O REINO DOS CÉUS ESTÁ PRÓXIMO!

Ao realizar Sua vida pública, de diversos modos e em diversos momentos, Jesus
Cristo anunciou o que é o Reino de Deus e o que é necessário realizar para se pertencer
a esse Reino e, por isso, só podemos conhecer a beleza e a totalidade dele quando temos
uma intimidade com a Palavra do Altíssimo e uma ampla sintonia com a Boa Nova da
Salvação que Cristo nos legou.
O Reino de Deus é uma realidade invisível que se torna visível em nosso ser
quando vivenciamos as bem-aventuranças, respeitamos o decálogo, praticamos a
caridade e servimos, sem reservas, ao nosso próximo, bradando: “É tempo de procurar o
Senhor, até que Ele venha e derrame a justiça em vós!”. (Os 10,12).
Por meio de belas parábolas – entre outras: o joio e o trigo, o grão de mostarda, o
tesouro e a pérola, a rede lançada ao mar – Cristo nos demonstra que Seu Reino se
concretiza em meio a nós quando dizemos sim ao Seu amor e refletimos com nossas
ações a postura e a conduta de um filho de Deus.
De fato, o Reino de Deus é um mistério que ultrapassa nossa limitada
capacidade intelectual mas, pela virtude da fé, nós cremos que não há nada melhor do
que edificar o Reino de Deus em nosso ser e em nossas vidas; consequentemente, nós
clamamos: “Venha a nós o Vosso Reino!” (Mt 6, 10).
Ao suplicar pelo advento do Reino de Deus, ao mesmo tempo pedimos pela
edificação de um mundo novo, resgatado pelos sólidos valores do Evangelho. “Pedir
pela vinda do Reino significa dizer a Jesus: Deixa-nos ser teus, Senhor! Penetra-nos,
vive em nós; reúne a humanidade dispersa no teu corpo, para que em Ti tudo esteja
submetido a Deus e Tu então possas entregar tudo ao Pai”. (Papa Bento XVI, “Jesus de
Nazaré, capítulo 5”).
O mistério do Reino de Deus transcende a vida dos homens, a nossa história e
toda a criação. Por revelação de nosso Redentor, nós temos conhecimento de que o
Reino de Deus é eterno, pois o Reino de Deus nunca terá fim. Que maravilha é poder
ser agraciado com a possibilidade de ser um membro, um servidor desse Reino! Não
podemos esquecer que se nós temos alguma dignidade, ou se nós possuímos alguma
realeza, estas são consequências diretas de nossa pertença a esse Reino.
Jesus e o Seu Reino de amor, de justiça e de verdade devem se encontrar
secretamente no íntimo de nossos corações. Todo aquele que se abre aos ensinamentos
do Senhor escuta Suas Palavras, enxerga a beleza do Cristianismo e é movido a
anunciar o Seu Reino, cumprindo a ordem do nosso Redentor que nos diz: “Em vosso
caminho, anunciai: O Reino dos céus está próximo!”. (Mt 10,7).
Por amor, nós queremos que Cristo reine! Por amor, cremos que não basta
suplicar por esse Reino, pois também se fazem necessários o nosso esforço e a nossa
dedicação na concretização desse Reino. “Se queremos pedir que desça sobre nós o
Reino de Deus, pedimos com a potência da Palavra: que eu seja afastado da corrupção,
que eu seja libertado da morte e das correntes do erro; que nunca reine sobre mim a
morte, que não tenha nunca poder sobre nós a tirania do mal, que não me domine o
adversário nem me torne seu prisioneiro com o pecado, mas que venha a mim o Teu

Reino para que se afastem de mim, ou melhor ainda, se anulem as paixões que agora me
dominam”. (São Gregório de Nisa, “De oratione dominica 3”).
A autêntica paixão pelo Reino de Deus nos faz perceber que as paixões humanas
são fugazes, momentâneas, e não preenchem a essência do nosso coração, pois o nosso
coração é o termômetro de nossa intimidade com o nosso Redentor. Desse modo, ele só
pode ser preenchido pelo verdadeiro Amor quando permitimos, livremente, o Seu
senhorio em nosso íntimo, ou seja, quando permitimos que o nosso coração seja
abrasado pela presença sempre nova do Sagrado Coração de Jesus.
Pelo senhorio do Senhor em nossas vidas, chegou a nós o Reino de Deus. O
Reino de Deus nos preenche por inteiro, ocupando nosso corpo e o nosso espírito.
Nossos dias são marcados pelos sinais desse Reino, pois quando acordamos, falamos,
descansamos, trabalhamos, estudamos ou nos movimentamos, expressamos a grandeza
do ser humano, os sinais da nossa imagem e semelhança com o Senhor.
Mesmo no silêncio, o pulsar do nosso coração demonstra que “é preciso passar
por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus!” (At 14,22). Para que nunca
percamos a suprema felicidade é indispensável, a cada novo dia, nosso serviço a Cristo
e à Sua obra de Salvação. Para que não deixemos esmorecer o nobre desejo de servir a
Deus e à Igreja, desde as primeiras horas da manhã, nós devemos clamar em oração:
“Que o Coração de Jesus, ardente de amor, seja a nossa força, o nosso asilo, o nosso
centro, o nosso Calvário, o túmulo de todo o nosso ser, e depois a ressurreição, a vida, a
glória!”. (São Pedro Julião Eymard, Flores da Eucaristia, página 216).
Que a Virgem Santa Maria, a Serva do Senhor, nos ajude a manter aceso o nobre
desejo de servir ao Reino de Deus, para que, por meio de nosso testemunho e fidelidade,
possamos contagiar o nosso próximo e assim, como comunidade, servidores de Cristo,
juntos poderemos professar: “Damos graças ao Pai, que nos tornou capazes de participar
da luz, que é a herança dos santos. Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no
Reino de Seu Filho amado!” (Cl 1, 12-13).

Aloísio Parreiras

2020-07-08T14:30:00-03:0008/07/2020|