SÃO FILIPE NERI

Celebramos hoje a memória litúrgica de São Filipe Neri, fundador da Congregação dos Padres Seculares do Oratório, padroeiro dos comediantes, o santo da alegria e do bom humor que amou a Igreja com todo o seu ser e nos deixou como herança espiritual a sua incondicional fidelidade à Sé de Pedro.

Filipe Rômolo Neri nasceu num bairro popular de Florença, a 22 de julho de 1515, no século XVI. Ele foi batizado, no dia seguinte ao seu nascimento, no famoso batistério de São Giovannni e a sua infância decorreu com toda a normalidade. Filipe Neri recebeu seus primeiros ensinamentos religiosos dos frades dominicanos do Mosteiro de São Marcos e, por isso, ao longo de sua vida, ele gostava de afirmar: “Tudo quanto tenho de bom, recebi dos padres de São Marcos”.

Aos 18 anos, seu pai, Francesco Neri, o enviou à casa de um tio, em São Germano, a fim de aprender o ofício de comerciante. Naqueles dias, ele realizou tão bem o seu trabalho que o seu parente decidiu torná-lo herdeiro de sua fortuna. Filipe queria servir a Deus como leigo. Entretanto, ele teve uma experiência mística em uma capela que pertencia aos beneditinos de Monte Cassino e descobriu a sua vocação ao sacerdócio. Com o objetivo de realizar a sua vocação, em 1533, Filipe se mudou para Roma.

Em 1544, Filipe se tornou amigo de Santo Ignácio de Loyola e quis ser missionário na Ásia, mas depois desistiu, pois desejava continuar o seu trabalho em Roma. Em 23 de maio de 1551, aos 36 anos, ele foi ordenado sacerdote. Logo após a sua ordenação, ele começou a viver na igreja de São Jerônimo da Caridade, na Itália, onde se dedicou especialmente à confissão. Era comum ele atender confissões desde a madrugada até o meio dia, horário em que celebrava a Santa Missa. Algumas vezes, ele permanecia até a tarde, para atender a todos os penitentes que recorriam à sua ajuda espiritual. Filipe tinha o dom de saber confessar muito bem. Possuía também o dom de ler os pensamentos dos penitentes e os guiava, com grande misericórdia, no caminho da fé e da santidade.

Graças à sua disponibilidade em atender às confissões de seus filhos e ao seu serviço sacerdotal, sobretudo por meio da caridade, Filipe foi aos poucos transformando a cidade de Roma, que naquela época estava paganizada, contribuindo assim para a restauração da Igreja. Pelas ruas de Roma e no acolhimento aos jovens, Filipe difundiu ao seu redor a alegria da santidade, evidenciando que a satisfação efêmera do pecado não passa de grotesca caricatura. Crianças, jovens, adultos, homens, mulheres, enfermos, solteiros, casados, todos gostavam de permanecer perto dele e ouvir os seus ensinamentos.

Os jovens, de um modo especial, se comprimiam ao seu redor, para ouvi-lo falar das coisas de Deus e brincarem juntos, em ruidosa algazarra. Com especial atenção e carinho, Filipe Neri gostava de dizer aos jovens: “Tudo é permitido, menos o pecado e a tristeza!”. Desse modo, com grande sabedoria e entusiasmo, Filipe ia ao encontro das necessidades materiais e espirituais da juventude, testemunhando a tal ponto a dimensão jubilosa da sua fé, que foi considerado “o profeta da alegria cristã”. Na vivência da alegria, ele ensinava aos jovens: “Quem quiser alguma coisa diferente de Cristo, não sabe o que quer. Quem busca alguma coisa diferente de Cristo, não sabe o que deseja. Quem trabalha e não o faz por Cristo, não sabe o que faz”.

Filipe Neri era uma pessoa muito simpática e, por isso, sem dificuldades, ele expressava os sinais da alegria, testemunhando como é bom servir a Deus e à Igreja. Uma de suas perguntas mais comuns era: “E quando começaremos a nos tornar melhores?”. Se lhes mostravam boa vontade e interesse em conhecer mais, costumava explicar os meios oportunos para conhecer e realizar a vontade de Deus. Quando encontrava uma pessoa que estava afastada dos sacramentos, ele colocava a mão em seu ombro e questionava: “Vamos ver, irmão, é hoje que nos decidimos a comportar-nos bem?”. Ou seja, ele sempre demonstrava aos pecadores que Cristo está à procura da ovelha perdida e que uma vida sem Deus é uma vida sem graça.

As grandes lições que podemos aprender com São Filipe Neri são, sem sombra de dúvida, o chamado à santidade, à vivência da alegria no apostolado e à correspondência cotidiana à vida da graça. Por ter sido um santo alegre, um entusiasmado pelo Evangelho, São Filipe Neri nos deixou um precioso testemunho: renunciar a si mesmo, tomar a cruz de cada dia e seguir a Cristo é uma imensa alegria, a maior felicidade que podemos desfrutar nessa vida terrena. Sua obra, em termos humanos, não foi esplendorosa como a da Companhia de Jesus, mas o bem espiritual que ele fez, e ainda faz, é gigantesco.

A 26 de maio de 1595, na Solenidade de Corpus Christi, no dia em que professamos nossa fé pública em Jesus Eucarístico, Filipe Neri encontrou o seu descanso. A sua canonização não demorou muito para acontecer, pois, em 1622, ele foi elevado à honra dos altares.

A vida e o exemplo de São Filipe Neri, “o sorriso de Deus”, indicam hoje para todos nós o critério sempre válido de uma renovação da vida cristã, de um maior compromisso com o Reino de Deus e de intimidade com o Cristo, a fim de que possamos, por meio de Sua Palavra, Presença e ação salvífica, testemunhar a alegria do Evangelho sem reservas.

Que São Filipe Neri nos ajude a vivenciar a alegria e o bom humor na realização de um apostolado contínuo e no esforço diário de propagar a fé. Impulsionados pela docilidade ao Espírito Santo, saibamos crescer sempre mais na identificação com Deus, a fim de que possamos vislumbrar novos horizontes em termos de santidade. Que São Filipe Neri nos auxilie na missão de transmitir a alegria do Evangelho com os nossos lábios, nossos rostos e nossos corações, para que o nosso próximo possa descobrir que o sorriso de Deus é uma porta de acesso ao Reino dos Céus. São Filipe Neri, rogai por nós!

Aloísio Parreiras
2020-05-26T15:41:13-03:0026/05/2020|