SÃO TIAGO MAIOR, APÓSTOLO

Contemplar, à luz da fé, o contato e a intimidade dos Apóstolos com o Cristo
constitui para nós um sólido referencial para a nossa vivência e convivência cristãs.
Observando os erros e, sobretudo, os acertos dos Apóstolos, aprendemos que, em
termos de fé, todo aquele que se predispõe a servir ao Reino de Deus é, desde os
primeiros momentos, convocado a superar seus defeitos e limitações, a fim de que
unicamente prevaleçam a graça e o amor de Deus.
Quero convidá-los, hoje, a olhar para São Tiago Maior, Apóstolo. Como nós
sabemos, São Tiago nasceu em Betsaida, uma antiga aldeia de pescadores à beira do
Mar da Galileia. Ele era filho de Salomé e de Zebedeu e irmão de João evangelista. São
Tiago era considerado um dos Apóstolos mais próximos do Senhor e, por isso, teve o
privilégio de testemunhar alguns milagres de Jesus, entre eles, a revivificação da filha
de Jairo. Por uma graça especial do Altíssimo, São Tiago esteve presente na
Transfiguração do Senhor e na Agonia de Cristo, no Getsemani.
Provavelmente, Tiago deve ter sido um dos discípulos de João Batista e,
certamente, foi conduzido ao Cristo por intermédio de seu irmão, João, o evangelista.
Eis a narração bíblica deste momento: “Caminhando Jesus ao longo do Mar da Galileia,
viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que consertavam as redes; e chamou-os
e deu-lhes o nome de Boanerges, que quer dizer, filhos do trovão”. (Mt 4,18). Desde
aquele dia, o ímpeto e a doação de Tiago teriam um único objetivo: servir ao Senhor
sem reservas.
Com o Apóstolo São Tiago, nós aprendemos que o contínuo relacionamento
com o Cristo nos conduz à superação das nossas fraquezas. Somente unidos a Deus,
temos a capacidade de perceber que “quem sabe aonde chegar, escolhe o caminho certo
e o jeito de caminhar!” (Thiago de Mello).
Caminhando com o Cristo, entendemos que não podemos servir ao nosso
Salvador buscando unicamente recompensas e glórias meramente humanas. No serviço
à Igreja, não importa o lugar ou a função que exercemos nas Pastorais da Igreja, pois o
que, de fato, é importante, é estarmos sempre disponíveis para servir às obras do
Senhor. Em nosso apostolado e no amadurecimento de nossa vocação, assim como São
Tiago, nós somos questionados por Jesus: “Por acaso podeis beber o cálice que eu vou
beber?” (Mt 20,22). Mesmo sem perceber o alcance de nossa resposta, nós também
dizemos ao Cristo: “Podemos!”. Diante da nossa entrega e da nossa disponibilidade, Ele
nos afirma: “De fato, vós bebereis do Meu sangue (Mt 20,23), e sereis batizados com o
batismo com que eu devo ser batizado!” (Mc 10,39).
Por causa de seu testemunho e de sua fidelidade ao Cristo, São Tiago foi o
primeiro Apóstolo a sofrer o martírio. Ele foi decapitado por volta do ano 42 ou 43 do
século I, por ordem de Herodes Agripa, neto de Herodes, o Grande. Eis a narração de
Lucas, nos Atos dos Apóstolos: “Por este tempo, o rei Herodes tomou a iniciativa de
maltratar alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João e,
vendo que isso era agradável aos judeus, mandou, ainda por cima, prender também a
Pedro!” (At 12, 1-2).

Segundo uma tradição dos primeiros séculos, antes de ser martirizado, São Tiago
abraçou um carcereiro, desejando-lhe “a Paz de Cristo”. Este gesto converteu o
carcereiro que, assumindo a fé em Jesus, foi martirizado juntamente com o Apóstolo.
Uma antiga tradição nos conta que São Tiago esteve na Espanha para
evangelizar aqueles povos e, alguns anos após o seu martírio, seu corpo teria sido
transladado para a cidade de Santiago de Compostela.
Ainda hoje, São Tiago nos exorta a abandonar-nos nas mãos de Deus com
renovada confiança e uma singular esperança. Ele nos demonstra que, mesmo diante da
possibilidade das perseguições e do martírio, sempre vale a pena ser fiel aos desígnios
de nosso Deus. “Portanto, de Tiago, podemos aprender muito: a prontidão para acolher
o chamado do Senhor, inclusive quando nos pede que deixemos a barca de nossas
seguranças humanas; o entusiasmo para segui-Lo pelos caminhos que Ele nos indica,
mais além de nossa pretensão ilusória: a disponibilidade para dar testemunho d’Ele com
valentia e, se for necessário com o sacrifício da vida!”. (Papa Bento XVI, Audiência em
21 de junho de 2006).
A vida e o exemplo de São Tiago Maior nos ajudam a realizar uma maior
abertura para aceitar o chamado do Senhor também quando Ele nos pede que deixemos
tudo para abraçar o Seu seguimento, professando sempre uma total disponibilidade e um
grande entusiasmo para testemunhá-Lo, com coragem e fortaleza, mesmo nas situações
adversas.
Como percebemos, “Tiago não viveu muito mais tempo. Desde o princípio,
pondo de parte toda aspiração humana, elevou-se a tão grande santidade que bem
depressa recebeu a coroa do martírio”. (Homilia sobre Mateus, de São João
Crisóstomo). Ele, que inicialmente, tinha pedido, por meio de sua mãe, para se sentar
com o irmão ao lado de Cristo no Seu Reino, foi precisamente o primeiro a beber o
cálice da Paixão, a testemunhar com a sua vida o alcance do seu amor pelo nosso
Redentor.
Por sermos discípulos missionários de Cristo, queremos suplicar a São Tiago:
São Tiago, ajudai-nos a controlar a nossa impetuosidade e a adquirir as virtudes e as
qualidades que ainda nos faltam! Ensinai-nos a servir à Igreja com humildade e
desprendimento! São Tiago, amparados em seu exemplo, nós queremos também gastar
a nossa vida e os nossos dons na concretização de um mundo novo redimido pelo
Cristo! São Tiago, sem tacanhices e sem reservas, nós podemos afirmar: queremos
renovar nossa entrega ao Senhor! São Tiago Maior, Apóstolo de Jesus, acompanhai-nos
com vossa proteção e intercessão! São Tiago Maior, rogai por nós!

Aloísio Parreiras