Solenidade da Anunciação de Nosso Senhor

Nove meses antes do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo a Igreja celebra a Solenidade da Anunciação do Senhor. Esta festa recorda o grande ato de amor de Deus em que o Verbo Divino se encarna e se faz homem para a salvação da humanidade.

 

São Leão Magno comenta sobre esta data dizendo “A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade. Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-se à morte através de sua natureza humana e permanecer imune em sua natureza divina.” Esta é a realidade que Deus, em sua infinita misericórdia, assume: dar ao homem a possibilidade de uma vida nova a partir da morte e vida de seu Filho.

 

De fato, é desproporcional, a grandeza deste ato: o homem nunca conseguirá retribuir em gratidão o tamanho da doação de seu Criador por amor a humanidade. Tudo o que os homens fizerem ainda será ínfimo. Mas Deus não precisa de nosso amor: a Ele basta a si mesmo. Entretanto, por amor a nós, Ele se torna objeto destinatário de amor porque essa ação é caminho para nossa salvação.

 

No trajeto de tentar explicar, por meio da Teologia, esse grande intercâmbio da graça de Deus, o Papa São Leão Magno afirma: “Aquele que é verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem; e nesta unidade nada há de falso, porque nele é perfeita respectivamente tanto a humanidade do homem como a grandeza de Deus. Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da sua misericórdia nem o homem é destruído com sua elevação a tão alta dignidade. Cada natureza realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne.”

 

E, podemos entender, também, o contexto desta festa dentro do período quaresmal: ao nos deparar com a grandeza do ato de amor de Deus para com a humanidade com a Encarnação do Verbo Encarnado, devemos fazer um grande exame de consciência penitencial odiando todo pecado que nos afasta da graça de Deus que se fez carne e habitou em nosso meio para nossa salvação. O período quaresmal, pois, tem íntima ligação com o Natal de Nosso Senhor e, consequentemente, com a Encarnação, pois nestes fatos da salvação se completam a Obra Redentora do Senhor.

 

Conclui São Leão Magno dizendo: “É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repetir – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem. É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus: e o Verbo era Deus. É homem, porque o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1.14).” Celebremos a Solenidade da Anunciação de Nosso Senhor, rendendo graças ao “Sim” da Virgem Maria e olhando para a Cruz que se encaminhará para a Ressurreição e a Salvação da humanidade.