Representante da Arquidiocese participa de celebração do Dia da Tolerância

 

Na última terça-feira (16) foi celebrado o Dia Internacional da Tolerância. Em um evento oficial organizado pelo diretor do escritório da Liga Islâmica e do Centro Islâmico no Brasil, a Arquidiocese se fez presente com um representante, Padre Rafael Souza, Vigário Episcopal para o Vicariato Norte e Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, na Asa Norte.

O evento foi realizado em forma de Simpósio intitulado “O Documento de Makka Al-Mukarrama e seu papel na promoção da tolerância e na construção de pontes por ocasião do Dia Internacional da Tolerância”. Além do representante da Arquidiocese, Padre Rafael, estiveram presentes os embaixadores da Palestina, Malásia, Jordânia, bem como, outras representações diplomáticas e os chefes da mesquita de Brasília, além do Diretor do escritório da Liga Islâmica, Sr. Tal’at Ai-Maslamani.

Ao fazer uso da palavra, Padre Rafael Souza destacou a importância do diálogo, da unidade e fraternidade, sobretudo no que diz respeito a tolerância religiosa no Brasil, mas também, em todo o mundo. Em sua reflexão, partindo da Epístola de São Paulo aos Coríntios, afirmou que o amor é o vínculo perfeito de unidade, e quando ele rege a humanidade Cristo é conhecido e amado por todos e constrói a unidade entre os irmãos.

 

O que é a Igreja diz sobre o diálogo interreligioso

 

Desde suas origens a Igreja sempre teve uma especial preocupação com a fraternidade universal e o diálogo com os irmãos e irmãs de outras culturas, religiões e crenças. No pontificado do Papa São Paulo VI, organizou-se uma estrutura eclesiástica que tivesse uma responsabilidade maior sobre o assunto e pudesse, de acordo com a Doutrina Católica, realizar essa missão em vistas do bem comum. Foi criado então, o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso.

Este Pontifício Conselho tem como objetivo a promoção do diálogo inter-religioso, em conformidade com o espírito do Concílio Vaticano II, em particular a declaração Nostra Aetate (NA) . As seguintes tarefas estão relacionadas a ele:

  1. promover a compreensão mútua, o respeito e a colaboração entre católicos e seguidores de outras tradições religiosas;
  2. encorajar o estudo das religiões;
  3. promover a formação de pessoas que se dedicam ao diálogo.

 

Para destacar um trecho importante da Declaração Nostra Aetate do Concílio Vaticano II, realça-se o número 5 do documento que afirma: “Não podemos, porém, invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a tratar como irmãos alguns homens, criados à Sua imagem. De tal maneira estão ligadas a relação do homem a Deus Pai e a sua relação aos outros homens seus irmãos, que a Escritura afirma: «quem não ama, não conhece a Deus» (1 Jo. 4,8). Carece, portanto, de fundamento toda a teoria ou modo de proceder que introduza entre homem e homem ou entre povo e povo qualquer discriminação quanto à dignidade humana e aos direitos que dela derivam. A Igreja reprova, por isso, como contrária ao espírito de Cristo, toda e qualquer discriminação ou violência praticada por motivos de raça ou cor, condição ou religião. Consequentemente, o sagrado Concílio, seguindo os exemplos dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, pede ardentemente aos cristãos que, «observando uma boa conduta no meio dos homens. (1 Ped. 2,12), se ‚ possível, tenham paz com todos os homens, quanto deles depende, de modo que sejam na verdade filhos do Pai que está nos céus.”[1]

Em âmbito nacional, o trabalho de diálogo com outras religiões é orientando pela Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB que tem por atribuição promover a unidade dos cristãos e o diálogo com as outras religiões no âmbito da Igreja Católica no Brasil, conforme orientações do Magistério e em atenção ao cenário religioso do país.

[1] Declaração Nostra Aetate. Concílio Vaticano II. n 5.