SEJA DÓCIL AO ESPÍRITO SANTO!

Expressando que também me preocupo com a salvação do meu próximo, quero lhes dizer que, no dia em que vocês nasceram para a vida sobrenatural da graça, no dia de seu Batismo, Deus fez uma festa no céu, pôs o Seu dedo em sua testa e lhes ungiu, afirmando: “Porei o Meu Espírito dentro de vós e vos farei viver segundo os Meus estatutos e vos farei pôr em prática as minhas leis”. (Ez 36,27).

Desde aquele momento, “não estais mais debaixo da lei, mas debaixo da graça”. (Rm 6,14). Por intermédio do Espírito Santo, Deus selou uma aliança conosco, dizendo: “Porei a Minha lei em sua alma, escrevê-la-ei sobre o seu coração”. (Jr 31,33). Desse modo, hoje, amanhã e sempre, utilize o seu coração e sinta, perceba em suas entranhas que Deus habita em você. Você é morada do Divino Espírito e por isso, como ungido do Senhor, é seu dever obedecer fielmente aos mandamentos de Deus e da Igreja.

Renovando a docilidade ao Divino Espírito, devemos utilizar a inteligência para criar meios e ocasiões para aproximar o nosso próximo da verdade revelada por Jesus Cristo. Se alguém se mostrar irredutível no erro, temos que lhe dizer, com caridade, que é necessário que “Cristo habite pela fé, em vossos corações!” (Ef 3,17).

Na nossa própria vida, temos de repetir, todos os dias, a convicção da fé que professa que o Espírito Santo nos foi dado para promover a santificação de nossas almas. Ele é o santificador, o doador da graça, e Sua função em nós é nos gerar para a justiça e para o amor e, por isso, todo aquele que cede ao pecado é repreendido pelo Divino Espírito, que Se manifesta por meio da consciência, advertindo: “Não sejas tão seguro do perdão para acumular pecado sobre pecado”. (Ecle 5,5). Ele nos recorda que “o salário do pecado é a morte”. (Rm 6,23). Ele também nos orienta, deixando claro que “a amizade com o mundo é sinal de inimizade com Deus. Todo aquele que quer ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus”. (Tg 4,4).

O Espírito Santo cria em nós uma docilidade de alma que repudia a menor expressão do pecado. Ele nos indica quais são as armas que Deus nos concede para realizar a santidade em nosso corpo e em nossa alma. Ele nos faz apreciar o valor da oração, dos sacramentos, da leitura de espiritualidade e da vivência em comunidade. Todo aquele que é fiel à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade vive, já aqui nesta terra, uma grande amizade com Cristo e, muito mais, vive também profundos desejos de corresponder à vocação que Deus lhe propôs. No pleno cumprimento desta vocação, como arauto da Boa Nova de Jesus Cristo, ele não se cansa de gritar: “O nosso Deus é um fogo abrasador!” (Hb 12,29).

Em sua vida, Deus é um fogo abrasador ou uma brasa que já se apagou?  Em suas orações, Deus é uma singela pomba que o leva a contemplar a beleza natural ou um papagaio que só faz barulho, atrapalhando o ideal do silêncio? O Divino Espírito é o fogo que se consome sem se consumir e nos aquece na esperança de que nada devemos temer. Ele nos faz cantar: “Posso tudo posso naquele que me fortalece. Nada e ninguém no mundo vai me fazer desistir. Quero, tudo quero, sem medo, entregar meus projetos. Deixar-me guiar nos caminhos que Deus desejou para mim e ali estar”.

O Espírito Santo é a Luz santíssima que faz resplandecer em nós a paz de Deus e, com insistência, Ele intercede por nós. Como sabemos, “sem a vossa ajuda, nada há no homem, nada que seja inocente. Ele lava o que está manchado, rega o que é árido, cura o que está doente. Ele dobra o que é rígido, aquece o que está frio e dirige o que está extraviado”. (Sequência do Espírito Santo). Com essas ações em nossas almas, o Consolador sussurra em nossos ouvidos: “Reconhece que Deus é Deus!” (Dt 7,9). Reconhece também que, por amor, Deus nos destinou à filiação divina.  Como filhos amados de Deus, temos impressa em nosso ser a noção de que a caridade “nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. (1 Cor 13,5-7).

Abrir espaço para o Espírito Criador em nossas vidas é permitir que a caridade impere no desenvolvimento de nossa vida cristã. Por conseguinte, “quer te cales, cala por amor; quer fales, fala por amor; quer corrijas, corrige por amor; quer perdoes, perdoa por amor. Haja em ti a raiz do amor; pois desta raiz nada pode proceder que não seja o bem”. (Santo Agostinho, 1ª Epístola de São João, 7,8). O termômetro para se medir nossa correspondência ao Doador de graças é a frequência com que exercemos as práticas caritativas e as obras de misericórdia.

Quero elucidar que a Força da destra de Deus não se faz presente onde há desuniões, rixas, desavenças, brigas e intrigas. Muitas vezes, é preciso um pouco de sabedoria para perceber que, onde não há progressos e avanços espirituais, é porque o Espírito prometido pelo Pai se retirou, por ser o anti-Babel. Para que o Paráclito permaneça em nosso meio, é necessário ter fidelidade, docilidade, simplicidade e humildade. Perante nossas atitudes de orgulho, Ele sopra levemente em nossos ouvidos: “Não contristeis o Espírito Santo”. Perante nosso comodismo e nossa preguiça, Ele retruca: “Não apaguem o Espírito, não desprezem o dom da profecia”. (1Ts 5,19-20).

Não apagar o Espírito é buscar uma renovação em nosso apostolado. Não apagar o Espírito é criar novas formas e novos estilos para uma melhor realização do nosso trabalho de evangelização. Não apagar o Espírito é saber contagiar os jovens, os idosos e os demais leigos, para que se lancem em águas mais profundas, buscando novas almas para Deus.

Para concluir, é preciso que reaprendamos a clamar: “Vinde, Espírito Criador, visitai as almas dos vossos fiéis; enchei de graça celestial os corações que Vós criastes. O inimigo, afugentai-o para longe; dai-nos quanto antes a paz; tendo-Vos por guia e condutor, venceremos todos os perigos”. O Paráclito é como nos ensina São Paulo VI, “o agente principal da evangelização”. (Evangelii nuntiandi, nº 75).

Trabalhar no serviço de evangelização, operado pela Igreja de Cristo, é ser escolhido, preparado e enviado pelo Espírito de Jesus, que nos diz, no exato momento deste envio: “Derramarei o Meu Espírito sobre toda pessoa; e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos, vossos jovens terão visões. Mesmo sobre Meus servos e Minhas servas, naqueles dias, infundirei o Meu Espírito”. (Jl 3, 1-2). E assim, como em Pentecostes, movidos pelo Doador da graça, e em Nome de Cristo, mediante o serviço de Igreja, todos nós profetizaremos que a esperança nos fortalece na vivência da fé e da santidade, mesmo em meio às tempestades e noites escuras da vida. Vinde, Espírito Santo, vinde!

Aloísio Parreiras
2020-05-21T14:17:53+00:0021/05/2020|