SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO – 04/07

Dom Paulo Cezar

Arcebispo de Brasília

 

Solenidade de São Pedro e São Paulo

Neste domingo, a Igreja no Brasil, celebra a solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo. São Pedro foi chamado por Jesus, as margens do lago de Genezaré e São Paulo foi apanhado por Cristo, quando ia para Damasco perseguir os cristãos.

São Pedro foi aquele ao qual Jesus deu a missão de confirmar os irmãos na fé. No Evangelho de hoje (Mt 16, 13 – 19), Jesus pergunta para os discípulos: quem dizem os homens ser o Filho do Homem? A resposta mostra que o povo tinha uma concepção alta de Jesus, pensam que ele é um grande profeta. Uns pensam que seja João Batista, outros Elias, outros Jeremias e outros ainda, algum dos profetas. E agora, Jesus pergunta aos discípulos: E vós, quem dizeis que eu sou? E Pedro responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” Mt 16, 16). Pedro responde que Jesus era aquele que o Antigo Testamento esperava, era o Messias. Mas vai além, diz que Jesus é o Filho do Deus vivo. Afirma que Jesus é Deus. Tanto que Jesus dirá: “Não foi carne ou sangue que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu” (Mt 16, 17). Não foi nenhum ser humano que revelou para Pedro que Jesus é o Filho de Deus, mas foi o Pai do Céu. Este salto na compreensão do mistério de Cristo só poderia ser obra de Deus. A fé é dom de Deus. Só Deus pode nos fazer entrar no coração do mistério. Pedro entrou no coração do mistério quando afirma que Jesus é o Filho de Deus.

Jesus dá a missão a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e o poder do inferno nunca poderá vencê-la” (Mt 16, 18). Jesus muda o seu nome. No mundo bíblico e semita, mudar o nome implica mudança de destino e da realidade da pessoa.  Pedro torna, agora, a rocha sobre a qual Jesus coloca as bases para a edificação da Igreja. A Igreja é de Jesus Cristo, mas há um paralelismo entre Jesus e Pedro: “a função de Jesus Cristo, com relação à Igreja, é participada por Pedro” ( Gianfranco Ravasi, Celebrare e Vivere La Parola, 281). Esta é a única vez que aparece o termo Igreja nos Evangelhos. A Igreja permanece de Jesus, mas na sua caminhada terrena, é confiada a Pedro.  Jesus promete a sua assistência constante à sua Igreja (Mt 28, 20). Por isso, as portas do inferno ( expressão para indicar o império do mal), não prevalecerá sobre a Igreja. A Igreja possui um centro de unidade visível no apóstolo Pedro e nos seus sucessores, o papa, que é expressão da presença sobrenatural do Senhor.

Do apóstolo Paulo, devemos ater-nos ao seu testamento confiado a Timóteo, na segunda leitura. Homem que desgastou a vida no anúncio e testemunho de Jesus Cristo. Por isso, chega ao fim da vida com a consciência do dever cumprido.

Neste domingo, celebramos o dia do papa. Somos chamados a renovar a nossa adesão ao sucessor de Pedro, papa Francisco. E renovemos, também, nosso amor para com Jesus Cristo e o anúncio do seu Evangelho, como nos inspira São Paulo.

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