas, cada uma das quais se abre pela oração do Pai Nosso e se conclui pela doxologia com que a Sagrada Liturgia glorifica as três pessoas da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Outubro, o mês temático do santo rosário, é um convite que Nossa Senhora nos faz, a fim de que, a cada novo dia, possamos refletir sobre os mistérios de Cristo, acompanhando na meditação e no silêncio da oração contemplativa, o nascimento e a infância de nosso Redentor, a Sua vida pública, Sua Paixão e Morte e, finalmente, a glória de Sua ressurreição. Rezando o rosário, nós adquirimos a consciência de que essa oração é uma oração cristocêntrica que, desde os primeiros séculos da Igreja, é rezada com o intuito de sustentar a vida de fé do Povo de Deus.

A oração do rosário é, na realidade, uma contínua catequese, um compêndio das verdades reveladas, um aprofundamento na Boa Nova da Salvação, pois, por meio dos mistérios do rosário, contemplamos os principais mistérios da fé que estão nas Sagradas Escrituras que, pela recitação do rosário, aprendemos de cor, ou seja, de coração. Por meio do rosário, professamos que a Virgem Santa Maria é o caminho que o próprio Deus preparou para vir ao mundo e realizar a História da Salvação. Professamos também que, na solicitude de Maria, refletem-se a bondade, o amor e a ternura de Deus.

No decorrer da História da Igreja, diversos santos e Papas aprenderam a vislumbrar o rosário como um escudo da fé, um manancial de graças, uma chave que abre o Sagrado Coração de Jesus, uma poderosa proteção ou uma corda que nos une a Deus, a Maria e à Igreja. Por ser um escudo, uma proteção na defesa da fé, temos o costume de iniciarmos a oração do rosário rezando o creio e terminamos louvando a Maria, por meio da oração da Salve Rainha.

A devoção ao rosário foi ainda mais difundida após as aparições de Nossa Senhora em Lourdes, na França, e em Fátima, Portugal, onde a Virgem Maria recomendou a Bernadete e aos pastorinhos da Cova da Iria – Jacinta, Lúcia e Francisco – que rezassem o rosário todos os dias pela conversão dos pecadores e pela paz no mundo.

Rezando o rosário, o povo de Deus, no dia 7 de outubro de 1571, venceu a Batalha de Lepanto contra os turcos otomanos. Tempos depois, esse mesmo povo contemplou o fim de diversas epidemias e conseguiu o fim de sangrentas guerras mundiais, evidenciando, assim, que o rosário é a oração que toca o coração misericordioso de Jesus, produzindo em nossa História, em nossas vidas e em nossas famílias frutos de santidade e de conversão. Rezando o rosário, testemunhamos que “na nossa vida, não estamos sozinhos. Temos sempre o auxílio e a companhia da Virgem Maria, que hoje nos aparece como a primeira dentre os santos, a primeira discípula do Senhor. Confiamo-nos à sua proteção e apresentamos-lhe as nossas dores e as nossas alegrias, os nossos temores e os nossos anseios”. (Papa Francisco, Ângelus em 1º de novembro de 2016).

Rezando o rosário, nós escrevemos a nossa história de amor para com Deus e à Virgem Maria e cantamos as maravilhas que o Senhor operou na jovem menina de Nazaré. Rezando o rosário, segurando o terço em nossas mãos, nós adentramos a escola da Virgem Maria e percebemos que “os braços da Mãe são como que a escada pela qual o Filho de Deus desce até nós, a escada da condescendência de Deus”. (Papa Francisco, Homilia em 2 de fevereiro de 2015).

Durante todos os dias do mês de outubro, e em todos os dias e meses do ano civil, a oração do rosário deve acompanhar o ritmo da nossa vida, expressar os nossos sentimentos para com Deus e a Sua amada Mãe e testemunhar os sinais da nossa fé católica. Nesses dias de pandemia, de receios e de insegurança, diante do medo que nos cerca, podemos nos questionar: Por que não rezamos o rosário todos os dias como o grande meio de salvação para o tempo atual? Por que não entregamos ao Imaculado Coração de Maria as nossas preocupações e nossas súplicas pelo fim dessa pandemia?

Daqui para frente, a partir desse mês de outubro, e a partir da vivência dessa pandemia da Covid-19, o rosário não pode deixar de estar em nossos lábios, corações e vida, testemunhando as razões da nossa fé. Aprofundando no exercício do rosário, iremos também reservar um tempo adequado, no final do terço, para rezarmos a Ladainha de Nossa Senhora, entoando sublimes louvores à Virgem Santa Maria.

Daqui para frente, em todos os dias de nossas vidas, saibamos oferecer a nossa Senhora uma coroa de flores vivas mediante a oração do rosário. Rezando o rosário e meditando os mistérios da vida de Cristo, saibamos suplicar a nossa bondosa Mãe Maria que nos pegue no colo, nos carregue nas noites escuras, nos proteja nas pandemias, nos cubra com o seu manto e nos coloque sempre mais juntos do Sagrado Coração de Jesus. Virgem Santa Maria, Mãe do Santo Rosário, rogai por nós que recorremos a Vós!

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-10-03T22:37:42-03:0003/10/2020|