O VERBO HABITOU ENTRE NÓS!

 

          No mar da vida e da história, o acontecimento salvífico da natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo resplandece como uma Luz, uma Estrela de esperança. No horizonte da história, o Menino Jesus, que nasceu na humilde estrebaria de Belém, desponta de uma forma única e admirável. Ele é o Emanuel, o Deus conosco, o Verbo que habitou entre nós (Jo 1,14), transformando a nossa existência. Ele é o Deus humanado que percorre a nossa história, iluminando as nossas decisões e ajudando-nos a trilhar, com humildade, caridade e fé, o único Caminho, a plena Verdade e a fecunda Vida.

Quando aderimos à luz que emana deste Menino que nasceu para nós (Is 9,5), mergulhamos na história da salvação e compreendemos a essência da mensagem cristã. Por isso, a cada novo Natal, na presentificação deste acontecimento histórico, nós somos chamados a reconhecer que graça imensa foi concedida a todos nós, os seres humanos, pois no meio deste peregrinar, no horizonte da fé dos nossos tempos, no testemunho de autenticidade das gerações cristãs que nos precederam se acendeu, por meio da presença de Deus em meio a humanidade, um sinal grandioso de renovada paz e santidade.

Quando, com zelo e piedade, nós fazemos memória desta Noite feliz, por meio da Liturgia, somos convidados a celebrar, com entusiasmo, o grande acontecimento do nascimento de nosso Redentor em Belém. Sem deixar de ser Deus, Ele assumiu as nossas fraquezas, para nos demonstrar como vive, pensa e age um filho de Deus. Ele nasceu no seio de uma família pobre materialmente, mas rica de alegria e de justiça. Ele chegou ao mundo no maior abandono e, por isso, nem mesmo uma simples e digna casa foi encontrada para poder facilitar as condições básicas de Seu nascimento.  Naquele dia feliz de seu parto, no meio dos animais, no centro de um curral, Ele chorou pela primeira vez e, logo após, Ele abriu com dificuldades os Seus pequenos e misericordiosos olhos que iniciaram a observação de um mundo que precisava ser redimido e renovado.

Nos primeiros instantes após o Seu nascimento, Ele foi acolhido e reconhecido como nosso Salvador pela Virgem Santa Maria, por São José, pelos Reis Magos e pelos pastores que receberam do Anjo o celeste anúncio do Seu nascimento. Pouco tempo depois, mesmo sendo uma frágil criança, Ele começou a abalar o poder e o predomínio de muitas pessoas que viviam unicamente para alimentar suas vaidades e expandir os seus egoísmos. Pelo mau uso da liberdade, Herodes deu início a uma série de perseguições a Ele e aos Seus seguidores. Mas, mesmo enfrentando séculos de perseguições, o Verbo que habitou entre nós continua brilhando no céu da existência humana, irradiando um Belo Horizonte, pois, como cantamos: “O grande dom que Deus nos deu: Cristo, o Seu Filho. A humanidade renovada, é n’Ele salvada. É vero Deus, é vero Deus!”

Estupefatos pela contemplação de um mistério insondável, os coros dos mensageiros celestes proclamaram: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Ele ama!” (Lc 2, 14). Aos humildes pastores, na noite de Belém, foi revelado: Nasceu-vos um Salvador!” (Lc 2, 11). Essa divina revelação, esse feliz anúncio tem que ser recebido por nossa alma e acolhido em nossos corações, pois Cristo é o centro da nossa história. Ele vem a cada um de nós e nos propõe uma vida plena, uma vida transformada. Quando permanecemos junto a Ele, vivenciando a Boa Nova da Salvação que Ele nos legou, nós percebemos quanta generosidade é feita silenciosamente pelos cristãos que vivem no dia a dia a fé, a pertença a Deus, a dedicação à família e a santificação do trabalho.

Diante do Presépio de Belém, hoje, no Terceiro Milênio da era cristã, nós temos que saber fazer silêncio, para que possamos adentrar o dinamismo da caridade do Altíssimo que conduz a história. Por sermos membros do povo eleito de Deus, cabe a nós a transmissão do feliz anúncio da encarnação do Verbo. Por tudo isso, rezemos para que a humanidade saiba reconhecer no Filho da Virgem Santa Maria o nosso amado Redentor, que traz o dom da paz. Rezemos para que os nossos coetâneos saibam reconhecer que é em Cristo, somente em Cristo – o Menino que nasceu para nós – é proporcionada a cada um de nós a possibilidade de sermos novas criaturas, filhos no Filho, construtores da justiça, arautos da Boa Nova, servos da esperança.

Que a Virgem Santa Maria, a Mãe do nosso Redentor, e São José, seu castíssimo esposo, nos ensinem a permanecer em Belém com o coração em chamas pela contemplação do Amor de Deus que jamais desiste de nós. Um feliz e abençoado Natal a todos!

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2020-12-26T20:08:35-03:0026/12/2020|