SANTA TERESA DE LISIEUX

“Deus cercou-a de cuidados e a instruiu, guardou-a como a pupila dos Seus olhos. Ele abriu Suas asas como a águia e em cima dos Seus ombros a levou. E só Ele, o Senhor, foi o seu guia”. (Dt 32, 10). Essa é a antífona de entrada da Memória Litúrgica de Santa Teresa de Lisieux, que também é conhecida pelo nome de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, a padroeira das missões e a mais jovem doutora da Igreja. Teresa de Lisieux viveu apenas 24 anos, mas deixou um grande legado de amor para a Igreja, o qual se tornou muito conhecido com o passar do tempo.

Maria Francisca Teresa Martin Guérin nasceu em Alençon, na França, no dia 2 de janeiro de 1873, no século XIX, em uma família modesta e temente a Deus. Os seus pais, Louis Martin e Zélia Guerin, que foram canonizados, em 2015, pelo Papa Francisco, tiveram nove filhos dos quais sobreviveram cinco. Teresinha foi a nona e última filha deste santo matrimônio. Logo após o seu nascimento, a sua mãe não pôde alimentá-la e, por isso, ela passou o primeiro ano da sua vida no campo, onde era alimentada por uma ama.

Quando tinha apenas quatro anos, Teresa ficou profundamente abalada com a morte da mãe e, por isso, ela se apegou à sua irmã mais velha, Paulina, que passou a ser sua segunda mãe. Paulina, porém, seguindo a própria vocação, entrou para o Carmelo. Pouco tempo depois, a pequena Teresa foi atingida por uma grave doença, causando preocupações em seu pai e nas irmãs. Ela sarou por uma graça divina, que ela própria define o “sorriso de Nossa Senhora”. Um dia, olhando para a imagem da Imaculada Conceição de Maria, de quem seus pais eram devotos, a Virgem Maria sorriu para Teresinha e esta ficou curada. Desse dia em diante, ela decidiu entrar para o Carmelo.

Com apenas 15 anos de idade, no dia 9 de abril de 1888, e com a autorização do Papa Leão XIII, Teresa entrou para o Carmelo com o nome de Teresa do Menino Jesus. A este nome se lhe acrescentaria posteriormente “e da Sagrada Face”. Naquele Carmelo, a sua vida se desenvolveu na humildade, na simplicidade e na plena confiança em Deus. Ali, naquele lugar de silêncio e de oração, ela abraçou a decisão de ser santa. Diante das dificuldades da vida espiritual ela não perdia o ânimo e nem a fé e gostava de afirmar: “Deus não inspira desejos impossíveis. Não tenho que me fazer mais do que sou, mas sim me aceitar tal como sou, com todas as minhas imperfeições”.

No cotidiano do Carmelo de Lisieux, Teresinha levou a sério o caminho da perfeição escrito por sua fundadora Santa Tereza D’Ávila. Porém, ela revelou ao mundo um detalhe extremamente importante: a perfeição e a santidade podem estar nas pequenas coisas, nos pequenos gestos e nas obrigações diárias que podemos realizar com renovado amor. Ela dizia: “Sigamos o caminho da simplicidade. Entreguemo-nos com todo o nosso ser ao amor. Em tudo busquemos fazer a vontade de Deus. O zelo pela salvação das pessoas devore nosso coração”.

Um certo dia, em oração, Teresinha sentiu que o seu carisma era o amor e, por isso, ela disse: “No coração da Igreja, eu serei o amor”. Ela tinha um profundo e sincero desejo de ser missionária, mas nunca saiu do Carmelo de Lisieux. Não obstante, ela é a padroeira das missões, pois sempre rezou pelos missionários e ofereceu suas dores e sofrimentos por eles. Sempre que pensava nas dificuldades que os missionários poderiam estar atravessando, ela gostava de dizer: “Um passo a mais pelos missionários”.

Santa Teresinha cultivava o hábito de jogar pétalas de rosas ao ver passar o Santíssimo Sacramento no ostensório. Ela gostava também de jogar flores no grande crucifixo que ficava no jardim do Carmelo. Com esses simples e belos gestos, ela nos ensina a pequena via da infância espiritual, ou seja, ela nos ensina que podemos expressar o nosso amor por Deus por meio de atos pequenos, mas repletos de amor. Pouco antes de morrer, ela afirmou: “Vou fazer chover sobre o mundo uma chuva de rosas”. Afirmando assim que iria interceder junto a Deus, sempre, por todos os povos. Nasceu aí, a Novena de Santa Teresinha, onde o fiel espera receber uma rosa como sinal de que seu pedido será atendido.

A pedido de sua irmã Paulina, Teresa escreveu três manuscritos que são sua autobiografia, que foram publicados em 1898, com o título de História de uma Alma, o relato da sua história de salvação que revolucionou a espiritualidade da Igreja até ao ponto de Teresinha ser declarada doutora universal da Igreja. Ela também escreveu Cartas, Poemas, Orações e pequenas obras de teatro para as festas comunitárias. Nesses escritos, ela nos ensina a teologia profunda da simplicidade, a pequena via de santidade, um caminho de justiça baseado nas pequenas coisas, no somatório de pequenos gestos de amor.

Na Páscoa de 1896, Teresa adoeceu de tuberculose. Três dias depois começou a prova da fé, que durou até à sua morte. Ela suportou a prova e venceu-a com atos mais firmes de sabedoria e de amor. “Teresa faleceu na noite de 30 de setembro de 1897, pronunciando as simples palavras “Meu Deus, amo-Te!”, olhando para o Crucifixo que estreitava nas suas mãos. Estas últimas palavras da Santa são a chave de toda a sua doutrina, da sua interpretação do Evangelho. O ato de amor, expresso no seu último suspiro, era como que o contínuo respiro da sua alma, como o pulsar do seu coração. As simples palavras “Jesus, amo-Te” estão no centro de todos os seus escritos. O ato de amor a Jesus imerge-a na Santíssima Trindade. Ela escreve: “Ah, tu sabes, amo-te Menino Jesus, o Espírito de Amor inflama-me com o Seu fogo. É amando-Te que eu atraio o Pai” (Papa Bento XVI, Audiência em 6 de abril de 2011).

No seu enterro, no cemitério de Lisieux, não compareceram mais de trinta pessoas. Entretanto, esta jovem santa deixou um grande legado de amor para a Igreja que se conheceria com o passar dos anos, sobretudo por meio de seu livro História de uma Alma. Ela foi beatificada em 1923 e canonizada em 1925, pelo Papa Pio XI, que a declarou “Padroeira Universal das Missões Católicas, em 1927. No dia 19 de outubro de 1997, o Papa João Paulo II a proclamou doutora da Igreja. Na ocasião, ele afirmou: “Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face é a mais jovem dos ‘Doutores da Igreja’, mas seu ardente itinerário espiritual manifesta tal maturidade, e as intuições de fé expressas em seus escritos são tão vastas e profundas, que lhe merecem um lugar entre os grandes professores do espírito”.

Peçamos hoje a Santa Teresa de Lisieux a capacidade de amar a Igreja com zelo, fé, esperança e santidade. Peçamos também que ela nos ajude a compreender que “o amor não deve se traduzir somente por palavras”. Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, rogai por nós!

Aloísio Parreiras 

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)