SANTA PAULINA

“A estrada dos justos é como a luz, cresce do amanhecer até o pleno dia”. (Pr
4,18). Essa é a antífona de entrada da Memória litúrgica de Santa Paulina do Coração
agonizante de Jesus, a primeira santa do Brasil e a fundadora da Congregação das
Irmãzinhas da Imaculada Conceição, a primeira congregação feminina fundada em
nosso país.
Amábile Lúcia Visintainer, hoje Santa Madre Paulina, nasceu aos 16 de
dezembro de 1865, em Vígolo Vattaro, Província de Trento, na Itália. Ela era a segunda
filha de Antônio Napoleone Visintainer e Anna Pianezzer. Quando tinha apenas dez
anos de idade, a sua família, com muitos outros trentinos, emigrou para o Brasil,
dirigindo-se para o Estado de Santa Catarina, no atual município de Nova Trento. Eles
foram movidos pela oportunidade de melhores dias que o Brasil Império oferecia aos
imigrantes que desejassem trabalhar na lavoura do café e, ao mesmo tempo, pelas
doenças e carestia que assolavam a região italiana de Trento.
Assim que chegou a Santa Catarina, Amábile conheceu Virgínia Rosa Nicolodi e
tornaram-se grandes amigas, pois as duas se confessavam apaixonadas pelas coisas de
Deus e pela Igreja. Quando tinha doze anos, Amábile fez a Primeira Comunhão e, logo
depois, começou a participar no apostolado de sua paróquia ajudando na catequese das
crianças, nas visitas aos enfermos e na limpeza da Capela de Vigolo.
Buscando sempre mais corresponder ao amor de Jesus, Amábile ampliou o seu
campo de ação. Ele dedicava-se de corpo e alma à caridade, consolava e socorria os
necessitados, os idosos, os abandonados e as crianças. No ano de 1888, ela teve o
primeiro de seus três sonhos com a Virgem Maria. Nesses sonhos, a Mãe de Deus e da
Igreja disse a ela: “Amábile, é meu ardente desejo que comeces uma obra: trabalharás
pela salvação de minhas filhas”. Amábile respondeu: “Mas como fazer isso, minha
Mãe? Não tenho meios, sou tão miserável, ignorante”. Quando acordou após o terceiro
sonho, Amábile assim respondeu em oração: “Servir-vos Minha querida Mãe. Eu sou
uma pobre criatura, mas para satisfazer o vosso desejo, prometo me esforçar o máximo
que eu puder!”.
Impulsionada pelos sonhos com a Virgem Santa Maria, ela buscou a ajuda e
permissão de seu pai para construir um pequeno casebre, num terreno próximo à capela,
para lá rezar, ensinar catecismo às crianças e cuidar dos enfermos. Não passou muito
tempo até que a jovem Amábile se visse diante do cumprimento de sua missão, quando
uma mulher adoeceu gravemente de câncer na comunidade em que morava. Movida
pelo sentimento de compaixão, ela convidou sua amiga Virginia para, juntas,
acompanharem a enferma que já estava no estágio final da doença. Era o dia 12 de julho
de 1890, data considerada como o dia da fundação da Congregação das Irmãzinhas da
Imaculada Conceição. Naquele tempo, Amábile e Virginia só podiam contar com a
Providência Divina, e essa bastou.
No mês de dezembro do ano de 1895, Amábile, Virgínia e uma outra jovem,
Teresa Anna Maule, fizeram os votos religiosos. Naquele dia, Amábile recebeu o nome

de Irmã Paulina do Coração agonizante de Jesus. A santidade de vida e a intimidade
com Deus vivenciados por essas três irmãs atraíram muitas vocações religiosas, apesar
da pobreza e das dificuldades em que viviam. Diante dos contratempos e desafios do dia
a dia, Irmã Paulina buscava fortalecer a fé das religiosas, dizendo: “Confiai sempre
muito na Divina Providência; nunca, jamais, desanimeis, embora venham ventos
contrários. Novamente vos digo, confiai em Deus e em Maria Imaculada; permanecei
firmes e radiantes”.
No ano de 1903, nos primeiros anos do século XX, Madre Paulina foi eleita
Superiora Geral por toda a vida pelas Irmãs da nascente congregação. Logo depois, ela
se transferiu para São Paulo, fixando-se no bairro do Ipiranga, onde deu início à obra da
Sagrada Família que visava abrigar os ex-escravos e seus filhos depois da abolição da
escravatura, ocorrida em 1888, pois a abolição da escravatura não trouxera para os
negros melhores condições de formação educacional, emprego, saúde e moradia. A obra
da Sagrada Família tentava, de alguma forma, proporcionar aos ex-escravos tudo aquilo
que o Estado não lhes concedia. Além dos ex-escravos, a obra da Irmã Paulina também
abrigava outros marginalizados e excluídos do nosso país que estava vivenciando suas
primeiras décadas sob a forma de governo republicana.
A Obra da Irmã Paulina, principalmente por dar voz e vez aos pobres e
esquecidos de nossa sociedade, foi mal compreendida e, por isso, ela foi deposta do
cargo de Superiora Geral e enviada a trabalhar com os doentes da Santa Casa e os
velhinhos do Asilo São Vicente de Paulo em Bragança Paulista, sem poder nunca mais
ocupar algum cargo na sua congregação. Naqueles anos, Madre Paulina buscou no
Cristo agonizante na Cruz a fé e a esperança necessárias para santificar as perseguições
e os sofrimentos.
No ano de 1918, Madre Paulina foi chamada pela Superiora Geral, Madre
Vicência Teodora, sua sucessora, à Casa Madre no Ipiranga, e aí permaneceu até a sua
morte, numa vida de retiro, de silêncio, de contemplação e de oração. A partir do ano de
1938, ela começou a demonstrar graves distúrbios em decorrência de diabetes. Ela foi
submetida a duas cirurgias, nas quais sofreu amputação do dedo médio e depois do
braço direito e, nos últimos meses de sua vida, perdeu a visão.
Santa Paulina do Coração agonizante de Jesus faleceu no dia 9 de julho de 1942
e suas últimas palavras foram: “Seja feita a vontade de Deus!”. No dia 18 de outubro de
1991, ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em Florianópolis, Estado de Santa
Catarina, quando o Papa visitou, oficialmente, o Brasil. O mesmo pontífice canonizou-a
no ano de 2002, tornando-se, assim, a primeira santa do Brasil.
Ainda que não fosse brasileira de nascimento, Santa Paulina do Coração
agonizante de Jesus viveu a maior parte de sua vida na entrega incondicional e amorosa
aos pobres e excluídos deste país e, por isso, ela é para todos nós um sólido exemplo de
confiança ilimitada em Deus e em Nossa Senhora, alicerçados pela vivência eucarística
e pelo exercício da devoção mariana.

Santa Paulina do Coração agonizante de Jesus, ensinai-nos a concretizar gestos
de serviço e de atenção aos pobres e abandonados de nossa sociedade. Fortalecei a
nossa disponibilidade em servir a Deus e à Igreja e ajudai-nos a socorrer os enfermos e
os necessitados com a caridade cristã que emana do Sagrado Coração de Jesus. Santa
Paulina do Coração agonizante de Jesus, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

2020-07-09T08:31:42-03:0009/07/2020|