ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA, SOLENIDADE – 15/08

Dom Paulo Cezar

Arcebispo de Brasília

 

Bendita és Tu entre as mulheres

A Igreja, neste domingo, olha para Maria assunta aos céus. A sua assunção “é singular participação na ressurreição de seu Filho e antecipação da ressurreição dos outros cristãos.” (Catecismo da Igreja Católica, 966). Olhando para a glória de Maria, os cristãos já veem realizado Nela aquilo que esperam. Contemplar a glória de Maria nos anima no caminho da fé, na vivência da fidelidade ao projeto de Deus.

A Palavra de Deus, narrada no Evangelho, apresenta a visita de Maria a Isabel. O texto bíblico diz que “Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade da Judéia”. Dirigir-se apressadamente mostra a mulher que busca realizar a vontade de Deus.  Esta imagem relembra que os mil afazeres e decisões, se não são colocados no horizonte de Deus, não atingem a totalidade da realidade. A história, os fatos, os acontecimentos, as grandes e pequenas decisões sem Deus não conseguem atingir a sua plenitude, pois partem de um olhar parcial da realidade.

Maria entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. O simbolismo da casa de Isabel relembra a vida familiar, relembra a Igreja doméstica tão valorizada neste tempo de pandemia. Maria entra na vida, na intimidade de Isabel e Zacarias. No encontro entre Maria e Isabel está inserido também um encontro simbólico entre Jesus e João Batista. O encontro destas duas grandes mulheres significa o encontro da Antiga e da Nova Aliança, o encontro entre a Promessa e a realização da Promessa. Isabel, embora mais idosa, manifesta sua submissão a Maria: “Bendita és tu entre as mulheres…”. A mesma realidade faz também o Batista que “estremeceu no ventre de Isabel”, para realizar, assim, a vocação de orientar para Jesus. Maria contempla, vê com seus olhos a maravilha da obra de Deus em Isabel, pois a estéril conceber só pode ser obra de Deus. E Isabel é tocada pela saudação de Maria: “Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite, pois logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu ventre” (43-44). Aqui já se expressa toda a fé da Igreja na mãe de Jesus, toda a veneração que a Igreja das origens tem por Maria e, ao mesmo tempo, a fé em Jesus Cristo. Maria é mãe do Filho de Deus.  Senhor é título de Cristo. Ele ressuscitado é proclamado Senhor. Proclamar que Jesus é o Senhor significa reconhecer a centralidade dEle na história e na vida humana. Submeter-se a Cristo e à sua mãe, como fazem Isabel e João Batista, não fere a autonomia humana, pois Cristo é a realização do ser humano. Somente no mistério de Cristo o homem encontra o que é ser homem e o ser humano realiza a sua vocação humana.

O Evangelho, na sua parte final, apresenta uma grande ação de graças de Maria ao Senhor da história. Num cântico cheio de citações do Antigo Testamento, Maria manifesta a grandeza de uma alma agraciada e agradecida por aquilo que Deus fez na história do seu povo e, hoje, na sua existência. Ela é a mulher humilde, que sabe que tudo que aconteceu na sua vida e história não é mérito seu, mas obra do Todo Poderoso. Seu grande mérito está em ter colocado a sua liberdade à disposição de Deus como Serva do Senhor.

2021-08-18T14:04:28-03:0010/08/2021|