RECORDANDO O VIII CONGRESSO EUCARÍSTICO NACIONAL

Um povo que cultiva sua memória histórica é um povo com identidade, com referenciais, raízes sólidas e profundos laços de união. De um modo semelhante, quando nós conhecemos a História da Igreja Católica, desde as primeiras comunidades cristãs até os nossos dias, nós fortalecemos as certezas da nossa fé e reforçamos a nossa identidade cristã. Neste ano em que celebramos os sessenta anos de criação e instalação da Arquidiocese de Brasília, devemos saber olhar a história da Igreja no Distrito Federal com gratidão e júbilo, fazendo memória dos acontecimentos que deixaram marcas nos corações do Povo de Deus que aqui habita.

Um acontecimento especial de que somos chamados a fazer memória é o VIII Congresso Eucarístico Nacional que a nossa Arquidiocese teve o privilégio de sediar de 27 a 31 de maio de 1970. Logo de início, nós podemos perceber que a realização do VIII CEN foi um grande ato de fé da nossa Arquidiocese, que na época tinha apenas dez anos de existência. Mas, ao mesmo tempo, podemos afirmar que os preparativos para o VIII CEN foram também um tempo feliz de renovação da confiança no Senhor.

A Junta Executiva do VIII CEN foi presidida por Dom José Newton Baptista, primeiro Arcebispo de Brasília; Monsenhor Geraldo Ávila foi o Vice-Presidente para as atividades afins e o Pe. Raimundo Damasceno Assis foi o Coordenador da Comissão de Pastoral e Liturgia. No ano de 2010, em uma entrevista ao site do XVI CEN, Dom Raimundo Damasceno, ao se referir ao VIII CEN, afirmou: “Não tenho dúvida em afirmar que a história da Igreja em Brasília pode ser dividida em antes e depois do VIII Congresso Eucarístico. Na época, falava-se que os evangélicos queriam fazer de Brasília a capital do protestantismo no Brasil. Era importante aprofundar a identidade do católico que chegava à nova capital, sua pertença à comunidade eclesial, seu compromisso com a missão que tem sua fonte no Batismo, na Crisma e na Eucaristia. Por isso o tema do Congresso: À Mesa do Senhor”.

As marcas do VIII CEN ficaram registradas nas almas dos fiéis, na história da nossa Arquidiocese e também na cidade de Brasília. Uma marca, uma fonte histórica do VIII CEN é a Cruz da Praça do Congresso Eucarístico, que fica próxima ao atual Museu da República, no Eixo Monumental. Quantos de nós, habitantes de Brasília, ao passarmos por aquela Cruz, agradecemos ao Cristo Eucarístico Sua contínua presença no meio de nós? Quantos de nós sabemos que ali, há cinquenta anos, foi erguida a Praça do Congresso Eucarístico onde foram realizadas as principais celebrações do VIII CEN?

Belíssimas e significativas foram as atividades realizadas no VIII CEN. Logo na Missa de abertura, o Cardeal Legado de Sua Santidade, o Papa Paulo VI, Dom Eugênio Sales, presidiu uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil e de Brasília, e acolheu o Santíssimo Sacramento, proveniente de Porto Seguro. Aquele primeiro dia do VIII CEN foi encerrado com um Festival da Juventude. No segundo dia daquele Congresso foram realizadas visitas aos enfermos e aos encarcerados e a Hora Santa das Famílias. No terceiro dia, 29 de maio, o sacramento da Crisma foi administrado nas Paróquias. Às 14h30, foi realizada a Hora Santa do Clero, em união com o Jubileu de ouro Sacerdotal do Papa Paulo VI.

No sábado, dia 30 de maio, na quarta Missa daquele Congresso, foi realizada a Primeira Eucaristia de centenas de crianças.  Às 14h30, na Igreja de Fátima na Asa Sul, foi realizada a Hora Santa das Religiosas. Às 16h30, na Praça do Congresso, foi celebrada a solene Missa em Rito Oriental, com a seguinte intenção: “Para que venha a nós e a todas as Nações a Paz de Cristo no Reino de Cristo”. No final daquele dia, na mesma Praça do Congresso, foi realizada uma grande vigília dos homens. No último dia do VIII CEN, 31 de maio de 1970, foi realizada a Consagração da Catedral Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Igreja Mãe de nossa Arquidiocese que, neste ano, está completando 50 anos.

 

Às 16h foi celebrada a Santa Missa e teve lugar ainda a Procissão Eucarística de encerramento. Momento singular foi a Radiomensagem do Papa Paulo VI, transmitida via satélite. Na ocasião, o Papa disse: “Que o presente Congresso Eucarístico Nacional fique assinalado, para cada brasileiro, por uma estável aproximação de Deus e de todos entre si, em Cristo, na justiça, na verdade e no amor”.

Hoje, após cinquenta anos da realização do VIII CEN, com os olhos da fé, podemos vislumbrar que esse Congresso Eucarístico foi um evento histórico da Igreja em nossa Arquidiocese e em nosso país, pois revigorou a importância dos sacramentos da iniciação cristã e reafirmou a certeza de que a Mesa do Senhor é o lugar onde os fiéis se reconhecem e acolhem os pobres e os excluídos.

O VIII Congresso Eucarístico Nacional foi fundamental para a vitalidade da Igreja Católica em Brasília. De um certo modo, podemos afirmar que o VIII CEN foi um Pentecostes que renovou e incrementou a fé, o serviço e a doação dos brasilienses. Como fruto precioso deste Pentecostes, podemos citar a consolidação das Paróquias e o fortalecimento dos Movimentos da Igreja.

Recordar é viver. Recordar é atualizar na mente e no coração os laços que nos unem e reforçam nossos ideais e nossa familiaridade. Poder reviver os fatos e os acontecimentos históricos do VIII CEN é saber atualizar em nosso íntimo a certeza de que o VIII CEN foi um tempo de graça, um kairós, um cenáculo de bênçãos.

Hoje, na alegre expectativa da nomeação do futuro arcebispo de Brasília, como testemunhas da presença do Cristo Eucarístico em nosso meio, como construtores do Reino de Deus na Capital do país, devemos professar que “pela comunhão eucarística, estamos todos comprometidos na construção de um mundo unido”. (Texto-base do XVI CEN, página 76).

Quando, por meio do exercício da memória, percebemos que o Senhor caminha conosco no cotidiano da História, nós aprendemos a clamar: “Fazei, Senhor, Vos suplicamos, que cheguemos ao gozo eterno de vossa Divindade, prefigurado neste mundo pela recepção temporal do Vosso Corpo e do Vosso Sangue preciosíssimo. Vós que sois Deus, com o Pai, na unidade do Espírito Santo”. (Oração depois da Comunhão utilizada na Missa das crianças do VIII CEN).  Que a Santíssima Trindade nos ajude a valorizar os sacramentos iniciais da fé e a testemunhar sempre mais que somos os discípulos missionários de Jesus Cristo que, à Mesa do Senhor, não se cansam de suplicar: “Fica conosco, Senhor!”.

Aloísio Parreiras