SANTA MÔNICA

A História do Cristianismo está constelada de inúmeros exemplos de pais santos
e de famílias cristãs autênticas, que acompanharam com a oração, os ensinamentos e o
testemunho de vida o processo de conversão dos filhos e de outros familiares. Pensemos
em São Basílio Magno e em Santa Teresa de Lisieux, ambos pertencentes a famílias de
santos.
Um fecundo exemplo de uma mãe de família que não poupou lágrimas
benéficas, preces e intercessões pelos seus filhos, nós encontramos em Santa Mônica de
Hipona, mãe de Santo Agostinho, considerada modelo e padroeira das mães cristãs.
Santa Mônica nasceu na cidade de Tagaste, na Argélia, no norte da África, no
ano de 332, no século IV, numa família cristã, e viveu de modo exemplar a sua missão
de esposa e mãe, ajudando o próprio marido, chamado Patrício, a descobrir a fé em
Jesus e a alegria do Evangelho, que é capaz de vencer o mal com o bem.
Mônica e Patrício tiveram três filhos: Agostinho, Navigio e Perpétua. A vida
conjugal não foi fácil para Mônica, pois o seu esposo era um homem rude e violento e,
por isso, causou-lhe muitos sofrimentos. Todavia, como cristã exemplar que era, ela se
preocupava com a conversão de todas as pessoas de sua família. Desse modo, se
consumiu na oração pelo marido pagão e, principalmente pelo filho mais velho,
Agostinho, que vivia no pecado e nos vícios, procurando respostas para os seus
questionamentos e a felicidade fora da Igreja de Cristo.
Uma importante lição que Santa Mônica deixou para as famílias e, em especial,
para as mães: além de educar os filhos para a vida na sociedade, é preciso também
educá-los para Deus e a Igreja, desenvolvendo neles a vida espiritual. Mas a lição
essencial que devemos aprender com Santa Mônica é a certeza de que, por meio da
oração, podemos abrir as portas da Igreja e do coração de Jesus para os nossos
familiares, pois, após inúmeras preces pela conversão de seu esposo e de seus filhos, ela
contemplou a conversão de todos.
As principais notícias sobre Santa Mônica nós encontramos no livro “As
confissões” de Santo Agostinho. Nesse livro, Agostinho nos revela: “Eu bebia o nome
de Jesus com o leite materno. Minha mãe, fiel cristã, chorava por mim muito mais do
que as outras mães costumam chorar sobre o cadáver de seus filhos, porque via a minha
morte espiritual, a minha falta de fé. Deus havia de escutar os seus rogos e as suas
lágrimas, que regavam o solo em que orava”.
A perseverança de Santa Mônica na oração é um exemplo admirável de fé e de
confiança no Senhor, mesmo em meio às adversidades da vida. Um certo dia, ela
hesitou, momentaneamente, e se questionou se suas preces seriam ouvidas por Deus.
Naquele momento, ela escutou do Bispo Ambrósio: “Vá em paz e fique tranquila.
Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.
Cada vez mais convicta de que suas preces seriam ouvidas pelo Cristo, Mônica
perseverou na oração pela conversão de Agostinho durante 33 anos. Suas preces foram

recebidas no Sagrado Coração de Jesus, que atendeu aos seus pedidos: Agostinho
recebeu o batismo, abraçou a fé, mudou de vida e transformou-se em um cristão
convicto e atuante. Agostinho não só se converteu, mas decidiu abraçar a vida
monástica e, regressando para a África, fundou uma comunidade de monges. Anos
depois, ele se tornou Bispo e, quando se recordava do amor de sua mãe, ele professava:
“Ela me gerou, seja na sua carne para que eu viesse à luz do tempo, seja com o seu
coração para que eu nascesse à luz da eternidade”.
Nos últimos anos de sua vida, Santa Mônica afirmava ao seu filho, Agostinho:
“Uma única coisa me fazia viver ainda um pouco, ver-te cristão antes de morrer!”. Essa
santa mulher, modelo de mãe atenta e fiel, faleceu no dia 27 de agosto do ano de 387,
aos 56 anos, depois de ter pedido aos filhos que não se preocupassem com a sua
sepultura, mas que a recordassem onde quer que se encontrassem, diante do altar do
Senhor. No ano de 1430, no século XV, o seu corpo foi transportado para Roma e
depositado na Igreja de Santo Agostinho. Ela foi canonizada pelo Papa Alexandre III,
por ter sido a responsável pela conversão de Agostinho e por ter vivido e ensinado a fé
cristã, a moral e a mansidão.
Santa Mônica nos ensina que os filhos devem ser gerados duas vezes. Uma
primeira vez para a vida natural e a segunda vez para a vida sobrenatural da graça.
Devido à sua fidelidade a Deus e à sua constante oração pelos seus familiares, Santa
Mônica evidencia que as dificuldades, as tristezas e as sombras podem se fazer
presentes em diversos lares, causando angústias para muitas mães.
Essas mães que choram e sofrem o afastamento dos filhos da vida de Deus e da
Igreja não podem se esquecer de que não estão sozinhas, pois, da dimensão invisível da
Igreja, elas são acompanhadas por Santa Mônica de Hipona, mulher sábia, prudente e
sólida na fé, que as convida a não desanimar, mas a perseverar na missão de esposas e
mães, atualizando, com fortaleza e determinação, a confiança em Cristo e apegando-se
com perseverança à oração.
Santa Mônica, rogai por nós, a fim de que possamos esperar, com paciência, o
tempo e o momento de Deus na vida de nossos familiares. Ajudai-nos, Santa Mônica, a
confiar sempre mais na vontade do Senhor, com a consciência de que somente Deus é o
nosso descanso, apoio e fortaleza. Santa Mônica, ao contemplar sua vida e testemunho,
com sabedoria, nós podemos professar: “A mulher que teme a Deus será louvada; seus
filhos a proclamam feliz e seu marido a elogia!”. (Pr 31, 30.28).

Aloísio Parreiras
(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-08-27T14:55:50-03:0027/08/2020|