Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja

Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja, fundador da
Congregação do Santíssimo Redentor, padroeiro dos estudiosos de teologia moral e dos
confessores, é um dos santos mais populares do século XVIII, devido ao seu estilo
simples e à sua doutrina sobre o sacramento da Reconciliação, pois ele aconselhava aos
confessores que administrassem esse sacramento de cura e de libertação com ternura e
acolhimento, manifestando os sinais acolhedores da divina misericórdia.

Contemplando a vida e a história de Santo Afonso, nós adquirimos a certeza de
que os santos são pessoas que imitaram a Cristo e ofereceram um claro testemunho de
sua fé pelas obras praticadas e pela vivência heroica das virtudes. Desse modo, os santos
são pontes entre Deus e nós, pois esses seres humanos superaram o egoísmo, o mal e o
pecado e evidenciaram que a felicidade plena só pode ser alcançada no encontro com a
Pessoa de nosso Redentor.

Os escritos espirituais de Santo Afonso fazem parte do tesouro da Igreja que
devemos aprender a explorar, pois seus ensinamentos extremamente preciosos e cheios
de alento espiritual sobre a oração, o amor de Cristo, a Eucaristia, o Sacramento da
Reconciliação e a Virgem Santa Maria são fontes de luz que clareiam o nosso caminho
rumo ao céu. São também mananciais de sabedoria onde podemos saciar a nossa sede
de eternidade.
Santo Afonso nutria uma grande devoção para com a Santíssima Virgem Maria
e, por isso, ele nos ensina que o “retorno a Jesus começa por um grande amor a Maria”.
Durante a sua vida, cotidianamente, ele se confiou sob a proteção de Nossa Senhora.
Nos pequenos gestos de piedade, Santo Afonso testemunhava os sinais da devoção
mariana. Sempre que ele ouvia os sinais anunciando a hora do Ângelus, ele se ajoelhava
para rezar e saudar com afeto a sua Mãe e Senhora, suplicando sempre: “Minha Mãe,
fazei que eu me lembre sempre de vós!”.
Em seu quarto, ele mantinha diante dos olhos uma imagem da Mãe do Bom
Conselho à qual recorria em todas as necessidades. No pescoço, trazia um escapulário
de Nossa Senhora do Carmo e nos bolsos, um rosário que era uma de suas orações
prediletas e, por isso, rezava-o mais de uma vez por dia.
As Festas litúrgicas dedicadas à Virgem Santa Maria sempre foram momentos
de intensa devoção mariana de Santo Afonso. Ele se preparava para essas festas
escrevendo devotas novenas e convidando o povo a rezar com ele. Além disso, nas
vésperas dessas festas, ele fazia jejum e recorria à intercessão de Maria, apresentando os
pedidos e as necessidades dos fiéis. Aos sábados, ele vivia intensamente a devoção a
Nossa Senhora e onde encontrasse uma imagem de Maria, gostava de parar, a fim de
beijar as suas mãos.
Santo Afonso nos ensina que, para perseveramos na fé e na santidade, é
essencial buscarmos o apoio de Nossa Senhora para que ela seja a nossa intercessora
diante de Cristo. Nesse sentido, ele nos questiona: “Como poderá Deus, cujo amor por

