SANTO INÁCIO DE LOYOLA

Iñigo Lopez de Loyola, este era o nome de batismo de Inácio de Loyola. Nasceu
em uma família cristã, nobre e muito rica, na cidade de Azpeitia, da província basca de
Guipuzcoa, na Espanha, no ano de 1491, no final do século XV. Ele era o mais novo de
treze filhos e foi educado, com todo zelo e cuidado, para tornar-se um perfeito
aristocrata. Naquele ambiente burguês, ele cresceu apreciando o luxo da corte e
praticando esportes, principalmente os esportes equestres.
Em sua juventude, em 1507, aos 16 anos, Inácio tornou-se cortesão no castelo de
João Velásquez de Cuellar, tesoureiro do reino de Castela. Lá, ele aprimorou sua cultura
e se tornou um exímio cavaleiro, tomando gosto pelas aventuras militares, entregando-
se às ambições humanas e às aventuras das armas e dos amores.
No dia 20 de maio de 1521, durante a defesa do castelo de Pamplona, Inácio
quebrou uma perna, precisando assim ficar paralisado em uma longa convalescência.
Assim que se sentiu melhor, Inácio pediu que lhe dessem romances de guerras e livros
sobre as artes militares, a fim de que, por meio da leitura, pudesse ocupar o seu tempo.
Mas naquele castelo não havia nenhum livro deste gênero e, por isso, deram-lhe livros
sobre a vida de vários santos e sobre a Paixão de Cristo.
Aqueles livros foram a graça atual que Deus enviou a Inácio de Loyola e ele não
a deixou passar. Aqueles livros foram a porta da fé que se abriu para Inácio de Loyola, a
fim de que ele pudesse contemplar as maravilhas do Reino dos Céus. Desse modo, uma
vez curado, ele decidiu trocar a vida militar pela dedicação a Deus, afirmando: “São
Francisco fez isso, pois eu tenho de fazer o mesmo. São Domingos fez isso, eu tenho
também de fazê-lo”. Assim, ouvindo a clamor do Senhor, Inácio foi aos poucos se
rendendo ao amor de Deus, sentindo arder em seu coração a alegria do Evangelho.
Em Inácio de Loyola, nós verificamos que é Deus quem escolhe, prepara e envia
para o serviço de Seu reino nas realidades do mundo. Antes do encontro com Jesus,
Inácio amava o poder, o luxo e a mundanidade, mas depois, com fortaleza, dedicação,
estudo e, meditando a Palavra de Deus, entregou-se à Sua vontade.
A semente da graça que Deus lançou no coração de Inácio produziu muitos
frutos, pois ele permaneceu tão profundamente impressionado por aqueles livros que
decidiu que poderia fazer algo mais para o Senhor. No ano de 1534, ele e mais seis
amigos, entre eles São Francisco Xavier, fundaram a Companhia de Jesus, os Jesuítas,
para levar o Evangelho às mais longínquas regiões da terra.
No ano de 1537, Inácio foi ordenado sacerdote e, no ano de 1538, a Companhia
de Jesus foi aprovada pelo Papa Paulo III. Inácio de Loyola foi eleito para assumir o
posto de superior geral. Em obediência ao Papa, Inácio permaneceu em Roma para
coordenar as atividades da Companhia e para se dedicar ao serviço dos pobres, aos
órfãos e aos enfermos, a ponto de ser chamado de “apóstolo de Roma”.
A Companhia de Jesus era algo novo e original, além de providencial para os
tempos da Contrarreforma. Ele mesmo nos explica o objetivo da Companhia: “O fim

desta Companhia não é somente ocupar-se com a graça divina, da salvação e perfeição
da alma própria, mas, com a mesma graça, esforçar-se intensamente por ajudar a
salvação e perfeição da alma do próximo”.
Inácio de Loyola estava certo de que muitas pessoas não eram cristãs, pois não
haviam tido acesso ao Evangelho e aos ensinamentos de Cristo e, por isso, ele enviou,
por meio da Companhia de Jesus, missionários jesuítas a várias partes do mundo,
inclusive o Brasil. Esses missionários buscavam levar, de maneira heroica, a Boa Nova
da Salvação e implantar a fé cristã, especialmente entre povos nativos pagãos do novo
mundo, a América, o continente recém-descoberto.
Para contribuir para a vida de oração dos cristãos e para o exercício do silêncio,
Inácio de Loyola escreveu os Exercícios Espirituais, cujo texto é encabeçado pela
oração “Alma de Cristo”. Entre outras orações, Inácio escreveu essa serena prece onde
ele evidencia sua confiança total em Deus: “Tomai, Senhor, e recebei toda minha
liberdade, a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade. Tudo o que
eu tenho e possuo, Vós me destes com amor. Todos os dons que me destes, com
gratidão, vos devolvo. Disponde deles, Senhor, segundo a Vossa vontade. Dai-me
somente o Vosso amor, Vossa graça, isso me basta. Nada mais quero vos pedir”.
Após a sua conversão e total entrega a Deus, Inácio de Loyola conseguiu viver a
máxima aventura de servir à Igreja, colaborando na obra da salvação das almas. Ele
faleceu no dia 31 de julho de 1556, em Roma, aos 65 anos. Foi canonizado pelo Papa
Gregório XV em 1622. No ano de 1922, o Papa Pio XI o declarou Padroeiro de Todos
os Retiros Espirituais.
O compromisso de Inácio de Loyola consistia em salvar as almas e servir a Deus
e à Igreja com seus carismas, dons e humildade. Agindo assim, ele adquiriu um coração
sábio, acumulando aquilo que não se corrompe e descartando tudo aquilo que é,
irremediavelmente, mutável no tempo: os prazeres efêmeros, o luxo, o poder e a
riqueza. Escolhendo Deus e aderindo ao Seu amor, Inácio de Loyola abriu mão de tudo
aquilo que era acidental e abraçou o essencial, as coisas necessárias, prelibando desde a
vida terrena a eternidade.
Santo Inácio de Loyola está no céu, na dimensão invisível da Igreja, e de lá ele
intercede por nós, para que busquemos a Deus sem reservas, “com todo o coração, com
toda a alma e com toda a vontade”. Santo Inácio de Loyola, ensinai-nos a deixar tudo
aquilo que estorva o nosso caminho da fé, a fim de que possamos nos lançar no oceano
da graça com a consciência de que “ninguém sabe o que Deus faria de nós, se não
opuséssemos tantos obstáculos à Sua graça, pois Jesus é realmente fundamental. Sem
Ele nada teria sentido”. Santo Inácio de Loyola, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

2020-07-31T18:05:11-03:0031/07/2020|