SANTA JACINTA MARTO

Jacinta de Jesus Marto foi uma das crianças que, em 13 de maio de 2017, junto com seu irmão Francisco e sua prima Lúcia dos Santos, os três pastorinhos de Fátima, foram tocados pelas aparições do Anjo de Portugal e da Virgem Santa Maria. Tal como ocorrera em Lourdes, na França, também em Fátima, em Portugal, a Virgem Maria escolheu crianças como destinatários da sua mensagem. Apesar da pouca idade, essas crianças acolheram, com fidelidade, as mensagens de Nossa Senhora e, por isso, elas são reconhecidas como testemunhas fiéis das aparições marianas.

Santa Jacinta Marto nasceu em 11 de março de 1910, em Aljustrel, Portugal, e foi batizada no dia 19 do mesmo mês, na Igreja Paroquial de Fátima. Ela partiu desta vida aos nove anos de idade, no dia 20 de fevereiro de 1920. Ela foi beatificada por São João Paulo II, no ano 2000, e canonizada, pelo Papa Francisco, em 13 de maio de 2017, ano do centenário das aparições de Fátima.

A vida de Jacinta Marto foi caracterizada pelo espírito de sacrifício, o amor ao Imaculado Coração de Maria, ao Santo Padre, o Papa, e aos pecadores. Santa Jacinta Marto é a santa não mártir mais jovem de toda a história da Igreja Católica. Jacinta era uma criança doce, amável e bem vivaz. Seus pais educaram-na para a oração, e o próprio Senhor Jesus a atraiu de modo mais estreito a Si, por meio da aparição de um Anjo, que, tendo nas mãos um Cálice e uma Hóstia, lhe ensinou a unir-se ao Sacrifício eucarístico em reparação dos pecados. O amor a Jesus Eucarístico ficou impresso no coração de Jacinta e, por isso, mesmo no período da doença, ela se esforçava em ir à Missa durante a semana. Um dia quando sua prima Lúcia tentou retê-la neste propósito, ela respondeu: “Vou à Missa pelos pecadores, que nem no domingo vão”.

Apesar da pouca idade, Jacinta Marto era uma criança extremamente piedosa que não economizava rosários, renúncias e sacrifícios em prol do fim da guerra que estava assolando a Europa e o mundo. Além disso, ela tinha uma intensa compaixão pelas pessoas doentes e se preocupava continuamente com as pessoas que viviam em pecado, longe de Deus e do Seu amor. Para conseguir de Deus a conversão dos pecadores, a cura dos doentes e para, de algum modo, fortalecer a missão do Papa, a pequena Jacinta oferecia pequenos gestos do seu dia a dia como mortificações e sacrifícios reparadores, tais como dividir o lanche com as crianças mais pobres, usar uma corda na cintura que provocava dores, ou até mesmo sangrava, e realizar jejuns em reparação pelos pecados cometidos contra Deus.

No dia 13 de maio de 1918, Jacinta foi uma das videntes que viram e ouviram Nossa Senhora na Cova da Iria. Essas aparições se repetiram, sempre no dia 13, nos meses seguintes até o mês de outubro. Além das aparições da Cova da Iria e uma dos Valinhos, a Virgem de Fátima apareceu a Jacinta mais quatro vezes em casa, durante o período da doença, uma vez na Igreja paroquial, numa quinta-feira da Ascensão, e ainda em Lisboa, no Orfanato que a acolheu no período de tratamento e no hospital.

Em dezembro de 1918, Jacinta começou a manifestar os primeiros sinais da broncopneumonia, que devastou grande parte da Europa recém-saída da Primeira Guerra Mundial. A partir daquele mês, e em decorrência das complicações advindas da doença, Jacinta aceitou a doença e o sofrimento e os transformou em um sólido testemunho de fé, um meio eficaz de santificação das dores em favor da conversão do mundo. Um momento difícil para a pequena Jacinta foi a morte do seu irmão Francisco, em abril de 1919.

