Por que estudar Gálatas no Mês da Bíblia?

Este ano estamos completando 50 anos de uma bela experiência iniciada em 1971 em Belo Horizonte de celebrar setembro como mês da Bíblia. Essa iniciativa foi crescendo até que em 1985 se tornou nacional. A escolha do mês de setembro é devida a memória de São Jerônimo, morto em 30 de setembro, aquele que traduziu e organizou a Bíblia do hebraico e grego para o latim, a língua vulgar ou comum daquele tempo e daí chamamos essa Bíblia de Vulgata.

Para esse mês é escolhido anualmente um livro da Sagrada Escritura a ser aprofundado. Para este ano o livro escolhido foi a Carta de São Paulo aos Gálatas. Paulo evangelizou a Galácia durante sua segunda viagem missionária (At 16,6). Sua permanência na região, ao que parece, se prolongou por causa de uma doença (Gl 4,13). Foi bem recebido pelos gálatas (4,14). Seu ministério foi frutuoso, pois os gálatas receberam o Espírito Santo (3,2) e muitos milagres aconteceram entre eles (3,5). Segundo Paulo, tudo andava bem (5,7). Mas depois de sua partida, as Igrejas da Galácia sofreram a infiltração de cristãos de origem judaica que sustentavam a necessidade da observância da Lei de Moisés como meio indispensável para a salvação, sendo muitos gálatas seduzidos por suas palavras. Paulo, estando impossibilitado de estar presente, reagiu com velocidade escrevendo essa carta volta do ano 54 d.C.

Trata-se de uma bela carta na qual se percebe a indignação paterna de Paulo. A carta é bem estruturada sendo dividida em três partes. Nos capítulos 1 e 2 Paulo narra sua autobiografia partindo de crescimento no judaísmo até a adesão ao cristianismo do qual se tornou iminente pregador. Nos capítulos 3 e 4, trata das questões doutrinais sobre a salvação, a lei do Espírito como princípio de liberdade e a adoção filial a que participamos a partir de Jesus. Nos capítulos 5 e 6, exorta os gálatas a adesão à fé que opera pela caridade e viverem em comunhão segundo o Espírito tendo o amor como resumo de toda lei.

Nesta carta encontram-se lindas frases de São Paulo que relê sua vida na ótica de seu encontro com Jesus. Essas frases nos inspiram a perceber a transformação realizada nesse homem, sua seriedade de vida e despojamento de tudo por causa de Jesus e do anúncio de sua Boa Nova. Algumas delas merecem ser transcritas aqui:

Gl 2,19-20: “Com Cristo, eu fui pregado na cruz. Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim. Minha vida atual na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”;

Gl 3,28: “Não há mais judeu ou grego, escravo ou livre, homem ou mulher, pois todos vós sois um só, em Cristo Jesus”;

Gl 4,6: “a prova de que sois filhos é que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá, Pai!”;

Gl 5,1: “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão”;

Gl 5,13-14: “fazei-vos servos uns dos outros, pelo amor. 14Pois toda a lei se resume neste único mandamento: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”;

Gl 5,16: “deixai-vos sempre guiar pelo Espírito, e nunca satisfaçais o desejo da carne”;

Gl 5,22-23: “O fruto do Espírito, porém, é: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, lealdade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não existe lei”;

Gl 6,9: “Não esmoreçamos na prática do bem, pois no devido tempo colheremos o fruto, se não desanimarmos”.

 

Pe. Xavier, Coordenador da Rádio Nova Aliança

2021-09-22T15:04:13-03:0023/09/2021|