SANTOS ANJOS DA GUARDA

A Memória Litúrgica dos Santos Anjos da Guarda nos convida a rezar: “Anjos todos do Senhor, bendizei o Senhor; cantai a Sua glória, louvai-O eternamente”. (Dn 3,58).  A devoção aos santos anjos sempre ocupou um lugar de destaque em nossa vivência cristã e, por isso, muitos de nós, desde cedo, em tenra idade, aprendemos a rezar com os nossos pais, pedindo o auxílio do nosso anjo da guarda. Essa devoção se tornou um hábito, adquiriu espaço em nossos corações e ainda hoje recitamos ou cantamos essa oração: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege e guarda, governa e me ilumina. Amém!”

A existência dos anjos é uma verdade de fé professada pela Igreja e comprovada pela Sagrada Escritura. Sabemos que os anjos são os ministros de Deus e foram criados primeiro que os homens. Desde o Livro do Gênesis, até o Livro do Apocalipse, nós percebemos a presença dos anjos na História da Salvação. São anjos que detêm o braço de Abraão quando ele estava prestes a sacrificar o seu filho, Isaque (Gn 22,15). São os anjos que protegem Lot quando Sodoma e Gomorra foram destruídas (Gn 19, 15-16). No Novo testamento, é um anjo que anuncia a Zacarias o nascimento de João Batista e é o mesmo anjo, o Arcanjo São Gabriel, que anuncia a Nossa Senhora o nascimento de Cristo.

Logo após o nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, são os anjos que louvam e glorificam o Menino Jesus. São os anjos também que acompanham o Cristo na tentação do deserto e na agonia no horto das oliveiras. Se lermos com atenção a Sagrada Escritura, veremos que ela está repleta da presença dos anjos e, por isso, São João Paulo II nos ensina: “Toda a Tradição da Igreja é unânime em afirmar a existência de anjos, e teríamos que alterar a própria Escritura Sagrada se quiséssemos eliminar esse ensinamento.”

Santo Agostinho nos orienta, afirmando que “Anjo é nome de ofício, não de natureza. Desejas saber o nome da natureza? Espírito. Desejas saber o nome do ofício? Anjo. Pelo que é, é espírito, pelo que faz, é anjo”. Em outras palavras, em sua etimologia, a palavra anjo significa enviado, mensageiro.  Os anjos são seres espirituais que habitam o mundo invisível e que têm por missão nos conduzir a Deus. Nos primeiros séculos, São Basílio ensinava: “Cada fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida”. E a Epístola aos Hebreus (Hb 1,14) nos descreve que os anjos “são espíritos servidores, enviados ao serviço dos que devem herdar a salvação”.

Devemos aprender a conviver com o nosso anjo, devemos tratá-lo como um amigo, saber escutar o que ele nos transmite por meio de imagens ou da nossa imaginação e acolher suas boas inspirações. Afinal, nosso anjo da guarda é mais um meio que Deus nos proporciona, visando a nossa salvação. Os anjos semeiam boas sugestões para que possamos acolher o Bem e rejeitar o mal. Eles nos defendem das seduções oriundas do mal. Como nos ensina São Josemaría Escrivá: “Recorre ao teu Anjo da Guarda na hora da provação, e ele te protegerá contra o demônio e te dará santas inspirações”.

A intimidade com o nosso anjo nos conduzirá a uma proximidade com os anjos das outras pessoas e, assim, pediremos auxílio e ajuda aos anjos da guarda do nosso próximo. No trabalho de apostolado e evangelização, os anjos da guarda são imprescindíveis. Se tivermos dificuldades no trabalho de apostolado, é viável se recorrer à ajuda dos anjos. “Conquista o Anjo da Guarda daquele que queres trazer para o teu apostolado. É sempre um grande cúmplice”. (Caminho nº 563).

Se soubermos viver a devoção aos anjos da guarda, eles serão para nós preciosos colaboradores na missão de difusão do Evangelho. Não podemos esquecer que os anjos contemplam continuamente a face de Deus e estão em todos os sacrários rendendo louvores e graças ao Senhor. Que possamos aprender com o nosso Anjo da Guarda a viver na presença de Deus, a servir ao Senhor com alegria e a transmitir Boas notícias.

Os anjos não podem penetrar diretamente na nossa inteligência e na nossa vontade e, por isso, é necessário que expressemos as nossas dificuldades e intenções para que eles possam nos auxiliar. Os anjos estão sempre ao nosso redor. Como nos diz a canção: “Tem anjos voando neste lugar, no meio do povo e em cima do altar, subindo e descendo em todas as direções. Não sei se a Igreja subiu ou se o céu desceu. Só sei que está cheio de anjos de Deus porque o próprio Deus está aqui”.

No Antigo Testamento há uma belíssima referência aos santos anjos. Tendo em vista a entrada do Povo eleito em Canaã, a Terra Prometida, Deus lhes faz algumas promessas e instruções: “Vou enviar o meu anjo à tua frente para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que preparei para ti. Respeita-o, e se ouvires a sua voz, e fizeres tudo o que Eu te disser, serei inimigo dos teus inimigos e afligirei os que te afligem. O meu anjo caminhará à tua frente”. (Ex 23, 20-30).

Em nossa caminhada em direção à Jerusalém celeste, Jesus Cristo está conosco e nos concede inúmeros auxílios: o Espírito Santo, os sacramentos, a intercessão de Nossa Senhora e o auxílio dos anjos. Em oração, saibamos pedir ao Cristo, cantando: “Envia, Senhor, os teus anjos para nos resgatar, para nos proteger de todo mal, para nos guiar, Senhor… Manda teus anjos sobre nós e abençoa a todos os que esperam em vós. Manda teus anjos para nos ensinar a te louvar e glorificar”.

Que o Cristo fortaleça a nossa fé para que possamos conviver com o nosso Anjo da Guarda. Que possamos dizer com convicção: “Anjo da Guarda, minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia!”. Saibamos também rezar ao Senhor, dizendo: “Ó Deus, que na Vossa misteriosa providência mandais os Vossos Anjos para nos guardarem, concedei que nos defendam de todos os perigos e gozemos eternamente do seu convívio!”. (Oração coleta da Missa do dia 2 de outubro).

 

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-10-02T12:48:43-03:0002/10/2020|