SÃO PEDRO E SÃO PAULO, APÓSTOLOS

Depois da Virgem Santa Maria e de São João Batista, Pedro e Paulo são os santos que possuem mais datas comemorativas no decorrer do ano litúrgico, evidenciando que a Igreja, nossa boa Mãe, está sempre nos convidando a conhecer sempre mais os exemplos, os testemunhos, as obras, os ensinamentos e os serviços prestados a Cristo e à Igreja pelos apóstolos Pedro e Pedro.

Pedro e Paulo são considerados as colunas da Igreja, pois eles foram pessoas fundamentais na propagação do Evangelho após a ressurreição de Cristo. Eles também são considerados os “cabeças dos Apóstolos” por terem sido os principais líderes da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua pregação e fé, como pelo ardor e zelo missionários. As obras evangelizadoras e os martírios desses santos apóstolos constituem, de algum modo, o complemento do Evangelho de Cristo, a sua acolhida na história de Roma, na história do mundo antigo e também em toda a nossa história.

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Ele exercia a profissão de pescador, antes de ser chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu o Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Ele foi o Apóstolo que Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro Papa da Igreja, guiando e sustentando a primeira comunidade cristã. A ele Cristo disse: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e Eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt 16, 17-19). São Pedro é o pastor do rebanho santo e, por isso, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da comunhão e da unidade na fé e na caridade.

Humaníssimo na sua fragilidade, Pedro era um homem impetuoso, que muitas vezes agia sem refletir, mas possuía um enorme coração onde imperava a presença transformadora de Cristo. Em alguns momentos da obra salvífica de Cristo, Pedro, assim como outros apóstolos, fraquejou na fé e chegou até mesmo a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua Paixão e Morte por crucifixão.

Logo após a Sua ressurreição gloriosa, o próprio Jesus confirmou Pedro na fé, tornando-o um ousado pregador do Evangelho por meio da descida do Espírito Santo. Naquele dia, no Cenáculo de Pentecostes, Pedro anunciou, sem medo de perseguições, a ressurreição de Jesus e batizou mais de três mil pessoas. Depois de Pentecostes, Pedro consagrou toda a sua vida a Cristo, até o martírio em uma cruz. A Pedro é atribuído o primeiro milagre depois da ressurreição de Jesus, na porta do Templo e ainda, é atribuída a ele a primeira conversão de um pagão, o Centurião Cornélio.

Durante as perseguições que foram empreendidas contra os cristãos na Roma antiga, Pedro sofreu a prisão por testemunhar Jesus e o Evangelho. Pela sua fidelidade, doação e identificação com o nosso Redentor, Pedro selou o seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado sob o imperador Nero, no ano de 67 d.C. Ele foi crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. Ele escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo, era natural de Tarso. Ele recebeu educação esmerada “aos pés de Gamaliel”, um dos grandes mestres da Lei daquela época. Ele tornou-se um fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles, inclusive Santo Estevão, jovem e primeiro mártir.

Paulo converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Cristo ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Logo após o evento de Damasco, naquele encontro inesperado e decisivo com o Cristo, Paulo tornou-se o grande discípulo missionário do Mestre, o Apóstolo dos gentios, em todos os lugares possíveis. Para cumprir com determinação, fortaleza e coragem o seu serviço missionário, Paulo recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério, buscando orientação junto a Pedro. Em pouco tempo, Paulo tornou-se um grande missionário, fundando inúmeras comunidades.

Paulo foi todo e em tudo dedicado à missão evangelizadora. As suas viagens missionárias em prol da expansão da fé cristã o levaram à Arábia, Grécia, Turquia, Itália. Em Roma, ele virou prisioneiro por causa da fé, mas continuou a evangelizar, ainda que em meio a muitas dificuldades. Paulo foi, sem sombra de dúvidas, um instrumento eleito para levar o nome de Jesus Cristo e o Seu Evangelho diante dos povos e, por isso, ele é considerado o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos.

De perseguidor, Paulo passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o Apóstolo dos gentios. Paulo foi condenado à morte por decapitação, por um tribunal romano, no ano 67 d.C., porque era cristão.

Admiráveis são as vidas, os exemplos, os testemunhos e a identificação com o Cristo que foram vivenciados pelos apóstolos Pedro e Paulo. Pedro é modelo de discípulo e nos conduz ao centro de nossa fé ao reconhecer Jesus como Cristo, ensinando-nos que confessar Jesus como Cristo significa reconhecer e aceitar a Sua função de Messias, de Redentor. Paulo é um sólido exemplo de que ninguém está excluído do chamado à salvação. Ele foi um trabalhador corajoso, inteligente, excelente orador e de grande cultura que sempre estava preparado e disposto para o serviço do Evangelho.  Suas catorze cartas, inseridas no cânon do Novo Testamento, são bases doutrinais essenciais do Cristianismo e uma referência imprescindível para os cristãos de todas as épocas históricas e de todos os continentes.

Com justa razão, Pedro e Paulo são reconhecidos pela Igreja como as suas colunas. Desse modo, nós celebramos suas vidas e testemunhos no anúncio do Evangelho, pois eles são os Apóstolos que nós, assim como os primeiros cristãos, chamamos de bem-aventurados, reconhecendo o decisivo chamamento que Cristo lhes fez, seus fecundos ministérios apostólicos, seus iluminados ensinamentos e o extremo sacrifício, que sigilou de modo maravilhoso duas existências plenamente consagradas a nosso Senhor Jesus Cristo e ao Evangelho.

Certamente, entre todos aqueles que amaram a manifestação do Senhor, Paulo de Tarso foi o mais vibrante missionário, o intrépido combatente, a testemunha inflexível. Por sua vez, Pedro foi o primeiro Papa, aquele que recebeu uma aparição singular de Cristo no Domingo da Ressurreição do Senhor. Inspirados pelo exemplo de São Pedro e de São Paulo, nós, “edificados sobre o alicerce dos Apóstolos” (Ef. 2, 20), ou melhor, destes Apóstolos, agradecemos ao Senhor porque Ele se manifesta grande, vibrante e inesquecível nos seus santos.

O olhar de Pedro, agonizante na cruz, e o olhar de Paulo, a sucumbir sob a espada, nos convidam hoje e sempre a reavivar a nossa fé em Cristo com sabedoria, coragem e fortaleza. Encorajados pelo testemunho desses dois santos apóstolos e mártires, renovemos o compromisso de permanecermos unidos em oração, com um só coração e uma só alma.

Que São Paulo Apóstolo nos incentive sempre mais a não pouparmos esforços na obra evangelizadora da Igreja e que São Pedro Apóstolo nos ensine sempre mais a permanecer unidos ao Cristo na fiel correspondência da fé e da santidade. Que os exemplos e palavras de São Pedro e de São Paulo permaneçam vivos em nossa memória, a fim de que possamos professar a necessidade da oração, para que o ministério de Pedro encontre nova compreensão na Igreja dos nossos tempos, e para que se amplie cada vez mais a dimensão da universalidade missionária que São Paulo trouxe de modo tão relevante para a história da Igreja.

Em união com São Pedro e São Paulo Apóstolos, permaneçamos firmes na comunhão dos santos e no exercício cotidiano da alegria do Evangelho, testemunhando a certeza de que o Senhor, que prometeu a Pedro construir a própria Igreja sobre a Pedra, continua vivo e ressuscitado em nosso meio, ensinando-nos a passar pelo mundo fazendo o bem. São Pedro e São Paulo Apóstolos, rogai por nós!

Aloísio Parreiras
2020-07-11T17:20:44-03:0028/06/2020|