SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS

Dom Paulo Cezar

Arcebispo de Brasília

 

A santidade, vocação de todos

Neste domingo, celebramos a solenidade de todos os santos, onde rememoramos tantas pessoas que viveram conosco, sentaram nos nossos bancos e que estão na felicidade eterna de Deus, que já estão com Deus. “… Antes de ser uma definição moral, a santidade define o ser de Deus e o ser do homem, com o qual Deus está em contínua relação de amor (M. Grilli, In ascolto della Voce, 245). Existem muitos caminhos de santidade, mas todos provem da relação profunda com Deus, onde Ele vai transformando o ser humano em criatura nova, capaz de viver aberta e em profunda relação com Deus e com os outros. A santidade nos mostra que este mundo em que vivemos não é o definitivo da nossa vida, mas Deus.

O Evangelho nos apresenta o texto das bem-aventuranças (Mt 5, 1-12). As bem – aventuranças não são normas para levar a vida segundo a Lei, mas é proclamação de felizes a pessoas que se encontram em situações bem concretas de vida por fidelidade a Jesus Cristo e ao seu Reino. É um discurso de Jesus dirigido aos discípulos, àqueles que o seguem, que se tornaram discípulos de Jesus. As bem aventuranças expressam a fidelidade do discípulo a Jesus Cristo e ao seu Evangelho, por isso é pobre, promove a justiça, é misericordioso, é puro de coração, promove a paz, é perseguido por causa da justiça. As bem aventuranças terminam proclamando felizes os discípulos (as) quando são perseguidos, caluniados e sofrem por causa do nome de Jesus Cristo.  As bem aventuranças prometem uma recompensa no futuro. Somente em duas delas o verbo está no presente: “Bem aventurados os pobres em espírito por que deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3) e “bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, por que deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 10). Nos outros casos, o verbo se encontra no futuro, onde a recompensa será futura, na eternidade de Deus.

As bem-aventuranças propõe um caminho de perfeição, de santidade para nós. Papa Francisco afirma que “Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia- a –dia da nossa vida”(Papa Francisco, Gaudete et Exsultate, 63). Elas não são um compromisso leve ou superficial, elas só podem ser vividas com a ajuda do Espírito que nos liberta de nós mesmos e nos insere na dinâmica de Cristo, da realização da vontade de Cristo. Elas nos ajudam a irmos saindo do nosso egoísmo e a assumirmos o caminho do amor, a sairmos de nós mesmos na direção de grandes ideais.

Quando contemplamos os santos e santas, percebemos que buscar a vida bem aventurada exige vencermos constantemente o nosso egoísmo. Quem não se admira com um heroísmo de São Francisco de Assis, Com a vida de Santa madre Tereza, com a vida de Santa Dulce dos pobres. Quem não se encanta com a vida desses santos? Eles e elas mostram para nós que a santidade é um caminho para todos, pois o ser humano trás em si um apelo à perfeição, à superação de si mesmo, seja no aspecto profissional, na vida acadêmica, na dimensão humana, etc. A santidade é a resposta àquele que nos criou por amor e nos salva por amor. Deixemos a santidade ir tomando forma na nossa vida, façamos das bem-aventuranças realidade na nossa vida através de pequenos gestos na vida do dia a dia.