SEDE PERFEITOS

Jesus Cristo é o Deus de amor que nos revela os sinais da misericórdia, revelando-nos, ao mesmo tempo, que somos chamados à perfeição, à santidade. Ele nos diz: “Sede, pois, perfeitos, como é perfeito vosso Pai celeste!”. (Mt 5, 48).  Mas quem poderia tornar-se perfeito?

A perfeição, a santidade, é um itinerário que somos chamados a percorrer em plena união com o Cristo.  Santo é todo aquele que vive em estado de graça, realiza as obras de misericórdia e exercita a caridade. Um santo é alguém que está acima da normalidade, ou seja, é alguém que possui disponibilidade para o serviço de Deus e da Igreja e, por isso, mesmo sem palavras, um santo consegue despertar a grandeza naqueles que estão ao seu redor, concedendo-lhes a possibilidade de realizarem plenamente seus potenciais humanos e cristãos, vivenciando a plenitude dos dons e dos talentos.

A nossa perfeição é construída quando vivemos como filhos de Deus, realizando concretamente a vontade do Senhor, imitando os gestos e as ações de Jesus. De que modo podemos imitar o nosso Redentor? Ouvindo e realizando o que Ele nos diz: “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem. Assim, tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque Ele faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos”. (Mt 5, 44-45).

O santo é o ser humano que possui falhas e erros, fraquezas e limitações. Mas é, acima de tudo, uma pessoa que tem intimidade com Deus, é alguém que tem autodomínio, serenidade, responsabilidade pelos outros e um grande ideal de serviço. Ser santo é possuir uma natureza que tende ao pecado, mas que luta bravamente contra as tentações, testemunhando os sinais de uma vida que é regada pela oração.

Um santo é um homem bom que não mede esforços para nos ajudar a ser aquilo que devemos ser, ou seja, imagem e semelhança de Deus, uma dádiva para o próximo, uma voz norteadora de um rumo certo. O santo é a pessoa que já foi conquistada pelo amor de Jesus, uma pessoa que desvendou o significado e o valor de sua existência e, por isso, nunca está sozinho, pois a santidade é contagiante.

Um santo é a pessoa que segura nas mãos providentes de Deus e se deixa levar pelos caminhos da fé e da esperança. Desse modo, o santo não se deixa levar pela riqueza, pelo luxo e pelas vaidades. Ao contrário, o santo é humilde, simples, pobre e bem-aventurado. Por conseguinte, o santo comporta-se de maneira digna do Evangelho de Cristo e tem a consciência de que um único dia sem a correspondência ao amor de Deus é um dia perdido, vazio e estéril.

Um santo é uma pessoa boa que não desiste de nós. Ele respeita a nossa liberdade, sofre com os nossos erros e está sempre buscando os meios oportunos para nos conduzir ao encontro com o Cristo. Um santo é um promotor de unidade e de comunhão, é um defensor da verdade e da vida, um apaixonado por Deus, pela Virgem Maria e pela Igreja.

No exercício da santidade, o santo é um propagador de entusiasmo e de alegria e, por isso, ele nos convence de que somente em Deus somos realmente felizes. Quando contemplamos as pessoas santas trabalhando, com afinco, no campo do mundo, buscando sobretudo aqueles que afirmam que não têm tempo para Deus, nós aprendemos que o serviço da propagação do amor de Cristo é missão de todos nós, pois “quando a semeadura é de santidade, não se perde; outros recolherão os frutos”. (São Josemaría Escrivá, Forja nº 651).

A busca da perfeição é o pensamento contínuo do santo que, logo ao amanhecer, começa o seu dia rezando: “Bom dia, Espírito Santo! O que faremos hoje? Senhor, o que queres de mim? Mãe Maria, bom dia! Mãe, a quem eu preciso, hoje, ensinar a oração do Terço?” Nas demais horas do dia, o santo anuncia que o Cristo é o Tesouro maior que precisamos encontrar, a graça é a pérola preciosa que não pode ficar escondida, o santo Evangelho e a Doutrina da Igreja Católica são as luzes que iluminam o nosso caminho e os sacramentos são o sal que nos preservam do mal, mantendo vivo o bom sabor da fé. Em outras palavras: o santo vive em intimidade com Deus, respirando as coisas santas e expressando os sinais da santidade na Igreja, no mundo e nos diversos ambientes sociais.

