O ZELO EUCARÍSTICO DO SANTO CURA D’ARS.

São João Maria Vianney, o padroeiro dos sacerdotes, desponta para todos nós como um admirável exemplo a imitar no amor a Deus, que se faz presente no sacramento da Eucaristia. O amor do Cura D’Ars à Eucaristia era algo fascinante, pois, com simplicidade e humildade, ele demonstrava que há uma estreita relação entre o sacerdote e o sacrifício da Santa Missa, a Fonte primordial da santificação pessoal dos padres.

Com admiráveis zelos pastorais, litúrgicos e eucarísticos, o Cura D’Ars foi um incansável catequista e um exímio pregador do Augustíssimo Sacramento do Altar. Aos sacerdotes, ele dizia: “Só no céu compreenderemos a felicidade de poder celebrar a Missa”.  Por ter sido um nobre adorador eucarístico, ele alimentava a sua vida de oração no sacrário da sua igreja, exercitando o silêncio da contemplação.

Adoração e oração constituíam para ele a fonte bifocal de sua vida de sacerdote. Pela sua etiqueta eucarística, que se expressava nos cuidados com o material litúrgico e no zelo em realizar as genuflexões, ao passar diante do sacrário, com requintada piedade, o Cura D’Ars testemunhou aos habitantes de Ars e de outras cidades da França que nós necessitamos da união que o Cristo eucarístico nos propõe no cotidiano da História.

Quando chegou à cidade de Ars, os habitantes da pequena localidade não vivenciavam a fidelidade aos mandamentos e à participação nos sacramentos como prioridades pessoais. Mas, com o passar do tempo e com a constante pregação de São João Maria Vianney, os habitantes daquela simples e rude aldeia formaram uma comunidade penitencial e eucarística. E não poderia ser diferente, pois, como sabemos, um sacerdote eucarístico é um grande incentivador de almas eucarísticas, é um exemplo visível das maravilhas que o Corpo e o Sangue do Senhor realizam no íntimo das almas. Nos dias do Cura D’Ars, e nestes nossos dias, os testemunhos eucarísticos dos sacerdotes dão inúmeros frutos na vida espiritual dos fiéis e colaboram no despertar de novas e generosas vocações.

De joelhos e em silêncio diante do Tabernáculo do Altíssimo, São João Maria Vianney bradava que todos nós precisamos implantar, nas diversas horas do nosso dia, um autêntico e apropriado diálogo de salvação com o nosso Redentor. Este diálogo é mais fecundo quando é realizado na ação de graças da Santa Missa.

O amor eucarístico do Cura D’Ars era manifestado também em seu trabalho pastoral, pois, em suas catequeses, apostolado e pregações, ele evidenciava a grandeza, a misericórdia e a sublimidade da bondade de Cristo que está à nossa espera no Sublime Sacramento do Altar. Em suas aulas de Catequese era comum ele dizer: “Quando se comungou, a alma impregna-se do bálsamo do amor como a abelha do perfume das flores”. Diante do sacrário, ele afirmava: “Sabemos pela fé que Deus está ali, no sacrário; abrimos-lhe o nosso coração e sentimo-nos felizes por sermos admitidos à Sua presença. É a melhor maneira de rezar”.

Pelo conhecimento das palavras, gestos e atitudes do Cura D’Ars, nós percebemos que as diversas horas que ele destinava para ouvir as confissões dos penitentes eram, de uma certa forma, um cuidado e um zelo pela Eucaristia, pois, por ser um sacerdote de Cristo, ele tinha a plena certeza de que Deus não rejeita um coração puro, contrito e arrependido. Com esmero, ele também ensinava que, somente em estado de graça, nós podemos aproximar-nos do Altar do Senhor.

A devoção do Santo Cura D’Ars para com nosso Senhor Jesus Cristo, que está presente no Sublime Sacramento, era realmente extraordinária. Guiados pelo exemplo do padroeiro dos sacerdotes, em suas Paróquias e Comunidades, os sacerdotes do mundo inteiro são convocados pelo próprio Cristo Eucarístico a se colocarem como instrumentos da comunhão que a Eucaristia realiza nas almas eucarísticas por meio do testemunho do acolhimento, da oração e pelo aprendizado da adoração.

Por serem adoradores eucarísticos, os sacerdotes sabem e podem infundir em nossos corações o necessário respeito pelo sagrado e o imprescindível apreço pela presença de Deus em nosso meio. Desse modo, ao recordar os traços da piedade eucarística de São João Maria Vianney, ao relembrar as longas horas de adoração que ele passava diante do sacrário, nós somos chamados a colocar em destaque o nosso amor pela Eucaristia, o Alimento da vida sacerdotal e o Manancial de todas as graças.

Que São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, nos ajude a compreender que precisamos participar da Eucaristia, pois não somos nada por nós mesmos. Que a consciência da Presença real de Cristo no sacrário fortaleça sempre mais a nossa vontade de penetrar nos átrios do Banquete eucarístico e ali, em estado de graça, podermos bradar, juntos com o Cura D’Ars: “Jesus Cristo é nosso Senhor. Ele nos salva por Sua Cruz. O sofrimento dos homens os une à Cruz de Jesus e contribui para salvá-los. Ele está presente na Eucaristia”.

Que o Cristo Eucarístico, pela intercessão do Santo Cura d’Ars, infunda em nosso coração um irrestrito amor pela Eucaristia e um infindável agradecimento pela doação, entrega e constante ajuda dos sacerdotes que, em nome de Deus, nos convocam a participar da comensalidade onde o nosso Redentor nos oferece o Seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade, a fim de que possamos permanecer unidos a Ele na senda da justiça, da fé e da esperança.

Aloísio Parreiras

2020-08-04T15:24:49-03:0004/08/2020|