Maria é sem medida, deixar de ouvi-la quando pede pelos pobres pecadores, que a ela
recomendam? Quem ignora o poder das preces de Maria junto de Deus? Maria abre o
oceano imenso da misericórdia de Deus a quem quer, quando quer e como quer. Pelo
que não há pecador, nem o maior de todos, que se perca, se Maria o protege”. (As
glórias de Maria).
A todos aqueles que recorriam à sua direção espiritual, buscando crescer na
correspondência ao amor de Deus, Santo Afonso gostava de aconselhar o hábito de
cultivar a devoção à Virgem Maria, afirmando: “Com Maria, chegamos, antes, mais e
melhor às metas sobrenaturais que nos tínhamos proposto”.
A Virgem Santa Maria está presente nos diversos livros escritos por Santo
Afonso de Ligório. De um modo especial, em dois deles: Visitas a Jesus Sacramentado
e a Nossa Senhora e às glórias de Maria. Com esses livros, ele nos ajuda a adentrar a
escola de Maria, a fim de que possamos servir a Deus e à Igreja com humildade e
santidade. Por meio de seus escritos marianos, Santo Afonso nos diz: “Outra fonte de
graças, extremamente preciosa para nós é Maria, nossa Mãe, fonte tão rica de bens que
não há no mundo um só homem que deles não participe”. Ele também nos empresta a
sua voz para clamarmos a Maria: “Senhora muito amável, toda a Igreja vos chama e
saúda: esperança nossa. Portanto, vós que sois a esperança de todos, sede também a
minha esperança!”.
Após fundar a Congregação dos Redentoristas, que foi consagrada a Maria,
Santo Afonso passou a enviar seus missionários a diversos países da Europa e do
mundo, com a missão de pregar sobre as misericórdias de Maria. Ao se referir à força
transformadora da misericórdia de Nossa Senhora, ele professava: “Felizes aqueles que,
imitando o exemplo dos pobres às portas dos ricos, não cessam de pedir a esmola de
alguma graça às portas da misericórdia de Maria. E mais feliz ainda é aquele que
procura imitar as virtudes que descobre em Maria, especialmente a sua pureza e a sua
humildade”.
Percebendo que, em sua época, muitas pessoas achavam um exagero a piedade
popular para com a Mãe de Deus, ou não a compreendiam adequadamente, Santo
Afonso se dedicou a escrever um livro sobre Nossa Senhora que fosse simples, atraente
e alicerçado em uma sólida teologia. Esse livro seria também a sua colaboração para
promover a glória desta grande Mãe e Rainha, contribuindo assim para a sólida devoção
mariana, colaborando para aumentar o número dos fiéis servos de Maria. Com esse
intuito, ele escreveu as glórias de Maria onde nos aconselha: “Continuai fervorosamente
a amar e honrar a essa boa Senhora. Esforçai-vos também para fazê-la amar por quantos
conheceis, na firme convicção de que vos salvareis, se perseverardes na verdadeira
devoção até a morte”.
Como podemos perceber, Santo Afonso Maria de Ligório levava o nome de
Maria não apenas em seu próprio nome, mas, acima de tudo, em seu coração, onde
transbordavam os sinais da presença de Deus e da Virgem Maria. Se queremos que
também para nós a Santa Virgem seja verdadeira Mãe, devemos imitar a Santo Afonso,

escutar os seus ensinamentos, a fim de que possamos demonstrar, com palavras e obras,
os sinais da devoção mariana em nossas vidas.
Os livros de espiritualidade de Santo Afonso de Ligório acerca de Nossa
Senhora ajudam na formação e na piedade não somente dos letrados, mas também dos
humildes. De sua herança espiritual, nós colhemos um grande e fervoroso amor para
com a Virgem Maria e a certeza de que o devoto de Maria, ou seja, todo aquele que
persevera nas práticas de devoção em honra de Nossa Senhora será salvo, pois a Virgem
Maria nos conduz a Cristo por meio da reta participação na Eucaristia.
Com Santo Afonso Maria de Ligório, nós aprendemos a bradar: “Minha única
esperança é Jesus e depois de Jesus, Maria”. Peçamos, hoje e sempre, a Santo Afonso
que alcance para nós a graça de amarmos a Virgem Santa Maria tanto quanto ele a amou
enquanto esteve nesta terra, e nos incentive sempre mais a propagar os sinais, os gestos,
as palavras e as orações marianas por toda a parte, em nossas famílias, em nossas
comunidades e em todos os setores da sociedade. Santo Afonso Maria de Ligório, rogai
por nós, a fim de que possamos permanecer no itinerário do Evangelho em plena união
com a Virgem Santa Maria.

Aloísio Parreiras

2020-08-02T16:02:02-03:0001/08/2020|