Um santo é a pessoa que nos faz perceber que esse mundo tem jeito, pois “onde há amor e a caridade, Deus aí está”. Ele é a boa essência do mundo, pois, por meio das suas ações, exala um suave aroma de céu, de eternidade e de paraíso. A nossa única atitude na presença de uma pessoa santa deve ser nos questionarmos: “Se eles e elas chegaram a ser santos, porque não posso eu também?”. (Santo Agostinho).

A santidade é um chamado que o Cristo dirige a todos nós. Ninguém está excluído desse chamado, pois todos nós precisamos ser santos. Para que isso ocorra, nós devemos dizer ao Senhor: “Quero passar meu céu fazendo o bem sobre a terra”. (Santa Teresa de Lisieux). Ajudai-nos, Senhor, a viver a fortaleza do corpo e da alma e inspirai-nos no testemunho da vida cristã e no anúncio do Vosso amor!

Um santo é sempre um desbravador, um pioneiro, um conquistador e, por isso, a história da Igreja é a feliz contemplação de inúmeras obras e serviços criados e edificados com a oração e a ação dos santos. Um santo não se limita a sonhar, ele executa e transforma o sonho em realidade, pois tem a consciência de que a obra é de Deus. Agindo assim, o santo expressa sua docilidade, sua sintonia com o Espírito Santo, que é quem renova, moderniza, dinamiza e atualiza os projetos de Deus. Inspirado pelo divino Paráclito, “o santo vai sempre para frente, sem ligar para o próprio estado de saúde ou a idade; pelo contrário, as doenças e as aflições se tornam para ele uma escada para uma maior perfeição; no seu fogo ele se purifica com o ouro”. (São Maximiliano Maria Kolbe).

Deus deseja que, em cada momento da história, em cada geração, exista uma nova constelação de santos, pessoas engajadas na busca da perfeição que vivam a unidade de vida na Igreja, na família, no trabalho, no lazer, nos ambientes de estudo e em sua vocação. A comunhão dos santos é engrandecida quando os santos param na rua para dar atenção aos pobres, ouvir as suas queixas e alimentá-los. Essa comunhão cresce ainda mais quando os santos reservam um precioso tempo para visitar os enfermos nos hospitais, os idosos que são esquecidos nos asilos e os marginalizados que habitam as periferias de nossas cidades.

Na contemplação do testemunho da perfeição vivenciado pelos santos, nós aprendemos que a santidade é um processo diário, um passo de cada vez rumo ao céu, pequenas coisas que favorecem a observação da beleza de Deus em nosso meio. Agindo assim, mantendo a fidelidade na correspondência ao amor de Deus, nós adquirimos a certeza de que a santidade é o ideal que devemos realizar sem pestanejar com alegria e determinação, constância e fortaleza.

Um santo salva uma família, uma cidade, um estado, um país e até o mundo. Um santo é o termômetro que eleva a temperatura da verdade e do bem. Um santo é alguém que, na busca da perfeição, está sempre se questionando: Como respondi até agora ao chamado de Deus à santidade? Tenho a vontade de ser melhor, de ser mais cristão? Tenho expressado, por meio do serviço aos irmãos, a alegria do Evangelho?

Que o Espírito Santo de Deus, o promotor da santidade, nos ajude na perseverança no bem e nos renove no aprendizado da perfeição, a fim de que possamos ser, em pleno século XXI, os santos de que o mundo precisa para conhecer a Pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo e adentrar o bom terreno dos insondáveis mistérios de Deus.

Aloísio Parreiras 

2020-06-16T10:42:10-03:0016/06/2020|