SEGUINDO OS PASSOS DE CRISTO NA SEXTA-FEIRA SANTA

Desde as primeiras horas daquela Sexta-Feira, de todas a mais Santa, nosso Senhor Jesus Cristo não poupou nenhum esforço e não sonegou nenhum ato de amor para nos salvar. Após a realização da Última Ceia, Ele foi traído e entregue por Judas, preso, levado e confrontado com acusações de blasfêmias pelos fariseus e, ao raiar do dia daquela Grande Sexta-Feira, às 6:00h, “logo ao amanhecer, os sumos sacerdotes consultaram os anciãos, os escribas e todo o Conselho. Eles amarraram a Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos”. (Mc 15, 1). O interrogatório se procedeu em meio à multidão, mas o veredicto já havia sido tomado, anteriormente: “É de vosso interesse que um só homem morra pelo povo”. (Jo 11,50).

Nas três horas que se seguiram, Jesus Cristo, uma Pessoa sem pecado, o Justo, o Imaculado e Perfeito, experimentou uma hostilidade imensa e um sofrimento intenso. Dando início aos suplícios do nosso Redentor, sem perder nenhum segundo, atendendo aos clamores da multidão que pedia Sua crucifixão, os soldados “bateram em Sua cabeça com uma cana, cuspiram nele e se ajoelharam para lhe prestar homenagem. Depois de zombar dele, tiraram o manto púrpura e o vestiram com suas próprias roupas. Depois o levaram para ser crucificado”. (Mc 15, 16-20). Antes de ser pregado na Cruz, Ele foi flagelado, torturado, cuspido, esbofeteado, açoitado, humilhado e desprezado. Fixemos o olhar no Cristo que está diante de nós, amarrado, espancado e ensanguentado e professemos que “Ele levou os nossos pecados no Seu Corpo, para que, mortos para o pecado, vivamos para a justiça”. (1 Pd 2,24).

Era a hora terceira, 9:00h, quando O crucificaram. Do alto da Cruz, Cristo parece estar impotente diante da maldade dos homens. “Tão desfigurado Ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano”. (Is 52, 14). Junto de Maria e de São João Evangelista, nós questionamos: Por que o maior defensor da não-violência foi tratado com extrema violência? Para responder a essa pergunta temos que nos lembrar que a Cruz é o trono glorioso de Jesus, pois “Ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a Ele imposta era o preço da nossa cura”. (Is 53, 5).

Com os olhos da fé, meditando, em um profundo silêncio, no mistério da Cruz, é-nos revelado que “a Cruz do Senhor abraça o mundo, Sua Via-crúcis atravessa os continentes e os tempos. Na Via-crúcis não podemos ser apenas espectadores. Estamos envolvidos e temos que buscar nosso lugar. Na Via-crúcis não existe a possibilidade de ser neutros”. (Papa Bento XVI, ao concluir a Via-crúcis no Coliseu, em 14 de abril de 2006). Declarando nosso eterno agradecimento ao Servo Sofredor que abriu para nós as portas do Céu, com o coração contrito, nós cantamos a certeza da vitória da Santa Cruz.

Ao meio dia, “à hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona”. (Mc 15,33). O Crucificado pronuncia poucas frases e, mais do que nunca, percebemos que Ele é “o rebotalho da plebe”. (Sl 22,7). Com o nosso coração dilacerado, nós ouvimos o Seu grito de desolação: “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonastes? ” (Mt 15, 34). Nas três horas que se seguiram, a escuridão adquiriu um forte simbolismo. Por alguns momentos, parecia que a Luz seria ofuscada pelas trevas, mas, como sabemos, a eminência da Luz supera as investidas das trevas. Em plena união com Cristo, nós temos acesso à graça e a todos os meios de perseverança na fé que nos ajudam a superar os erros, os pecados e as concupiscências da carne. Em plena união com o Cristo, nós somos de fato filhos da luz.

Por ter um amor infinito por todos e cada um de nós, “Ele se fez obediente até à morte”. (Fl 2,8). Em seus últimos momentos na Cruz, Cristo olha no fundo de nossas almas e sussurra aos nossos ouvidos: “Amei-te com um amor eterno”. (Jr 31,3). Na hora nona, às 15:00h, Ele ainda nos diz: “Está consumado! E, inclinando a cabeça, entregou o espírito”. (Jo 19, 30).

Do Seu lado trespassado pela lança, jorra sobre nossas cabeças um manancial de graças e de misericórdia. Nesta hora, reina em nosso ser um profundo silêncio, uma imensa dor em nossos corações e uma certeza em nossa mente: Eu sou discípulo deste Mestre! Eu fui resgatado pelo Senhor para vivenciar a plenitude do Amor!

Aos pés da Cruz de Cristo, saibamos expressar o verdadeiro arrependimento dos nossos pecados e infidelidades e digamos com contrição: “Senhor, tende piedade de mim, pois eu sou um pecador! ”. (Lc 18, 13). Perdoai-nos, Senhor, pelos nossos pecados e erros e ajudai-nos a crescer na correspondência ao Bem, à verdade e ao Amor. Obrigado, Senhor, pela Vossa entrega, doação, e por tudo que fizestes em prol da nossa salvação!

Nossa vontade é permanecer aos pés de Sua Cruz, pedindo perdão pelas nossas fraquezas e pelas nossas limitações, mas Nossa Senhora e as santas mulheres nos consolam e nos recordam Suas promessas de ressurreição. No sábado, nós permanecemos em oração e, por sermos iluminados pelo Espírito Santo, adquirimos a consciência de que a Sexta-Feira Santa está incompleta sem o Domingo de Páscoa e, por isso, iniciamos uma solene vigília diante do Sepulcro do Senhor, pois Ele é o Senhor da vida.

 

Aloísio Parreiras

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