Santo do dia – São Carlos Borromeu

“Somos todos fracos, confesso, mas o Senhor Deus nos entregou meios com que, se quisermos, poderemos ser fortalecidos com facilidade.”[1]. Esta era a máxima espiritual do santo cuja memória é celebrada hoje: São Carlos Borromeu. Ele nasceu na Itália, em 1538 e, desde a infância já mostrava grandes habilidades e inclinação à vida religiosa, inclusive, brincando de celebrar Missas e construir altares em sua casa. Ele não se contentava com os divertimentos profanos, gostava de dedicar tempo a meditação e a oração

Depois de ordenado sacerdote, São Carlos empenhou-se na reorganização da Igreja Católica através dos seus serviços pelo Concílio de Trento. Ele, por várias vezes, chamou a atenção do tio, o papa Pio IV, para a necessidade de renovação, consolidação e estruturação da vida religiosa na Igreja e a formação qualificada do clero.

Logo que o Concílio foi realizado, São Carlos Borromeu desejou ser o primeiro a colocar em prática as ordens apresentadas pela reunião dos bispos, mesmo que estivesse, por vezes, sendo mal visto pelos seus irmãos. Iniciou seus cuidados pela criação da estrutura dos seminários, sendo um dos primeiros a pensar a formação dos futuros sacerdotes desta forma.

Além disso, tinha em mente que a caridade abre os corações das pessoas à fé e a religião. Daquele dinheiro que lhe era pessoal, reservava a si só o indispensável para a sobrevivência e a maior parte ele destinava aos pobres. Tudo o que ele recebia de heranças e bens da família ele acabava por destinar àqueles que não tinham nada. Destacou-se a história de que, quando uma epidemia invadiu Milão entre os anos de 1569 e 1570, ele mesmo ia para as ruas para pedir esmolas para os pobres. Nunca desconfiou da providência divina e, nas maiores dificuldades desta época destinou tudo o que possuía aqueles que nada tinham para sobreviver, não esquecendo, certamente, de dispensar os Sacramentos àqueles que precisavam ser alimentados no corpo, mas também, na alma.

Muitos acusaram Carlos por conta de sua atitude de ajuda aos pobres, mas o Papa Gregório XIII reconheceu nele as virtudes de Cristo e o recebeu em Roma com as mais altas distinções.

Em outubro de 1584, como era seu costume, retirou-se para fazer os exercícios espirituais. Lá teve fortes acessos de febre, aos quais não deu importância e dizia: “Um bom pastor de almas deve saber suportar três febres, antes de se meter na cama”. Os acessos renovaram-se e consumiram as forças do Arcebispo. Ao receber os santos sacramentos, expirou aos 03 de novembro de 1584. Suas últimas palavras foram: “Eis Senhor, eu venho, vou já”. São Carlos Borromeu tinha alcançado a idade de 46 anos.

O bispo foi beatificado em 1602, pelo papa Clemente VIII e, depois, canonizado em 1610, por Paulo V,  que fixou a festa do santo para o dia 4 de novembro. A grande influência de São Carlos Borromeu pelo que realizou em Milão serviu de exemplo para que a reforma da Igreja acontecesse em muitos outros países, no espírito do Concílio de Trento.

São Carlos Borromeu, rogai por nós!

 

 

 

[1] Do Sermão proferido no último sínodo por São Carlos, bispo. Acta Eclesiae Mediolanensis, Mediolani 1599,1 177-1178