SÃO JOSÉ OPERÁRIO

         Quando nós buscamos maiores conhecimentos históricos para entendermos porque o dia primeiro de maio é o Dia do Trabalho, nós percebemos que, na segunda metade do século XIX, e na primeira metade do século XX, esse dia estava relacionado a uma grande greve geral dos trabalhadores da industrializada cidade de Chicago, nos Estados Unidos, que morreram lutando pela obtenção dos direitos trabalhistas.

Logo depois, esse dia foi definido como um dia de luta operária durante a realização da Segunda Internacional Socialista, que foi refundada em Paris, no ano de 1889, por insistência de Friedrich Engels. Por conseguinte, é fácil notar que, na sua origem histórica, o Dia do Trabalho expressava a defesa dos ideais socialistas, as concepções anarquistas e, de algum modo, a aceitação da luta de classes e de sua dialética de violência como algo positivo a ser vivido e defendido pelos trabalhadores.

Ao perceber a difusão do joio no meio do trigo, a nossa Mãe Igreja buscou esclarecer a real concepção do trabalho na vida do fiel cristão. Expressando, com caridade, a verdade revelada por nosso Senhor Jesus Cristo, em 1955 o Papa Pio XII definiu o dia primeiro de maio como memória facultativa de São José Operário.

De imediato, nós podemos notar que a instituição da memória facultativa de São José Operário, no mesmo dia da celebração do Dia do Trabalho, foi um sopro renovador do Espírito Santo que utilizou uma festa com um idealismo marxista para transformá-la em uma festa, uma memória litúrgica com aspectos sagrados. Agindo assim, o Divino Espírito fez e faz os cristãos das mais diversas classes sociais perceberem que o trabalho não pode ser visto como um meio de opressão da classe dominante sobre o operariado e não é tampouco um sofisticado meio de exploração que proporciona a organização dos trabalhadores, inspirados por ideias comunistas e anarquistas, objetivando a criação de um novo tipo de sociedade onde Deus não se faz presente.

Muito pelo contrário, o trabalho é uma atividade digna que favorece ao homem o poder de participar na obra criadora de Deus. Como nos ensina São Josemaría Escrivá: “O trabalho, todo o trabalho, é testemunho da dignidade do homem, do seu domínio sobre a criação. É um meio de desenvolvimento da personalidade. É um vínculo de união com os outros seres; fonte de recursos para sustentar a família; meio de contribuir para o melhoramento da sociedade em que se vive e para o progresso de toda a humanidade”. (Cristo que passa, nº 47).

Com a instituição da memória facultativa de São José Operário, o Papa Pio XII demonstrou para o mundo inteiro, e sobretudo para aos trabalhadores cristãos, a figura de São José como um exemplo de operário que realizou, com santidade, humildade e dignidade, o seu ofício de artesão. Por meio dessa definição, em nome de Cristo, o Papa Pio XII convidou os operários de todo o mundo a vislumbrarem na vida de trabalho de São José a promoção da espiritualidade do trabalho e a concretização do Evangelho do trabalho.  Desse modo, o Papa Pio XII, movido pelo Divino Espírito, convidava as pessoas de todo o mundo a olharem para São José a fim de perceberem que, na atividade laborial, todo aquele que é um autêntico discípulo de Cristo, mesmo em meio ao cansaço e à fadiga, sabe carregar a cruz cotidiana nos ofícios que é chamado a realizar com zelo e dedicação.

Nestes nossos dias, em pleno século XXI, o Espírito Santo de Deus continua demonstrando a todos nós que São José é o modelo perfeito do operário, pois ele nos ensina a promover a dignidade do trabalho humano e a realizar um trabalho santo e santificador, pois, como sabemos, foi com o fruto de seu humilde trabalho que São José sustentou a Sagrada Família e cumpriu, com esmero, os seus deveres para com a comunidade de Nazaré da Galileia.

Ao proclamar São José como o protetor dos trabalhadores, a Igreja evidenciou que é a primeira a propor uma justa doutrina social e a levantar a voz na defesa dos mais oprimidos. Quando adentramos, com os olhos da fé, a oficina de São José, ele nos faz perceber que a caridade e a vocação cristã contagiam nossa atividade profissional. Desse modo, passamos a bradar que nós não trabalhamos apenas para alcançar um salário ou o dinheiro suficiente para ter os recursos materiais necessários. Nós trabalhamos porque temos conhecimento de que o trabalho é um caminho de santificação pessoal que nos ajuda a restituir em nós e em nosso semelhante a perspectiva de uma verdadeira humanização, ou seja, por meio do trabalho, tornamo-nos mais humanos, exercitamos a dignidade inalienável da pessoa e alcançamos os valores sociais, humanos e comunitários que o trabalho nos proporciona. Enfim, trabalhamos e buscamos a proteção de São José Operário porque nós cremos que é “feliz todo aquele que teme ao Senhor e anda em Seus caminhos. Ele viverá do trabalho de suas mãos, para sua felicidade e bem-estar”. (Sl 127, 1-2).

Vamos concluir reiterando que, ao definir a memória facultativa de São José Operário no dia primeiro de maio, a Igreja expressou que é necessária uma presença incisiva e visível dos cristãos no ampliado e diversificado mundo do trabalho. Expressou também que não são as ideias socialistas, nem as anarquistas, nem as positivistas e nem mesmo a luta de classes os meios que devem ser utilizados pelos cristãos do mundo inteiro para sanar as dificuldades advindas do mundo do trabalho. Expressou ainda, com dignidade, que, por ser sinal do poder criativo do Altíssimo, as condições de trabalho devem evidenciar sempre mais o alcance da dignidade do ser humano que participa, de alguma forma, do poder criador de Deus por meio do trabalho.

Como membros da Igreja, discípulos missionários de Jesus, deixemo-nos contagiar pelo exemplo de trabalho de São José Operário, para que possamos aprender a santificar nosso trabalho cotidiano. Nas contrariedades diárias do trabalho, recorramos, com confiança, a São José, e confiemos à sua poderosa proteção todos e cada um dos trabalhadores que compõem a grande família laborial. Confiemos, também, a São José os desempregados que estão à procura de um emprego que ajude na manutenção das despesas do lar. Que São José Operário, Protetor dos trabalhadores, nos acompanhe com a sua proteção e ajude-nos a cumprir as nossas tarefas profissionais com renovada esperança e santidade. São José Operário, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

2020-05-01T13:13:27-03:0001/05/2020|