SANTA MARIA MADALENA

Nos últimos séculos, muitas inverdades foram ditas sobre Maria Madalena. Em livros que se transformaram em best-sellers, inúmeras sandices foram divulgadas sem nenhum critério. Em função disso, é importante que saibamos quem foi, de fato, Maria Madalena, a mulher que São Tomás de Aquino chamou de “apóstola dos apóstolos”, porque foi ela quem anunciou aos Apóstolos, atemorizados e trancados no cenáculo, a feliz ressurreição de Jesus Cristo.

Para evidenciar a real importância de Maria Madalena na história da Igreja, no ano de 2016, na vigência do Ano Santo da Misericórdia, o Papa Francisco, por meio da Congregação para o culto divino e a disciplina dos sacramentos, publicou um decreto com o qual definiu que a celebração de Santa Maria Madalena, que até aquele dia era Memória obrigatória, seria elevada no Calendário romano geral à categoria de Festa. O Papa justificou essa mudança afirmando: “A decisão inscreve-se no atual contexto eclesial, que exorta a refletir mais profundamente sobre a dignidade da mulher, a nova evangelização e a grandeza do mistério da misericórdia divina”.

Maria Madalena era originária de Magdala, pequena cidade da Galileia, e é seguramente uma das mulheres discípulas de maior destaque nos Evangelhos. O Evangelho, em nenhum momento, afirma que ela fosse uma prostituta ou que levasse uma vida leviana, e não existe nenhum fundamento bíblico para considerá-la como a prostituta arrependida que pediu perdão a Cristo pelos seus pecados.

O que Lucas nos diz em seu Evangelho é que Cristo “andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Nova do Reino de Deus. Os Doze o acompanhavam, assim como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios”. (Lc 8, 1-2). Libertada do poder do maligno, Maria Madalena passou a integrar o grupo das santas mulheres que acompanharam Cristo no desenvolvimento de Sua missão.

Desde aquele primeiro encontro com o Cristo, “Madalena seguiu até ao Calvário Aquele que a curara. Esteve presente na crucifixão, morte e sepultura de Jesus. Juntamente com Maria Santíssima e o discípulo amado, acolheu o Seu último suspiro e o silencioso testemunho do lado trespassado: compreendeu que, naquela morte, naquele sacrifício, estava a sua salvação. E o Ressuscitado quis mostrar o Seu corpo glorioso antes de tudo a ela, que chorou intensamente a Sua morte”. (Papa João Paulo II, “Celebração Eucarística com os sacerdotes da Diocese de Aosta em julho de 2000”).

Após permitir que sua vida fosse transformada pela graça de Cristo, Santa Maria Madalena viveu uma vida de penitente e se tornou uma corajosa discípula missionária do Senhor. Sua fidelidade ao Cristo levou-O a afirmar: “Em verdade vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez”. (Mt 26, 13). Desse modo, Cristo deixa claro que Maria Madalena é um exemplo e modelo para todas as mulheres na Igreja.

Uma das lições que devemos aprender com Santa Maria Madalena é que devemos testemunhar, sem medo, o nosso encontro com o Cristo vivo e ressuscitado, pois ela foi uma das primeiras a ver o nosso Redentor ressuscitado. Com ela, devemos aprender a professar: “Vi o Senhor!” (Jo 20, 18). Em sua humildade, Maria Madalena nos ensina que devemos chorar profundas lágrimas de arrependimento todas as vezes que perdemos o contato com nosso Senhor. Ela também nos ensina que as raízes da nossa vocação missionária se solidificam na nossa experiência pessoal do encontro com nosso Redentor.

No Domingo da ressurreição, Maria Madalena, ainda de madrugada, foi a primeira a ver que o sepulcro do Senhor estava vazio. Sem perder tempo, ela foi correndo procurar os Apóstolos e disse a eles: “Retiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O colocaram”. (Jo 20,2). Maria Madalena retornou ao sepulcro e ficou do lado de fora do túmulo, chorando e afirmando: “Minha alma desfalece!” (Ct 5,6). Ou ainda: “Estou ferida de amor!” (Ct 5,8).

Chama a nossa atenção “a intensidade do amor que ardia no coração daquela mulher, que não se afastou do sepulcro do Senhor mesmo quando os discípulos se retiraram. Procurava Aquele a quem não tinha encontrado, procurava-O chorando e, inflamada pelo fogo do seu amor, ardia em desejos de encontrar Aquele que julgava terem tirado dali. E assim aconteceu que foi a única que o viu naquele momento; porque, na verdade, o que dá força às obras é a perseverança nelas”. (São Gregório Magno, Homilias sobre os Evangelhos).

Após o encontro com o Cristo ressuscitado, Maria Madalena assumiu-se como uma autêntica e entusiástica testemunha da ressurreição do Senhor. Com júbilo e renovada alegria, ela saiu em disparada, anunciando em Jerusalém e nos arredores que Cristo venceu a morte e, n’Ele, o homem é chamado de modo admirável e real a participar da vida sobrenatural da graça.

Santa Maria Madalena nos convida a atravessar a triste noite sem Cristo e a ratificar a alegria pascal, que é consequência da comunhão com o Cristo. A ela, hoje, dirigimos um hino, dizendo: “Ó estrela feliz de Magdala, para ti nosso culto e louvor, Jesus Cristo te uniu a Si mesmo por estreita aliança de amor… Testemunha primeira, tu foste anunciar que Jesus ressurgiu. Guia o povo na Páscoa nascido, nos caminhos que Cristo seguiu!” Santa Maria Madalena, rogai por nós e ensinai-nos a permanecer juntos ao Cristo, testemunhando os sinais da divina misericórdia em nossas vidas!

Aloísio Parreiras

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