Sexta-feira Santa, unir-se a Paixão de Nosso Senhor

 

Na Sexta-feira Santa, a Igreja celebra a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo no único dia do ano em que não se celebra a Santa Missa. Na Solene Liturgia oficiada, usualmente, às três horas da tarde, recordamos o Mistério da Morte do Senhor que entrega sua vida, até as últimas consequências, em favor da salvação do gênero humano.

 

Chama a atenção a estrutura da celebração deste dia, onde não está presente a Liturgia Eucarística. Ouvem-se as leituras, reza-se a oração universal por diversas intenções, adora-se o Sagrado Lenho da Cruz e comunga-se da Eucaristia consagrada na noite anterior. Todos estes sinais demonstram que o Corpo Místico de Cristo, a Igreja, com seus membros, une-se a Paixão do Senhor na vivência de seus mistérios.

Imagem da Web

O Profeta Isaías afirma “Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.” (Is 52, 3) Prefigurando o sofrimento de Cristo. O peso dos nossos pecados que acabrunhou o sagrado corpo de Nosso Senhor com dores, sofrimentos. Somos nós esses que desviam o olhar do Sacro Corpo machucado? Com nossas faltas, temos parte no sofrimento de Cristo, porque “A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado! Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura.” (Is 52, 4-5)

 

Mas a morte não é vencedora e, por isso, o Senhor mesmo nos convida, através da boca do Apóstolo, a nos aproximar, confiantemente, Dele, neste dia, lembrando que as dores que carregamos, a morte que nos assola, o pecado que nos constrange são vencidos pelo sangue do Cordeiro derramado na Cruz. “Aproximemo-nos, então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno.” (Hb 4, 16)

 

Unamo-nos, pois, a Paixão de Nosso Senhor, associando-nos a Ele nos sofrimentos de sua Paixão e clamando a misericórdia que já nos alcançou através do sacrifício da Cruz para podermos, junto Dele, ressuscitar vencendo o pecado e suas consequências, sobretudo a condenação eterna.