QUANDO O MUNDO SE DEIXA ENVOLVER PELO ROSÁRIO

A Santa Missa é a mais perfeita oração que nós podemos oferecer a Deus. Depois da Santa Missa, o Rosário é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e é também a oração de maior proveito para as nossas almas. Tendo essa consciência, Santa Teresinha do Menino Jesus gostava de dizer: “Enquanto o Rosário for rezado, Deus não poderá abandonar o mundo, pois essa oração é poderosa em Seu coração”.

O Rosário é uma oração cristológica por excelência, pois quando meditamos os seus mistérios, nós percorremos as diversas etapas da vida de Cristo. O Rosário é a oração mariana mais recomendada pela Igreja ao longo dos séculos e, por isso, o Rosário é a oração preferida da Virgem Santa Maria. De um modo singular, “o Rosário é a forma de oração mais excelente que existe. É o remédio para todos os nossos males, a raiz de todas as nossas bênçãos”. (Papa Leão XIII).

O Rosário é uma oração de súplica que elevamos ao céu por intermédio da Virgem Maria. Por meio da oração do Rosário, nós podemos conquistar, pelas mãos da Virgem Mãe, a cura de epidemias, a paz para o mundo, o necessário socorro nas dificuldades e a vitória na luta contra o mal. Immaculée Ilibagiza, a africana que sobreviveu ao sangrento genocídio que, em 1994, devastou Ruanda, na África, nos ensina: “O Rosário tem um poder enorme: poder capaz de mudar o mundo; capaz de derrotar o mal; e, talvez o mais importante de tudo, capaz de trazer uma paz permanente aos nossos corações… Com frequência me perguntam como eu sobrevivi ao genocídio. Minha resposta, curta, é sempre a mesma: Foi o Rosário. O Rosário é a oração que salvou minha vida”.

Na História da Igreja, nós contemplamos a força da oração do Rosário e a presença mediadora de Nossa Senhora do Rosário. Por sua constante intercessão em favor do Povo de Deus e, principalmente, na luta contra as heresias e as ameaças de propagação do Islamismo, Nossa Senhora do Rosário ostenta o belo e significativo título de “Auxílio dos cristãos”. Na Idade Média, Ela ouviu as preces dos fiéis do norte da Itália e do sul da França, que assistiam assustados à expansão das heresias dos cátaros e dos albigenses. Diante dos defensores do panteísmo, que chegavam inclusive a perseguir e executar os cristãos, São Domingos de Gusmão recorreu a Nossa Senhora, pedindo que lhe indicasse uma arma eficaz para derrotar os inimigos da Igreja. Nossa Senhora, atendendo aos rogos da cristandade, solicitou uma nova devoção ao Rosário. Com a adesão aos pedidos de Nossa Senhora do Rosário, iniciou-se uma cruzada de orações que, em pouco tempo, fez com que os hereges fossem vencidos.

Na Idade Moderna, mais precisamente no século XVI, o Império turco-otomano crescia espantosamente e ameaçava invadir a Europa cristã para impor a fé islâmica, pelo uso das armas. Não conseguindo o apoio de diversos reis europeus, o Papa Pio V recorreu à Mediação de Nossa Senhora do Rosário. Logo após, ele solicitou ao general D. João d’Áustria que partisse para a luta contra o inimigo, ostentando um estandarte com a imagem de Nossa Senhora e, ao mesmo tempo, convocou as Confrarias do Rosário para que promovessem, sem cessar, procissões e orações nas igrejas, rogando pela vitória dos católicos na Batalha naval de Lepanto. Graças à mediação de Nossa Senhora do Rosário, os muçulmanos foram vencidos, e para que as futuras gerações não se esquecessem do episódio e continuassem recorrendo, com fervor, a essa atenciosa Mãe, foi instituída a Festa de Nossa Senhora da Vitória que, a partir do século XVIII, passou a ser comemorada no dia 7 de outubro, como Memória de Nossa Senhora do Rosário.

