OS DISCÍPULOS E MISSIONÁRIOS DE JESUS CRISTO

Não podemos esquecer que a obra missionária é tarefa permanente da Igreja. Graças aos esforços e à fidelidade à fé dos cristãos que nos sucederam nesses vinte e um séculos de história, hoje nós somos discípulos de Cristo e a nós cabe a missão de propagar a fé e de difundir, corajosamente, às novas gerações, a Boa Nova de Jesus. A cada um de nós, Deus dirige essas palavras: “Deveis ser minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Samaria e até os confins de toda a terra! ” (At 1,8). Ele também nos diz: “Como o Pai me enviou, assim também Eu vos envio! ” (Jo 20,21).

A tarefa missionária é urgente em nosso país, nos cinco continentes, em todos os cantos do mundo, pois, em nossa sociedade – nos locais onde realizamos nosso trabalho, estudo ou lazer – se faz necessário um novo esforço missionário que nos conduza a anunciar o Evangelho de Cristo e a denunciar todas as formas de exploração, de egoísmo e de desamor, para que a salvação alcance todos os povos.

Ninguém está isento desse trabalho missionário, pois há trabalho para nós todos. “A missão é uma tarefa da qual ninguém pode se escusar, pois nada é mais bonito do que conhecer Cristo e torná-Lo conhecido para os outros”. (Papa Bento XVI, “Ângelus em Aparecida, em 13 de maio de 2007”).  Antes de sermos missionários, temos que ser discípulos, pois ninguém pode transmitir o que não possui. Ser missionário é consequência de ser discípulo.

Todo bom discípulo tem a consciência de que deve ir em busca do outro, de todo batizado que está ausente da vida da Igreja e reconduzi-lo a Jesus Cristo. Quanto mais intensa for nossa vida de discípulos de Cristo, mais intensa será nossa vida de missionários de Sua Igreja. Um bom discípulo não desperdiça nenhuma chance de anunciar o amor de Deus e age, coerentemente, como um filho redimido por Jesus. Um bom discípulo não se acomoda a um ritmo pastoral habitual, pois sua crescente fé o conduz a um empenho concreto pelo Reino e à constante luta contra tudo o que impede a concretização desse Reino.

Como consequência de seu encontro pessoal com o Cristo, o missionário tem a convicção de que somente pela prática da oração e pela participação nos sacramentos será possível se manter fiel ao Evangelho. Ser missionário é saber que o mundo não abraça o projeto de Deus e vilipendia os Seus ensinamentos. Desse modo, o mundo também irá perseguir e oprimir todo aquele que se faz testemunha de Deus. O missionário sabe que irá se confrontar com dificuldades, no cumprimento da obra missionária, pois “todos os que aspiram a viver piedosamente em Cristo Jesus sofrerão perseguições! ” (2 Tm 3,12).

Diante das calúnias e das perseguições, o discípulo professa, com entusiasmo, que ser missionário de Cristo é, antes de tudo, um ato de amor.  Pela adesão ao amor, mesmo diante da possibilidade da morte, o missionário, brada: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus!” (Lc 4,43). Perante o testemunho dos fiéis discípulos, muitas pessoas o questionam: Por que você ainda se empenha na obra missionária? O que você está ganhando com isso? Impulsionado pelo Espírito Santo, que é o Artífice de toda ação missionária, sem pestanejar, o discípulo responde, com segurança: “Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim; é, antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho! ” (1 Cor 9,16).

Nosso serviço na obra missionária da Igreja deve alcançar todos os ambientes e todos os campos sociais. A ação missionária é um direito e um dever de todo batizado que, com esperança, aprendeu que os destinatários do Evangelho são todos aqueles que ainda não se assumiram como filhos de Deus. Todo missionário não pode e não deve falar só de si, de seus dons, de sua capacidade ou de sua importância, mas sim, deve falar e anunciar a Pessoa de Jesus Cristo e o projeto libertador e salvador que Ele nos propõe. Por conseguinte, “não haverá nunca evangelização verdadeira se o Nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados”. (Papa Paulo VI, “Evangelii Nuntiandi, nº 22”).

A Virgem Santa Maria, a Rainha das Missões, acompanha com sua mediação todos os missionários da Igreja. Ela vai sempre à frente, preparando o terreno, para que, após a realização da tarefa missionária, uma nova floração de conversões e de santidade possa surgir, gerando novos e autênticos discípulos de seu Filho.

Com a autoridade de Mãe das Missões, Ela não se cansa de nos dizer: “Deus me é testemunha de que eu vos amo a todos, com a ternura de Jesus Cristo!” (Fl 1,8). Que a poderosa mediação de Nossa Senhora e o ardor da ternura de Jesus Cristo em nossas almas aumente nosso zelo pela evangelização do nosso próximo e atualize, neste Terceiro milênio da era cristã, o nosso compromisso de sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele os povos tenham vida e vida em abundância.

 

Aloísio Parreiras
2020-05-12T14:41:35-03:0012/05/2020|