O MINISTÉRIO DA ORAÇÃO

A oração é um importante meio de perseverança na fé, é uma alavanca que impulsiona a nossa correspondência ao amor de Deus. Rezar é exercitar a santidade, pois quando rezamos buscamos a Cristo, contemplamos o rosto de Cristo, dialogamos com Cristo e adentramos pela Sua intimidade. Rezar não é uma tarefa fácil. Rezar é um caminho desafiador que somos chamados a trilhar, cotidianamente, demonstrando ao Senhor que depositamos em Suas mãos as nossas vidas, necessidades e intenções.

Santo Agostinho nos ensina que “a oração é uma chave que nos abre as portas do céu”. Por isso, se cultivamos o hábito da oração, se reservamos tempos e momentos em nossos dias para o exercício da oração, de alguma forma, estamos mais perto do Reino de Deus. Observando os grandes mestres da oração da história da Igreja – São João da Cruz, Santo Afonso de Ligório, São Pio de Pietrelcina, Santa Catarina de Sena, Santa Mônica e tantos outros –, nós aprendemos que quem reza nunca perde a fé e a esperança. Quem reza alimenta a caridade, mesmo quando se encontra em situações difíceis, e percebe que é justamente na fragilidade que somos chamados a sermos mais perseverantes na oração.

Na nossa experiência de oração, na nossa caminhada diária na vida da Igreja, nós podemos ser conduzidos ao deserto onde não faltarão o cansaço, o desânimo e as hesitações. Mas não podemos esquecer que possuímos a companhia do Senhor, que caminha conosco mesmo em meio ao deserto. Junto de Cristo, permitindo que, se for preciso, Ele nos carregue nos braços, nós realizaremos um necessário processo de cura e purificação e cresceremos na obediência da fé.

Na nossa experiência de oração, nós teremos, assim como Moisés, que enfrentar uma batalha contra Amalec, ou seja, teremos que direcionar o nosso coração para Deus, para que Ele nos salve. Mas para que Deus venha em nosso auxílio, nós precisamos rezar em comunidade, assim como Moisés, Aarão e Hur. Precisaremos também agir, tal como Josué, que foi para o campo de batalha. Pelos relatos bíblicos da batalha de Israel contra Amalec, nós percebemos que “quando Moisés descia os braços orantes, os inimigos prevaleciam”. (Ex 17, 8-13). Na batalha contra Amalec, o povo de Israel triunfou, pois somou esforços em prol do mesmo ideal. Israel conquistou a vitória porque estava alicerçado em Deus.

A oração é a “elevação do coração a Deus”. (Santa Teresa d’Ávila). Mas é, também, “a elevação da alma a Deus”. (Santo Agostinho). A oração pode ser considerada o elevador que nos leva a alcançar as alturas do céu, é a mola que impulsiona os nossos bons propósitos, é a correnteza que nos arrasta para águas mais profundas. A oração nos faz fortes, nos faz resistir às tentações e revigora a nossa espiritualidade, pois o artífice da nossa oração é sempre o Espírito Santo. É o Divino Espírito quem nos leva a dizer: Senhor, vinde em nosso socorro e livrai-nos de todo o perigo que grassa sobre nós.

Quando somos dóceis ao Espírito Santo, a nossa oração adquire novas luzes que nos ajudam a vislumbrar os acontecimentos da nossa vida, e mesmo da nossa história, na perspectiva salvífica de Deus e da eternidade. É com o Espírito Santo que nós percebemos que não podemos deixar de rezar, não podemos passar nenhum dia sem rezarmos um pouco. A oração é um grato dever, mas é também uma imensa alegria, porque é um encontro transformador com o Cristo e, por isso, São Paulo nos solicita: “sede perseverantes e vigilantes na oração”. (Col 4,2). E ainda: “Com toda a espécie de oração e de súplica, orai sem interrupção”. (Ef 6, 18).

Quando rezamos, nós encostamos a nossa cabeça no Sagrado Coração de Jesus. Neste Coração santo, nós exercitamos o silêncio contemplativo que nos faz descobrir que não pode existir uma verdadeira oração sem uma centralidade à Palavra de Deus, que anime, revigore, sustente e fecunde todo o nosso fazer. Exercitamos, também, um silêncio transbordante de proximidade, a comunhão dos santos, que nos faz sentir que o Cristo escuta a prece que sussurramos em nossos corações mesmo sem palavras. Neste silêncio repleto de profundidade, podemos dizer ao Senhor: “Convosco afrontarei batalhões, com meu Deus escalarei muralhas”. (Sl 17, 31).

Por ser um Deus misericordioso, Cristo nos orienta: “É necessário orar sempre e nunca desanimar”. (Lc 18,1). Quando rezamos, com frequência, quando nossa vida se transforma em oração, quando a oração define o nosso estilo de vida, nós reconhecemos que somos convocados por Jesus para participarmos da alegria do Evangelho, para vivenciarmos o dom sobrenatural da graça e para irmos ao encontro do nosso próximo. Deste modo, quando a nossa oração se torna o lugar do encontro com Deus, passa a ser também o lugar da intercessão pelos irmãos.

Pelo contínuo exercício da oração, reconhecemos os nossos limites, as nossas fraquezas e percebemos que somos dependentes de Deus, pois viemos de Deus, somos de Deus e voltaremos para Deus. Diante dessa consciência, a nossa melhor atitude é o abandono nas mãos providentes de Deus com total e plena confiança.

A oração se torna o paradigma de toda a nossa existência quando, por meio dela, adquirimos renovadas forças para alcançarmos os grandes ideais, para mantermos a fé, a caridade, a generosidade e a justiça. É dever de justiça aprendermos a bradar: “Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem apartou a Sua misericórdia de mim”. (Sl 65, 20).

Nesta noite escura que nós estamos atravessando, nestes dias da pandemia do Covid-19, nós somos chamados a realizar o ministério da oração, ou seja, devemos elevar aos céus a nossa prece suplicante pelo fim desta pandemia. Nestes dias, na quarentena de nossas casas, temos mais tempos e momentos para dialogarmos com Cristo, para exercermos o bom combate da oração. Nestes dias, a oração deve ser sempre mais o oxigênio revigorante que faz desaparecer o medo, a intranquilidade e a impaciência. Como tem sido bom rezarmos nestes dias! Como tem sido agradável notarmos que “o Senhor nos faz sensíveis à Sua presença, nos ajuda a ouvir, a não sermos surdos e nos ajuda a ter um coração livre, aberto ao Seu amor!”. (Papa Bento XVI, Discurso em 3 de outubro de 2005).

O ministério da oração, que somos chamados a exercer, é aquele em que todas as pessoas podem e devem se envolver, porque sempre há intenções, necessidades, pedidos e intercessões que estão em nossos corações. Agindo assim, rezando, sentimos que a oração é um vínculo invisível que nos une e, por isso, precisa pegar ritmo, não pode ser algo esporádico. A oração precisa ser cultivada, exercitada e praticada no tempo oportuno e no inoportuno, a fim de que possamos perceber que é Deus quem escreve a nossa história.

Nossa Senhora é a Virgem suplicante que intercede continuamente por nós. Invoquemos a bondosa Mãe para que Ela nos ajude a rezar sempre mais e a rezar bem. Por ser Mãe, Maria nos orienta: “Nada te impeça de rezar sempre! ”. (Eclo 18,22). Juntos da Virgem Santa Maria, nós permanecemos na casa de Deus, na família da Igreja e aprendemos que “ninguém que esperou no Senhor foi confundido! ”. (Eclo 2, 10).

Aloísio Parreiras

 

2020-04-07T20:21:11-03:0007/04/2020|