Quando contemplamos, com os olhos da fé, os séculos mais recentes de nossa História, nós percebemos que são “conhecidas, ao longo dos séculos XIX e XX, várias ocasiões, nas quais a Mãe de Cristo fez, de algum modo, sentir a sua presença e a sua voz para exortar o Povo de Deus a esta forma de oração contemplativa. Em particular, desejo lembrar, pela incisiva influência que conservam na vida dos cristãos e pelo reconhecimento recebido da Igreja, as aparições de Lourdes e de Fátima, cujos respectivos Santuários são meta de numerosos peregrinos, em busca de conforto e de esperança”. (Papa João Paulo II, O Rosário da Virgem Maria nº 7).

Este breve panorama histórico é suficiente para percebermos que o Rosário é a oração que o Cristo, por meio da Sua Igreja e de Nossa Senhora, nos tem recomendado com maior insistência como caminho e porta de salvação. Cuidando de nós, com zelo e caridade, e ensinando-nos a força transformadora do Rosário, a própria Virgem Maria solicitou aos pastorinhos de Fátima, Portugal, em 13 de maio de 1917: “Rezem o Terço todos os dias! ”.

A irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima, que faleceu há quinze anos e já está a caminho da beatificação, ao se referir ao Rosário, nos ensina: “Não há problema por mais difícil que seja: seja temporário e, sobretudo, espiritual; seja referente à vida pessoal de cada um de nós ou à vida de nossas famílias, do mundo ou comunidades religiosas, ou à vida dos povos e nações; não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário … Por isso, o demônio fará todo o possível para nos distrair dessa devoção; nos colocará uma multidão de pretextos: cansaço, ocupações etc., para que não rezemos o Santo Rosário”.

Os verdadeiros milagres do Rosário são aqueles que as orações e meditações realizam em nossas almas, pois o Rosário nos ajuda a crescer na santidade e na comunhão com Deus. Rezar o Rosário não é opcional, mas, é sim, um grato dever que é realizado pelos devotos marianos. O Rosário é um bom companheiro de todos os tempos, especialmente nas horas de enfermidades, pois, quando o mundo se deixa envolver pelo Rosário, Deus e Sua Santíssima Mãe, permanecem conosco, evidenciando que sempre há salvação, ressurreição e vida.

Por meio do Rosário, nós alargamos o nosso coração e aprendemos a rezar pela paz no mundo, pelas famílias, pela conversão dos pecadores e pelo fim das calamidades e pandemias que assolam o nosso mundo e, por isso, São Pio de Pietrelcina, aconselhava com frequência: “Rezai o Rosário e rezai-o sempre, sempre, e tanto quanto puderdes”.  Sigamos o conselho de São Pio e reservemos, sempre mais, espaço no nosso dia a dia para a oração do Rosário com a consciência de que a Virgem Maria é, verdadeiramente, o caminho mais curto para se chegar a Jesus, seu divino Filho, que nos leva ao Pai. Com nossa Mãezinha Maria nunca estaremos sós, e temos sua bênção e proteção, pois Ela é a Mãe da Igreja.

Nas adversidades destes nossos dias, reafirmemos a convicção de que “o poder do rosário trará às nossas vidas um número incontável de bênçãos. Ele é capaz de desfazer as nossas confusões mentais, pôr fim às tormentas do nosso coração, resolver os problemas que nos afligem, restaurar-nos a saúde e encher-nos de alegria e esperança”. (Immaculée Ilibagiza, o Rosário, a prece que salvou minha vida).

Nas adversidades destes nossos dias, supliquemos a poderosa intercessão de Nossa Senhora do Rosário, rezando a Súplica à Rainha do Santo Rosário que foi elaborada pelo Beato Bártolo Longo: “ Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral, não te deixaremos nunca mais. Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último beijo da vida que se apaga. E a última palavra dos nossos lábios há de ser o vosso nome suave, ó Rainha do Rosário de Pompeia, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó Soberana consoladora dos tristes. Sede bendita em todo o lado, hoje e sempre, na terra e no céu! ”. Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós e pelo mundo inteiro!

Aloísio Parreiras
2020-03-23T17:13:52+00:0023/03/2020|