OS COOPERADORES DA VERDADE

Deus, o supremo criador de todas as coisas, quer contar conosco na realização de Sua obra redentora. Ele quer que não poupemos o menor esforço em prol do diálogo da salvação. Com esse intuito, Jesus Cristo nos envia em Seu nome a anunciar a salvação a todos os povos. “Cristo está diante de nós. Ele, que nos amou até ao extremo, é para todos nós fonte inexaurível de força, de criativa inspiração ecumênica, de paciência e de perseverança. Ele é a Verdade!”. (Discurso do Papa João Paulo II no Encontro com os representantes de outras confissões, em 27 de abril de 1997).

Quando aderimos à Verdade, somos enviados a anunciá-la em sua integridade. Afinal, “não diminuir em nada a doutrina salvadora de Cristo constitui eminente forma de caridade para com as almas”. (São Paulo VI, Humanae Vitae, nº 29). Por vontade expressa de nosso Redentor, somos recrutados como “cooperadores da verdade”. (3 Jo, 8). Todavia, ao nos enviar para proclamar a verdade, Jesus Cristo nos diz: “Faça-se isto com docilidade e respeito!”. (1 Pd 3,15).

O panorama do mundo atual é caracterizado pelo medo da morte e pela expansão do relativismo, do hedonismo e do niilismo. Países e continentes que, em um passado bem próximo, foram o berço do Cristianismo, hoje precisam com urgência de uma nova evangelização. A Europa se afunda destemidamente no assustador oceano de um novo modernismo.

Não só a Europa, mas também os demais continentes, são convocados a redescobrir a plenitude da verdade. Buscando agir para modificar esse triste panorama, no ano de 2006, em uma viagem à Alemanha, o Papa Bento XVI, bradou: “Vim à Alemanha para voltar a propor aos meus compatriotas as verdades eternas do Evangelho e confirmar os fiéis na adesão a Cristo, Filho de Deus, que se fez homem pela salvação do mundo. Estou certo de que na fé n’Ele, em Sua Palavra, se encontra o caminho não só para alcançar a felicidade eterna, mas também para construir um futuro digno do homem já nesta terra!” (Papa Bento XVI, na Cerimônia conclusiva da viagem apostólica à Alemanha, em 14 de setembro de 2006).

Chamar nossos compatriotas, amigos e familiares à vivência da fé não é apenas missão do Papa, é também missão dos bispos, dos sacerdotes, dos religiosos e de cada um dos fiéis leigos. Sem medo ou receios, sustentados pelo ardor missionário, devemos professar: “Caríssimo, não imites o mal, mas o bem. O que faz o bem é de Deus. Quem faz o mal não viu a Deus!” (3 Jo, 11).

Empenhando, com afinco, nossos dons e talentos no trabalho de semeadura da Boa Nova de Cristo, ouviremos em nosso coração a acalentadora voz de Jesus, a nos dizer: “Não há alegria maior para Mim do que saber que os Meus filhos vivem na verdade!” (3 Jo, 4).

Deus, por ser onipotente, não precisa de nós para difundir a Sua verdade, mas, como expressão de Seu amor, Ele quer contar com nosso entusiasmo e disponibilidade nessa grande obra de misericórdia, que é conduzir um amigo, um companheiro de trabalho ou de estudo, um familiar, ou até um desconhecido, de volta à vida da Igreja.

De diversos modos e em diversos apostolados, podemos e devemos proclamar a verdade em sua essência. O que não pode ser aceito é a acomodação dos cristãos que se esquecem de que nossa salvação se realiza paralelamente à salvação de nosso próximo. Todo tempo e todo momento são ocasiões propícias para se falar de Deus, de Seu amor e de Sua misericórdia. Hoje e agora, este exato momento, é o tempo de semear a doutrina de Cristo, é o tempo de edificar o Reino de Deus e é o tempo de se preparar para a colheita de novas e abundantes conversões.

O tempo ideal para o trabalho missionário é todo aquele em que percebemos que urge recristianizar a cultura e os povos! O tempo ideal para o trabalho missionário é todo aquele em que percebemos que nosso amor por nosso Redentor nos impulsiona em direção a novas messes! O tempo ideal para o trabalho missionário é todo aquele em que tememos que nossas fraquezas possam atrapalhar a obra de Deus e, por isso, em oração, dizemos: Meu Deus, ajudai-me a ser um semeador da caridade, da verdade e do bem!

Como missionários de Jesus Cristo, diante das incertezas e das inverdades, é nosso dever questionar: “Quem vos pôs obstáculos para não obedecerdes à verdade?”. (Gl 5,7). Anunciar a verdade sem medo e com renovada esperança é o desafio que Cristo nos faz neste Terceiro milênio da era cristã, mesmo em meio às tempestades.

Amparados em Nosso Senhor Jesus Cristo, saibamos anunciar a todos que o Amor está vivo! O Amor se revela na verdade! De verdade, é imensamente gratificante poder contemplar os campos dourados, esperando a ceifa! É transformador poder sentir que, de alguma forma, Deus nos envolveu em Sua obra missionária! Mais enriquecedor ainda é poder voltar cansado, mas renovado, do trabalho missionário, dizendo com a voz do coração: “Agradeço Àquele que me deu força, Cristo Jesus, nosso Senhor, a confiança que teve em mim ao designar-me para o Seu serviço!”. (1 Tm 1,12).

Aloísio Parreiras
2020-07-07T16:57:24-03:0007/07/2020|