SÃO PIO DE PIETRELCINA

“Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos conduzam com inteligência e sabedoria”. (Jr 3,15). Essa é a antífona da Memória litúrgica de São Pio de Pietrelcina, o santo seguidor de São Francisco de Assis, que marcou o século XX e que transformou a vida de muitas pessoas com curas, confissões decisivas e conversões determinantes.

Pio nasceu no dia 25 de maio de 1887 em Pietrelcina, na Itália. Era filho de Gracio Forgione e de Maria Josefa de Nunzio. No dia seguinte ao seu nascimento ele foi batizado como nome de Francesco Forgione, e mais tarde seria, de fato, um grande seguidor de São Francisco de Assis. Mesmo na infância, ele era muito dedicado às coisas de Deus, tendo uma inigualável admiração pela Virgem Maria e o seu Filho Jesus. Ele também cultivava uma grande intimidade com o seu Anjo da Guarda, a quem recorria diversas vezes para auxiliá-lo na senda do Evangelho.

Aos doze anos, Pio recebeu os sacramentos da Primeira Comunhão e do Crisma, completando assim a recepção dos sacramentos da iniciação cristã. Aos dezesseis anos, entrou para o noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos da cidadezinha de Morcone, onde recebeu o hábito dos franciscanos e assumiu o nome de Frei Pio.

Em 1910, aos 23 anos, Pio recebeu a ordenação sacerdotal no Convento de Benevento. Padre Pio, como era chamado, pouco tempo depois ficou doente e voltou a viver com sua família para tratar sua enfermidade, e lá permaneceu até o ano de 1916. Quando retornou, foi mandado para o Convento de San Giovanni Rotondo, lugar onde viveu até a sua morte.

O padre Pio gostava de se apresentar dizendo: “Sou um simples frade que reza”. De fato, a oração era um hábito em sua vida, um fecundo diálogo com Deus que alimentava o seu ideal de santidade. A respeito da oração, ele gostava de afirmar: “Nos livros, procuramos Deus; na oração, encontramo-Lo. A oração é a chave que abre o coração de Deus”.

A celebração da Eucaristia era a atividade mais importante de sua vida e, por isso, os fiéis que dela participavam percebiam o alcance desse sacramento e a sua preciosidade em nossas vidas. Outra atividade essencial da vida do Padre Pio era o serviço do confessionário e, por isso, passava até 14 horas por dia atendendo os penitentes que a ele acorriam de diversas localidades, pois sabia que a confissão dos pecados é uma das maneiras mais eficientes que Cristo nos deixou para aliviar os sofrimentos do coração e nos libertar do egoísmo e do mal.

Na administração do Sacramento da Reconciliação ele demonstrava um dos seus dons extraordinários: ele via os pecados não confessados e, assim, orientava os fiéis sobre a necessidade de confessá-los para alcançar o dom do perdão divino. Padre Pio possuía também o dom extraordinário da bilocação, ou seja, podia estar em dois lugares ao mesmo tempo.

 

A vida do Padre Pio não foi uma vida fácil, pois ele sofreu perseguições de padres e bispos que achavam que ele era um mentiroso, um farsante. Diante das acusações injustificáveis, ele permaneceu calado, sempre confiando no julgamento de Deus, dos seus superiores diretos e de sua própria consciência. Não obstante, nada disso diminuiu o seu amor pelo Cristo, pela Virgem Maria, o Papa e a Igreja. Como prova visível de sua santidade, ele recebeu os estigmas, sinais da Paixão de Cristo, que tiveram duração de cinquenta anos, em seu próprio corpo, tornando-se assim o primeiro sacerdote da história da Igreja a receber as marcas do Cristo do Calvário.

Padre Pio se esforçou em aliviar não somente o sofrimento espiritual das pessoas, mas também o sofrimento físico. No exercício da oração, ele teve a inspiração de construir um grande hospital, a “Casa Alívio do Sofrimento” que foi inaugurado em 1956 e tornou-se referência no tratamento dos enfermos em toda a Europa nos anos pós-guerra. No terreno da caridade, atendendo a um pedido do Papa Pio XII, ele criou os Grupos de Oração com o intuito de abrandar os horrores causados pela Segunda Guerra Mundial na vida e no coração de tantas pessoas, ajudando-as a superar as sombras da guerra e suas consequências, irradiando as luzes da esperança de um mundo melhor.

A saúde do Padre Pio, que sempre inspirou cuidados, declinou consideravelmente nos últimos anos da sua vida. Ele faleceu no dia 23 de setembro de 1968, aos oitenta e um anos de idade. Seu funeral caracterizou-se por uma multidão de fiéis, que o consideravam santo. Nos anos seguintes à sua morte, a sua fama de santidade cresceu cada vez mais, tornando-se um fenômeno eclesial, espalhado por todo o mundo. No ano de 1999, o Papa João Paulo II declarou-o bem-aventurado e, no ano de 2002, ele foi elevado aos altares da Igreja, que estabeleceu o dia 23 de setembro como o dia de sua festa litúrgica.

O Papa João Paulo II, que conheceu em vida o Padre Pio, e com ele se confessou, na cerimônia de canonização do frade de Pietrelcina, afirmou: “Padre Pio foi um generoso dispensador da misericórdia divina, sobretudo por meio do sacramento da Penitência. O ministério do confessionário atraía numerosas multidões de fiéis. Mesmo quando ele tratava os peregrinos com severidade atraente, eles, tomando consciência da gravidade do pecado e arrependendo-se sinceramente, voltavam quase sempre atrás para o abraço pacificador do perdão sacramental”.

Hoje, fazendo memória da vida e dos ensinamentos de São Pio de Pietrelcina, podemos afirmar que ele foi um dispensador dos mistérios divinos, um sacerdote apaixonado por Jesus Cristo, que não poupou esforços para conduzir almas para Deus e, por isso, ele se identificou com o nosso Redentor por meio dos estigmas, santificando assim o caminho da Igreja no século XX que, apesar de ter sido marcado por duas guerras sangrentas, foi o tempo onde Deus concedeu à Igreja e ao mundo um sacerdote extraordinário, um homem de oração e de sofrimento, com a missão de converter os homens, apontando as luzes da esperança da salvação. São Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

(Escritor e membro do Movimento de Emaús)

2020-09-23T13:59:43-03:0023/09/2020|