SANTAS MULHERES INSPIRADORAS

Um sério e aprofundado estudo da história da Igreja revela-nos que, desde o início da era cristã, a Igreja soube reconhecer a missão e o papel da mulher nas comunidades cristãs e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Por mais que digam o contrário antigas vozes iluministas e relativistas, somos chamados a reconhecer que, desde os seus primeiros passos, a Igreja tem levantado a voz denunciando que “é a mulher que sofre mais duramente as consequências da confusão, da superficialidade de uma cultura que é fruto de mentes masculinas, de ideologias machistas que enganam a mulher, desorientando-a no mais profundo do seu ser, embora digam que querem libertá-la”. (Cardeal Joseph Ratzinger, “A fé em crise?  Página 67”).

Nos livros do Antigo Testamento, a força e a coragem que são notórias em santas mulheres – como Rute, Ester e Judite – conquistam a nossa simpatia e prendem a nossa respiração ao percebermos o espírito de defesa da fé e a renovada esperança destas mulheres que jamais foram frágeis. Já no Novo Testamento, as santas mulheres são, em muitos momentos, protagonistas na difusão da Boa Nova da Salvação. Com a mulher cananeia (Mt 15, 21-28), que dialoga com o Cristo suplicando a cura da filha endemoniada, aprendemos que temos que ir além dos limites; temos que superar as severas convenções, para que possamos realizar a necessária solidariedade. Com a mulher samaritana (Jo 4, 1-42), somos chamados a romper com o preconceito e abraçar um autêntico ecumenismo. Com Maria Madalena, Joana, Suzana e tantas outras mulheres (Lc 8, 1-3), temos que aprender a colocar os nossos bens materiais a serviço do Reino de Deus.

Temos também que aprender com as santas mulheres a permanecer aos pés da Cruz de Jesus professando que, se preciso for, abandonaremos tudo para segui-Lo. No Calvário de Jesus Cristo, com a exceção do jovem apóstolo João, os homens que seguiam ao nosso Redentor desapareceram, ou se mantiveram a distância.  Mas, três mulheres que estavam no Calvário, com a determinação e a coragem do amor, se mantiveram firmes na fé e na justiça. Essas três mulheres possuem o nome de Maria: Maria Madalena, Maria de Cléofas e Maria, a Mãe de Jesus.

Pelo relato dos Atos dos Apóstolos, descobrimos o testemunho de fé de Lídia que, mesmo em meio às sangrentas perseguições, acolhia os cristãos em sua casa, movida pela fidelidade ao Senhor. Com Tabita – mulher “notável pelas obras e esmolas que fazia”. (At 9,36) – saltam aos olhos as obras de misericórdia da Igreja para com as viúvas, os excluídos e os marginalizados. Com Priscila (At 18), artesã da Ásia Menor, descobrimos que o trabalho é também um meio de santificação.

Um constante estímulo da fé cristã é, sem sombra de dúvida, a coragem e a alegria das mártires que vislumbramos em Felicidade, Perpétua e Cecília, pois, nos primeiros séculos do Cristianismo, elas não se dobraram às perseguições e morreram bradando uma incondicional entrega ao Cristo. No encontro com o testemunho das santas mulheres, é possível realmente viver um encontro com a santidade vivenciada pelos membros da Igreja no decorrer dos vinte e um séculos da era cristã, em paralelo com as alegrias e as dificuldades de inúmeras gerações.

Em muitas páginas da história da nossa Igreja, nos períodos medievais, modernos e contemporâneos, somos confortados pelo exemplo e pela mediação de inúmeras mulheres santas, que deixaram seus nomes na memória histórica do Cristianismo, pois contribuíram de maneira marcante na construção da civilização do amor. Graças ao poderoso exemplo de humildade, de empreendedorismo, do pioneirismo renovador das obras, fundações e congregações religiosas e do trabalho de excelência demonstrado por santas mulheres, tais como Clara de Assis, Catarina de Sena, Mônica, Teresa d’Ávila, Teresa de Lisieux, Maria Gorete, Teresa Benedita da Cruz, Rita de Cássia, Rosa de Lima, Hildegarda de Bingen, Bakita, Teresa de Calcutá, Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Dulce dos Pobres e inúmeras outras, hoje, podemos notar a suave presença e a contínua assistência do Espírito Santo na vida da Igreja que, para testemunhar que a obra é de Deus, em muitas situações, escolheu mulheres, que são vistas como seres mais fracos, para evidenciar a grandeza do Altíssimo.

Ainda hoje, neste Terceiro Milênio da era cristã, como membros da Igreja, somos convocados a professar que as mulheres que abraçam a mensagem salvífica de Cristo e se identificam com o exemplo de serviço da Virgem Maria – Mulher santíssima, por excelência – transformam-se em fiéis e ousadas discípulas e missionárias de Jesus na sociedade, na família, na profissão civil, no serviço da Boa Nova da Salvação. O rosto feminino da santidade continua resplandecendo na vida da Igreja como uma contribuição não inferior à dos homens, afirmando-se sempre mais como um compromisso evidente da luta pela defesa da dignidade da mulher.

Hoje é um tempo propício para se olhar, com coragem, a memória histórica e cristã das santas mulheres, pois “onde quer que venha a ser proclamado o Evangelho, em todo o mundo, o que elas fizeram será contado em suas memórias”. (Mc 14, 9). Que a Virgem Maria, a mais santa das mulheres, proteja as mulheres religiosas, missionárias, consagradas, catequistas, teólogas, médicas, costureiras, professoras, mães de famílias, velando pelo nobre serviço empreendido pelas mulheres em prol da justiça, da paz e do advento do Reino dos Céus. Assim seja! Amém!

 

Aloísio Parreiras     
2020-05-11T16:50:41-03:0011/05/2020|