SÃO BARTOLOMEU APÓSTOLO

São Bartolomeu foi um dos Doze Apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele
nasceu em Caná da Galileia, uma pequena aldeia a catorze quilômetros de Nazaré, onde
Jesus realizou o Seu primeiro milagre, transformando água em vinho.
Nas quatro enumerações do grupo dos Doze Apóstolos (Mateus, Marcos, Lucas
e Atos dos Apóstolos), ele é apresentado com o nome de Bartolomeu. São João
evangelista não traz o nome de Bartolomeu, mas o de Natanael, e, por isso, os
historiadores são unânimes em afirmar que Bartolomeu – Natanael se trata de uma só
pessoa.
Por ter sido um dos Doze Apóstolos, Bartolomeu pôde acompanhar a vida
pública de Cristo e o desenvolvimento de Sua missão na terra, compartilhando o Seu dia
a dia, escutando Seus ensinamentos, contemplando Seus milagres e testemunhando a
Sua ressurreição. Posteriormente, no dia de Pentecostes, junto aos demais Apóstolos, ele
recebeu, em plenitude, o Espírito Santo de Deus que o fortaleceu no serviço missionário
do Evangelho.
Seu melhor amigo era Filipe, e ambos eram viajantes. Foi Filipe quem lhe
apresentou o Cristo. O Evangelho de São João narra que, após encontrar Jesus, Filipe
foi até Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e
os profetas: Jesus de Nazaré”. (Jo 1, 45). Diante da explanação de Filipe, Natanael
lançou a seguinte pergunta com uma certa dose de discriminação: “De Nazaré pode vir
algo de bom?”. (Jo 1, 46). Mesmo que não tenha compreendido o questionamento do
amigo, Filipe não rebateu, não apresentou outros argumentos humanos, mas apenas fez
o convite que se tornou decisivo: “Vem e vê!”. (Jo 1, 46).
A resposta de Filipe ao questionamento de Natanael evidencia que “o nosso
conhecimento de Jesus precisa sobretudo de uma experiência viva: o testemunho de
outrem é certamente importante, porque normalmente toda a nossa vida cristã começa
com o anúncio que chega até nós por obra de uma ou de várias testemunhas”. (Papa
Bento XVI, Audiência em 4 de outubro de 2006). A resposta de Filipe a Natanael nos
ensina que Deus quer contar conosco para entrar na vida, na história e nos corações de
nossos familiares e amigos. No desempenho dessa empreitada, nós não precisamos de
inúmeros talentos, pois o essencial é levarmos o nosso próximo a Cristo com a certeza
de que a conversão é sempre obra d’Ele, pois o verdadeiro conhecimento da Pessoa de
Jesus nasce do encontro pessoal com o nosso Redentor e da escuta atenciosa da Sua
Palavra.
Antes do seu primeiro e decisivo encontro com Cristo, Bartolomeu era um
homem incrédulo em relação às coisas de Deus. Porém, após a sua conversão, ele se
tornou um dos apóstolos mais ativos no desenvolvimento da vida pública, da Paixão,
Morte e Ressurreição do Senhor.
O melhor perfil da pessoa de Bartolomeu, a sua principal característica e a sua
melhor descrição foram feitas pelo próprio Cristo: “Eis um verdadeiro israelita no qual

não há falsidade”. (Jo 1, 47). Esse elogio de nosso Redentor nos demonstra que
Bartolomeu era um homem bom, uma boa pessoa, um homem que estava disposto a
servir a Deus e à Igreja, abraçando os desafios da fé, testemunhando os sinais da
esperança. Em outras palavras, Natanael era um indivíduo em cuja palavra se podia
confiar inteiramente.
Diante do elogio de Cristo, Bartolomeu lhe questionou: “De onde me
conheces?”. (Jo 1, 48). Muitas vezes, nós encontramos pessoas que são familiares dos
nossos amigos ou próximas aos nossos familiares e, por isso, podemos dizer: Eu
conheço os seus pais, eu conheço os seus irmãos. Mas, a resposta de Jesus a Bartolomeu
não é imediatamente compreensível. Revelando Sua messsianidade, o Cristo lhe diz:
“Antes que Filipe te chamasse, Eu te vi quando estavas sob a figueira”. (Jo 1, 48). O
texto do Evangelho não nos revela o que aconteceu sob esta figueira, mas deixa claro
que se trata de um momento decisivo na vida do futuro apóstolo.
Sentindo o olhar transformador do Mestre, reconhecendo os sinais da
messianidade de Cristo, Bartolomeu percebeu que aquele Homem realmente o conhecia
profundamente. Desse modo, impulsionado pela força operativa da fé, ele professou:
“Rabi, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel”. (Jo 1, 49).
Essas palavras de Bartolomeu nos revelam uma certeza: quando somos
alcançados pelo olhar penetrante do Senhor, quando somos tocados pelas Palavras do
Cristo, nós ficamos desconcertados e percebemos que Ele conhece o fundo de nossa
alma. Desse modo, aprendemos que absolutamente nada, nem os mais pensamentos
mais secretos, podem ser ocultados da visão de Deus, pois é justamente o Seu olhar que
nos impulsiona a perceber quem nós verdadeiramente somos, nossas qualidades e
defeitos, nossos esperanças e receios.
Por meio de sua profissão de fé, Bartolomeu aderiu completamente à Boa Nova
de Jesus e deu início ao seguimento do Mestre, concretizando os primeiros passos no
testemunho dos sinais da Sua divindade. Do serviço apostólico de Bartolomeu não
temos notícias claras. Conta-nos a Tradição que ele teria evangelizado na Índia, passado
para a Armênia e, neste local conseguido a conversão do rei Polímio, da esposa e de
muitas outras pessoas, isto até deparar-se com os sacerdotes pagãos, os quais
martirizaram o santo apóstolo que foi esfolado vivo e, como não morreu, foi decapitado.
Era o dia 24 de agosto de 51.
Contemplando a vida, o testemunho e o martírio de São Bartolomeu, nós
podemos afirmar: “Feliz o homem a quem Iahweh não atribui iniquidade!”. (Sl 32,2).
São Bartolomeu é, hoje e sempre, para toda a Igreja um sólido exemplo de fé e de
santidade e, por isso, ele “permanece diante de nós para nos dizer que a adesão a Jesus
pode ser vivida e testemunhada também sem cumprir obras sensacionais. Extraordinário
é e permanece o próprio Jesus, ao qual cada um de nós está chamado a consagrar a
própria vida e a própria morte”. (Papa Bento XVI, Audiência em 4 de outubro de 2006).
São Bartolomeu Apóstolo, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

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