SÃO CAMILO DE LELLIS

O luminoso exemplo de São Camilo de Lellis – presbítero, fundador e protetor dos doentes e dos profissionais da saúde – nos desafia a buscar constantemente a perfeição, a medida alta da vida cristã, que é a santidade. São Camilo, com o seu testemunho de amor e dedicação aos doentes, nos ensina a fazer do serviço aos enfermos uma intensa experiência de Deus com a consciência de que, por meio da nossa atenção, cuidado e acolhimento, Cristo se faz presente junto aos enfermos em todo tempo e lugar.

São Camilo nasceu em 1550, no século XVI, na Itália, no seio de uma nobre e tradicional família. Seu nascimento coroou o casamento de tantos anos da senhora Camila, sua mãe, que até aos 60 anos de idade não tinha conseguido dar um herdeiro ao esposo João, que já estava com 55 anos.

O pequeno Camilo foi criado basicamente pela sua mãe, Camila, pois o seu pai era militar e viajava muito. Talvez por conta da ausência do pai no dia a dia, Camilo se tornou um jovem um tanto rebelde. Aos trezes anos, o jovem Camilo perdeu a sua mãe e, por isso, o pai resolveu levá-lo consigo para o trabalho. Alguns anos depois, seu pai, João, conseguiu com seus superiores uma oportunidade de trabalho para Camilo que era grande e forte, mas sem estudos. Desse modo, ele foi aproveitado nos serviços pesados.

Aos dezenove anos, Camilo perdeu o pai. Sozinho no mundo, ele viveu os prazeres que o mundo lhe oferecia em uma vida profana e decadente. Viciou-se em jogos de cartas, ganhando muito dinheiro e, na mesma proporção, o perdia. Ele chegou a perder todos os seus bens no jogo: patrimônio, armas e até a camisa. Logo depois, Camilo passou a viver nas ruas como um mendigo.

Aos vinte anos, surgiu uma pequena bolha no peito do pé direito de Camilo. De tanto mexer, essa bolha se tornou uma ferida que, aos poucos, foi tomando a perna inteira. Ele sofreu muito diante da falta de condições financeiras e de saúde. Mesmo estando doente, ele não conseguiu lugar para internar-se e, por isso, para tratar dessa ferida, o jovem Camilo foi orientado que fosse a Roma para se tratar no Hospital de São Tiago dos Incuráveis. Como ele não possuía dinheiro para pagar o tratamento, ele se ofereceu para trabalhos de servente e de enfermeiro.

Foi nesse hospital que ele teve a inspiração de começar o seu serviço aos doentes. Ali, naquele ambiente hospitalar, ele foi tocado pela graça divina, arrependendo-se de seus pecados, passando a dedicar sua vida a servir, com espírito de caridade, aos enfermos pobres em hospitais. Ali, naquele hospital, diante de tanto sofrimento, Camilo se questionou inúmeras vezes: Qual é o sentido da dor? Por que Deus permite tanto sofrimento? Ali, naquele hospital, Camilo sentiu as dores do sofrimento em sua própria carne e aprendeu que, em Cristo, o sofrimento tem um sentido de purificação.

Aos trinta anos, Camilo sentiu a necessidade de fazer algo mais pelos enfermos e, por isso, ele fundou uma associação de pessoas que desejavam se consagrar aos cuidados dos doentes. Anos depois, essa associação deu origem à Companhia dos Servidores dos Enfermos, conhecidos como Camilianos.

Momentos importantes na história de São Camilo foram o encontro, a orientação e os conselhos recebidos de Felipe Neri, pois, por meio da presença, da amizade e do acompanhamento de Felipe Neri, Camilo percebeu que era um grande pecador, mas ainda tinha tempo para mudar de vida e corresponder ao amor de Deus, mediante o serviço de assistência aos doentes.

Graças ao acompanhamento de Felipe Neri, Camilo recebeu as ordens sagradas, evidenciando que a santidade é contagiante, ou seja, um santo nunca está sozinho. Em pouco tempo, a obra fundada por São Camilo começou a dar frutos, e não poderia ser diferente, pois Camilo abraçou, com firmeza e humildade, a missão de cuidar de cada doente como se fosse o próprio Cristo.

            Tamanho era o amor de São Camilo pelos doentes que ele chegava a se esquecer de si mesmo, descuidando-se muitas vezes de sua alimentação. Ele não poupava suas energias para servir aos moribundos todos os dias. Em 1607, quando estava com 67 anos de idade, Camilo renunciou ao cargo da direção da Ordem que ele mesmo criou, mas permaneceu firme nos cuidados aos enfermos.

São Camilo faleceu no dia 14 de julho de 1614. O sino da Igreja tocou às nove horas da noite, anunciando a sua morte e, por isso, em pouco tempo, muitas pessoas se juntaram para se despediram dele. Antes de morrer, São Camilo recebeu o viático, a última comunhão, e deixou as seguintes recomendações: “Observai bem as regras. Haja entre vós uma grande união e muito amor. Amai, e muito, a nossa ordem, e dedicai-vos ao apostolado dos enfermos. Trabalhai com muita alegria nesta vinha do Senhor. Se Deus me levar para o Céu, vos hei de ajudar muito de lá”.

Em 1746, o Papa Bento XIV canonizou Camilo de Lellis, declarando-o santo. Em 1886, o Papa Leão XIII o declarou protetor de todos os enfermos e, em 1930, o Papa Pio XI o proclamou protetor dos profissionais de saúde.

Hoje, passados 406 anos da morte de São Camilo de Lellis, a sua vida e testemunho continuam vivos e fecundos na vida da Igreja, iluminando, sobretudo com as obras, a alegria de sacrificar a existência pelos irmãos necessitados. São Camilo, correspondendo ao sopro do Espírito Santo, ajudou a oferecer à sociedade do seu tempo incentivos e razões para a renovação espiritual, contribuindo significativamente para o acolhimento e o apostolado dos doentes na vida da Igreja.

São Camilo de Lellis, ensinai-nos a visitar os enfermos e ajudá-los a santificar o sofrimento, mesmo em meio às dores, a fim de que a nossa vida seja também santa e fervorosa, sustentada pela oração contínua e pelo testemunho da misericórdia divina que aprendemos com Cristo, o Médico divino que cuida da nossa alma e do nosso corpo com solicitude, misericórdia e bondade. São Camilo Lélis, rogai por nós!

Aloísio Parreiras 
2020-07-14T10:33:23-03:0014/07/2020|