São Francisco de Sales, bispo

São Franciso de Sales, bispo

24 de janeiro

 

A Igreja celebra neste dia 24 de janeiro a memória de São Francisco de Sales.

Sabóia,1 dia 21 de agosto de 1567, primogênito de Francisco e Francisca de Boisy. O pai tem 44 anos, a mãe 15. Terá doze entre irmãos e irmãs, cinco dos quais morrerão pouco depois do nascimento. O período de seus estudos é muito longo e transcorre em três etapas. A primeira, nos colégios de La Roche e de Annecy, onde já lhe nasce a vocação ao sacerdócio. Depois, em Paris, no colégio dos jesuítas. Por fim, quatro anos em Pádua, para laurear-se “doutor em direito civil e canônico”, em 1591.

Nesse meio tempo estuda também teologia. Revela-se, em todas as etapas, muito dotado. Inteligência brilhante, caráter tenaz, sereno e afável, de um fascínio incontestável, e sobretudo devorado pelo amor de Deus. Sacerdote: pastor e missionário. Recusa o noivado e o cargo de senador que lhe é oferecido. Desfazem-se assim os sonhos de grandeza humana acariciados por seu pai.

Nomeado deão do cabido da catedral de Annecy, recebe as ordens sagradas e se torna sacerdote em 18 de dezembro de 1593. Passa os primeiros anos do seu sacerdócio empenhado em extraordinária batalha missionária no Chablais calvinista: a pregação corajosa, o método de diálogo paciente e a oração serão determinantes para a volta de Thonon e do Chablais à fé católica. Seu bispo o envia a Roma para tratar de negócios da diocese. Dia 24 de março de 1602, é nomeado bispo coadjutor.

Nesse mesmo ano vai a Paris para dirigir a restauração do culto católico na região de Gex, parte da diocese que se tornara francesa. Em nove meses de permanência conquista a capital. Príncipe-bispo de Genebra. Ordenado bispo em 8 de dezembro de 1602, torna-se o bom pastor no meio do povo: visita incansavelmente suas 450 paróquias, forma seu clero (dirá que “a ciência é o oitavo sacramento do padre”), reforma os mosteiros, catequiza as crianças, passa horas no confessionário. Dialoga ainda com os calvinistas, prega durante o Advento e a Quaresma em muitas cidades da Sabóia e da França, exerce a direção espiritual por palavra e por escrito, intervém nas disputas teológicas.

Com seu amigo senador Antônio Favre funda a Academia Florimontana, e em meio a todas essas ocupações publica em 1608 Introdução à vida devota (Filotéia), e em 1616 o Tratado do amor de Deus (Teótimo). Funda a Ordem da Visitação de Maria. Em 1604, conheceu em Dijon a baronesa Joana Frémyot de Chantal, de 32 anos, viúva com quatro filhos. Do encontro nasceu uma amizade espiritual.

Em 1607, Francisco revela-lhe um projeto: fundar uma ordem de tipo novo, de religiosas contemplativas, mas dispostas a acolher meninas e viúvas, e autorizadas a sair do mosteiro para visitar os doentes e os pobres. A ordem foi fundada em 6 de junho de 1610. Mas, em 1618, pela intransigência das normas canônicas impostas pelo primaz da França Denis Marquemont, foi suprimido qualquer apostolado externo.

Últimas viagens. O duque Carlos Emanuel I de Sabóia manda Francisco a Paris para promover o matrimônio do príncipe herdeiro Vítor Amadeu com Cristina de França, irmã do jovem Luís XIII. Aí fi cará cerca de dez meses. Em meio a um sem-número de situações intrincadas, permanece, principalmente, missionário: prega incansavelmente, encontra-se com Vicente de Paulo, madre Angélica Arnaud e Richelieu. Funda em Paris um mosteiro da Visitação, mas recusa o convite para coadjutor do cardeal arcebispo. Em 1622, teve de enfrentar outra viagem penosa: devia receber os reis de França em Avinhão e depois acompanhá-los subindo o rio Ródano até Lião. Hóspede das Visitandinas de Bellecour em Lião, encontra-se pela última vez com madre Joana de Chantal, e morre de hemorragia cerebral dia 28 de dezembro.

No dia 24 de janeiro de 1623, Annecy celebra seus funerais solenes, e o corpo é transportado para o mosteiro da Visitação. Será canonizado por Alexandre VII no dia 19 de abril de 1665. Muito mais tarde, em 1877, Pio IX declara-o “doutor” da Igreja, o primeiro de língua francesa. Esta é a vida do patrono da Família Salesiana, extraordinariamente rica e densa.

Que São Francisco de Sales nos ajude a caminhar sempre numa vida devota.

 

São Francisco de Sales, rogai por nós!

 

Por Joseph Aubry