SÃO BERNARDO DE CLARAVAL

A Santa Igreja de Deus, por meio de sua Liturgia, a cada novo dia oferece à
nossa consideração um ou mais santos e beatos, para que possamos invocar e imitar no
aprendizado cotidiano da santidade e na correspondência ao amor de nosso Senhor Jesus
Cristo. No dia de hoje, nós recordamos São Bernardo de Claraval, o grande Doutor da
Igreja, que viveu entre os séculos XI e XII (1090 – 1153).
São Bernardo nasceu no castelo de Fontaine-les-Dijon, localizado na Borgonha,
na França, em 1090. Sua família pertencia à nobreza francesa, já que seu pai Tescelino
era um dos cavaleiros do Duque de Borgonha. Ele era o terceiro de sete filhos e, desde a
infância, nutria uma relação estreita com sua mãe e, junto com seus irmãos, recebeu
uma esmerada educação em História, Latim e Literatura. Sempre que recebia alguma
lição que contrariasse a doutrina cristã e os mistérios da fé, ele “recorria à oração e à
meditação das Sagradas Escrituras para neutralizar o veneno inalado nas aulas”.
Aos nove anos, Bernardo foi estudar na Escola Canônica de Châtillo-sur-Sein,
onde demonstrou enorme talento e um apurado gosto pela literatura, dom que serviria
mais tarde de terra fértil onde a semente da Palavra de Deus poderia germinar, crescer e
dar generosos frutos.
Depois da morte de sua mãe, o jovem Bernardo, que contava cerca de 20 anos,
foi atingido por uma grande tristeza. O luto se tinha apoderado de sua alma e ele não
encontrava consolação em nada do que fazia, nem mesmo na oração, à qual já estava tão
habituado. Naquele momento difícil da vida, em que a morte de sua mãe criou um
imenso vazio, Bernardo voltou seus olhos e coração para a Virgem Santa Maria, e no
Sagrado Coração de Maria ele encontrou um refúgio seguro.
Inspirado na pureza e na humildade da Virgem Maria, ele se dedicou, desde
tenra juventude, a combater as tentações carnais. Com esse propósito, sempre que
preciso, ele revolvia-se no gelo para dominar o corpo e suas concupiscências. No ano de
1112, ele ingressou no Mosteiro Cisterciense de Citeaux, fundado por São Roberto,
Santo Alberico e Santo Estêvão Harding. Esse Mosteiro foi o primeiro lugar onde se
praticou rigorosamente a regra de São Bento. Santo Estêvão, que era o prior, aceitou
Bernardo com entusiasmo, porque o mosteiro não recebia vocações há 15 anos.
No ano de 1115, após dois anos no Mosteiro em Cister, ele foi enviado para o
vale de Langres com a missão de fundar a Abadia de Claraval, (Vale Claro), tornando-
se o seu primeiro Abade, com apenas 25 anos. Em pouco tempo essa Abadia ficou
conhecida em toda a França e, posteriormente, por toda a Europa como um lugar onde
se viviam a oração, o trabalho, a humildade, a caridade e a cultura profunda. Naquele
Mosteiro, Bernardo e os demais monges viviam, com integridade e amor, os votos de
pobreza, castidade e obediência. Graças à força do testemunho daqueles monges, o
Mosteiro chegou a ter 700 monges, inclusive Henrique de França, irmão do Rei Luís
VII, que mais tarde foi bispo e arcebispo de Reims.

A dedicação de Bernardo ao silêncio e à contemplação não lhe impediram de
desempenhar uma singular atividade apostólica. Ele possuía o dom de atrair as pessoas
para Deus e para a Igreja, pois a sua maneira de falar de Jesus Cristo, da fé cristã, da
Virgem Maria, dos santos e das virtudes era contagiante.
A riqueza e o valor dos ensinamentos de São Bernardo consistem tanto em ter
percorrido novos caminhos, quanto em ter conseguido propor as verdades da fé com um
estilo tão claro e incisivo que conquistava a todos que o escutavam. Tamanha foi a força
de seus ensinamentos que o Papa Pio VIII o denominou “doutor melífluo”, porque, em
suas pregações, sobressaía “fazendo destilar dos textos bíblicos o sentido que neles se
encontrava escondido”.
Bernardo de Claraval, por meio de sua espiritualidade e contemplação, seguindo
o exemplo da Virgem Maria na visita a sua prima Isabel, apressadamente viajou pela
Europa defendendo a fé cristã. Bernardo também foi definido como “doutor mariano”,
porque soube compreender e explicar a missão e o papel de Nossa Senhora na Igreja,
apresentando-a como o modelo perfeito da vida monástica e de todas as outras formas
de vida cristã.
A devoção mariana de Bernardo de Claraval é algo extremamente belo e
significativo na vida da Igreja. É dele a belíssima oração mariana “Lembrai-vos”, que é
uma humilde súplica dirigida a Maria: “Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria, que
jamais se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção,
implorando o vosso auxílio, e reclamando o vosso socorro, fosse por vós desamparado.
Animado, pois, com igual confiança, ó Virgem das virgens, como à Mãe recorro e de
vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro a vossos pés; não
desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus, mas dignai-vos de as ouvir
propícia e me alcançar o que vos rogo”.
Extravasando o seu amor para com a Virgem Maria, Bernardo de Claraval não
se cansava de dizer que, por pura vontade de Deus, todas as graças nos são concedidas
por intermédio de Maria. São de sua autoria as aclamações inseridas ao final da Salve
Rainha: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria!” Ao falar de Nossa
Senhora, ele gostava de questionar aos seus coetâneos: “Quereis um advogado junto a
Jesus? Recorrei a Maria, pois nela não há senão pura compaixão pelos males alheios.
Pura não só porque ela é Imaculada, mas porque nela só existe compaixão pura e
simples. Digo-o sem hesitar: Maria será ouvida devido à consideração que lhe é devida.
O Filho ouvirá a Mãe, e o Pai, seu Filho. Eis, pois, a escada dos pecadores, minha
absoluta confiança; eis todo o fundamento de minha esperança”.
Em 1153, no século XII, Bernardo adoeceu quando estava em missão em
Lorena, e pediu para ser conduzido de volta ao Mosteiro de Claraval, onde faleceu no
dia 20 de agosto. São Bernardo é, na História da Igreja, um grande modelo de vida na
pobreza, na castidade e na obediência. É também um grande testemunho de uma vida
religiosa alicerçada na força da Palavra de Deus e na poderosa intercessão da Virgem

Maria e, por isso, este santo nos convida a sermos sinais da divina misericórdia nos
lugares aonde Cristo nos enviar. São Bernardo de Claraval, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

2020-08-20T09:52:14-03:0020/08/2020|