SÃO TOMÉ APÓSTOLO

Nós recebemos de São Tomé Apóstolo a mais bela profissão de fé que está registrada nos Evangelhos: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). Essa frase foi dita por ele ao Cristo ressuscitado que lhe apresentava Suas chagas gloriosas. Meditando sobre este episódio, o Papa São Gregório Magno comenta: “A incredulidade de Tomé não foi um acaso; ela foi prevista nos planos de Deus. O discípulo que, duvidando da ressurreição do Mestre, pôs as mãos nas Suas chagas, curou assim a ferida da nossa própria incredulidade”.

São Tomé pertenceu ao grupo dos Doze Apóstolos. O Senhor o chamou dentro de sua realidade, com suas fraquezas e, até mesmo, com suas crises de fé. Ele era judeu, natural da Galileia e exercia a profissão de pescador. Ele também era conhecido como Dídimo, que quer dizer gêmeo. Era um homem de temperamento franco e não vacilava em questionar o Cristo caso tivesse alguma dúvida, o que, por sinal, dava ocasião a respostas maravilhosas, ensinamentos singulares do nosso Redentor.

O nome de Tomé aparece nos três primeiros Evangelhos ao lado de Mateus, enquanto nos Atos dos Apóstolos está próximo de Filipe. De sua vida antes do chamado de Cristo para o apostolado, nada sabemos. São três os grandes momentos do Apóstolo São Tomé no Novo Testamento. O primeiro é quando Jesus é chamado para voltar à Judeia, pois o Seu amigo Lázaro havia morrido.

Naquele dia, Cristo decidiu ir a Betânia para ressuscitar Lázaro, aproximando-se assim perigosamente de Jerusalém. Os Apóstolos tentam impedi-Lo que se arrisque, pois havia ameaças dos inimigos e Jesus poderia ser apedrejado; porém Tomé intima os demais, dizendo: “Então vamos também nós, para morrermos com Ele!”. (Jo 11, 16). Esta determinação de Tomé em seguir a Cristo, mesmo em meio às perseguições, oferece-nos uma importante lição: Devemos sempre permanecer unidos a Cristo, identificando os nossos passos com os passos do nosso Mestre.

O segundo grande momento de Tomé ocorreu durante a Última Ceia, quando o Cristo, predizendo a Sua partida iminente, afirmou para os Apóstolos que iria preparar-lhes um lugar, a fim de que estivessem com Ele, afirmando: “Para onde Eu vou, vós sabeis o caminho”. (Jo 14,4).  Naquele momento, sem alcançar o entendimento das palavras ditas pelo Cristo, Tomé não hesitou em perguntar: “Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos conhecer o caminho?”. (Jo 14, 5).

O questionamento de Tomé levou o Cristo a nos apresentar uma belíssima explicação a respeito de Si mesmo, afirmando: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém chega ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já O conheceis, pois O tendes visto” (Jo 14, 6-7). Essa verdade da fé, essa sublime revelação que Cristo fez a Tomé, é feita também a todos nós no aprendizado da santidade, clareando a certeza de que o Cristo é o centro de nossas vidas e de nossa História e, por isso, sem Ele, nós somos apenas caminhantes cansados que não sabem de onde saíram e nem aonde chegarão.

O terceiro e decisivo momento foi o que mais marcou a vida e a trajetória de São Tomé. Esse momento aconteceu oito dias depois da Páscoa, quando os Apóstolos comunicaram a Tomé que tinham visto o Senhor ressuscitado. Ele não acreditou e respondeu: “Se eu não vir a marca dos pregos em Suas mãos, se eu não colocar o dedo nas marcas dos pregos e não colocar o meu dedo na abertura do Seu peito, eu não acreditarei”. (Jo 20, 26).

Para a felicidade de Tomé e a nossa, Jesus apareceu no Cenáculo no meio dos Seus discípulos, e desta vez Tomé estava presente. Naquele dia, Cristo disse a Tomé: “Põe teu dedo aqui e vê Minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no Meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!”. (Jo 20, 27). Tomé reagiu com o coração em chamas, expressando uma bela e sólida profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). Ao se referir a este acontecimento, Santo Agostinho escreveu: “Tomé via e tocava o homem, mas confessava a sua fé em Deus, que não via nem tocava. Mas o que via e tocava levava-o a crer naquilo de que até àquele momento tinha duvidado”.

Logo após a profissão de fé de Tomé, o Cristo afirmou: “Porque me viste, acreditaste. Felizes os que, sem terem visto, crerão”. (Jo 20, 29). A vida e o chamado de São Tomé evidenciam que todos nós somos chamados à fé na Ressurreição como o foi Tomé, pois também a nós o Cristo diz: “Estende a tua mão!” (Jo. 20, 28).

Quando estendemos as nossas mãos e tocamos as chagas redentoras de Cristo, nós percebemos o alcance do amor d’Ele por nós e, assim, passamos a definir o sentido de nossas vidas por meio da vivência pessoal e comunitária da fé com a consciência de que, participando da comunidade da Igreja, nós conseguimos realizar uma experiência viva, nova e transformadora com o Cristo ressuscitado, pois, fora da Igreja, essa experiência não é possível; fora da Igreja não há salvação.

São Tomé anunciou o Evangelho na Síria, na Pérsia e região ao redor, na Índia Ocidental e na Índia meridional. Anos depois, ele veio a falecer, martirizado, testemunhando a fé e o amor cristão.

Como nos ensina São Gregório Magno: “A incredulidade de Tomé ajudou-nos a nós muito mais, quanto à fé, do que a fé dos outros discípulos. Enquanto, de fato, Tomé se vê reconduzido à fé pelo sentido do tato, a nossa mente é consolidada na fé conseguindo a vitória sobre todas as dúvidas. Assim o discípulo, que duvidou e tocou, tornou-se testemunha da realidade da ressurreição”.

Juntos de São Tomé, nós aprendemos que a fé é o objetivo da ressurreição, um fruto precioso do encontro com o Cristo que, quando descobrimos vivo, presente e ressuscitado em nossa História, transforma radicalmente a nossa vida. Que a vida, o exemplo e a doação de São Tomé nos ajudem a solidificar a nossa fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e nosso Deus. São Tomé Apóstolo, rogai por nós!

Aloísio Parreiras

2020-07-03T12:47:59-03:0003/07/2020|