Santo Ambrósio (339-397)

Santo Ambrósio, de nobre e distinta família romana, nasceu provavelmente em 339, em Tréviros, onde seu pai exercia o cargo de prefeito das Gálias. A mãe ficou viúva muito cedo e voltou à Roma com três filhos: Marcelina, que se consagrou a Deus e tomou o véu das virgens; Sátiro, que morreu em 378, depois de exercer altos cargos do Estado; e Ambrósio, o último, que seguiu a carreira diplomática, tradicional na família. Ambrósio desde cedo aprendeu a alimentar as virtudes cívicas e morais, ao ponto de ter sido governador da Emília, do Lácio e de Milão, antes de ser Bispo. Estudou Direito antes de estudar Teologia.

Em 374, vivendo em Milão, foi inesperadamente eleito bispo da cidade e recebeu a ordenação no dia 7 de dezembro, sendo distinguido por todos, sobretudo, como verdadeiro pastor e doutor dos fiéis. O Santo Doutor da Igreja o símbolo da Igreja renascente, após os sofridos anos de vida escondida e das perseguições. Por meio dele a Igreja de Roma tratou sem sombra de servilismo com o poder público. Foram as suas qualidades pessoais que impuseram o bispo de Milão a devota atenção de todos. A atividade diária de Ambrósio era dirigida antes de tudo a orientação da própria comunidade, e ele cumpria as suas tarefas pastorais dirigindo ao seu povo mais de uma homilia por semana.

Nos anos 385-386 negou-se a entregar uma igreja aos Arianos. Com sua conduta e com seus escritos, Santo Ambrósio antecipa o conceito medieval de imperador cristão “filho fiel da Igreja e servidor às ordens de Cristo”. Vale ressaltar que era conhecedor profundo do pensamento antigo, tanto cristão quanto pagão, estando familiarizado com as obras de Fílon, de Orígenes, de São Basílio de Cesaréia, de Plotino e de Cícero.

Santo Ambrósio recebeu o título de Doutor da Igreja por causa de sua obra e seu legado para a gerações futuras. Valorizou grandemente a virgindade de Nossa Senhora e a coragem extraordinária dos mártires que deram suas vidas por Cristo. Ele passou a ser chamado de o criador da liturgia ambrosiana, que transformou vidas. Como homem de Deus, partilhou sua riqueza material e espiritual com o povo; jejuava sempre; pai carinhoso e tão grande orador que teve papel importante na conversão de Santo Agostinho, sendo este seu assíduo ouvinte, onde é relatado em suas Confissões quão grande foi o prestígio da eloquência do bispo de Milão e quão eficaz o tom de voz deste apóstolo da amizade. Protegeu corajosamente os direitos da Igreja; com os seus escritos e atos defendeu a verdadeira doutrina da fé contra os Arianos; compôs um bom número de hinos, alguns dos quais hoje são bastante familiares na liturgia ambrosiana e também introduziu no Ocidente o canto alternado dos salmos.

Morreu no Sábado Santo, dia 4 de abril de 397, com 60 anos, após 23 anos de serviço ao seu Amado Cristo, com estas palavras: “Não vivi de tal modo que tenha vergonha de continuar vivendo; mas não tenho medo de morrer, porque temos um Senhor que é bom”.

Santo Ambrósio, bispo e doutor da Igreja, rogai por nós!