Mesmo diante de inúmeras dificuldades, a pequena Jacinta nunca se queixava.  Anos mais tarde, ao se recordar de Jacinta, a sua prima Lúcia escreveu em suas memórias: “Jacinta tinha um porte sempre sério, modesto e amável, que parecia traduzir a presença de Deus em todos os seus atos, próprio de pessoas já avançadas em idade e de grande virtude. Se na sua presença uma criança, ou mesmo um adulto, dissesse ou fizesse qualquer coisa inconveniente, ela o repreendia dizendo: ‘não façam isso, que ofendem a Deus nosso Senhor; e Ele já está tão ofendido! ”

Jacinta, por revelação de Nossa Senhora, tinha conhecimento de que sua morte estava próxima. Mas essa revelação não a abalou. Ao contrário, fortaleceu ainda mais sua fé e esperança em Deus. Em janeiro de 1920, ela precisou ser levada para um hospital em Lisboa. Naqueles dias em Lisboa, ela foi acompanhada bem de perto, no orfanato e no hospital, pela Madre Maria Correia Godinho, que era chamada na congregação pelo nome de madrinha. Essa Madre teve muitos diálogos com Jacinta e gostava de anotar as frases ditas pela pequena enferma. Entre outras frases, a Madre registrou em seus apontamentos algumas lições de Jacinta: “Os padres só deviam ocupar-se das coisas da Igreja”. “Se os homens soubessem o que é a eternidade, fariam de tudo para mudar de vida”.

No dia 20 de fevereiro de 1920, às 22h30, Jacinta morreu, aos nove anos de idade. Faltavam apenas duas semanas para completar dez anos. Sua primeira sepultura foi num túmulo emprestado, o jazigo do Barão de Alvaiázere, em Ourém. No dia 1º de maio de 1951, seus restos mortais, seu corpo incorrupto, e o corpo de seu irmão Francisco foram trasladados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário de Fátima. No dia 13 de maio de 2000, o Papa João Paulo II beatificou os servos de Deus Francisco e Jacinta Marto. Finalmente, no dia 13 de maio de 2017, o Papa Francisco canonizou Jacinta e o seu irmão Francisco.

A Festa Litúrgica dos Santos Francisco e Jacinta Marto é comemorada no dia 20 de fevereiro, dia da páscoa de Jacinta para o céu. Na homilia da canonização de Jacinta e Francisco Marto, em Fátima, no dia 13 de maio de 2017, o Papa Francisco disse que “os três pastorinhos ficavam dentro da Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora. Envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera. No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é, sobretudo, este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra, quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha: mostrai-nos Jesus! ”.

Antes de ir para Lisboa, para ser internada no hospital, Jacinta tinha conhecimento de que não voltaria viva para Fátima. Em uma de suas últimas conversas com sua prima Lúcia, ao conversarem sobre o céu, Lúcia questionou o que ela faria ao chegar ao céu. A pequena Jacinta respondeu: “Eu vou amar muito a Jesus, o Coração Imaculado de Maria, pedir muito por ti, pelos pecadores, pelo Santo Padre, pelos meus pais e meus irmãos e por todas as pessoas que me pediram para pedir por elas”. Na resposta de Jacinta, podemos perceber a certeza da eternidade e o anúncio de sua intercessão em favor de todos aqueles que a ela recorrerem em suas necessidades.

Hoje, contemplando a vida e o testemunho de Jacinta e Francisco Marto, nós podemos afirmar, utilizando as palavras de São Pio X: “Há santos entre as crianças!”. Podemos também exercitar nossa devoção para com essas santas crianças, rogando: Santa Jacinta e São Francisco Marto, rogai por nós! Santa Jacinta e São Francisco Marto, concedei-nos a simplicidade das crianças e um renovado amor ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria!

Aloísio Parreiras

2020-04-17T20:52:06-03:0017/04/2020|